Angústia

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Prefeito Pontão Nelson José Grasselli está retomando suas atividades junto a administração municipal depois de passar por uma quarentena. Testado com covid-19, ele e a esposa ficaram afastados por mais de 14 dias, até a liberação dos médicos. Grasselli não teve sintomas, mas disse ontem à coluna, que não deseja que as pessoas passem por isso. “A angustia de não ter sintomas e, ao mesmo tempo, saber que tem uma doença tão agressiva e devastadora, é terrível”, disse ele, acrescentando que a cada dia era uma vitória enorme. Diabético e, portanto, dentro do grupo de risco, Grasselli seguiu a risca o isolamento total. Tomou apenas os remédios de uso contínuos, chás caseiros e teve muita paciência, acreditando que tudo iria passar. Assim como veio a público contar para a comunidade de que estava com a doença, no dia 9 de maio, fez uma live pelo facebook informando estar liberado para o trabalho. Pontão tem quatro casos de Covid-19. Três deles curados e um em observação, mas prestes a ser liberado também.

Realidade

Prefeitos como o de Pontão estão sendo obrigados a lidar com uma realidade completamente fora de qualquer padrão. “Em tempo de pandemia, os protocolos se quebram”, disse o prefeito de Constantina, Gerri Sawaris. Filósofo por formação, o município se antecipou na adoção de práticas de isolamento e também o uso de máscaras. Não tem casos confirmados e criou uma espécie de brigada para dar orientações aos cidadãos locais.

Auxílio

As duas prefeituras integram a Associação da Zona da Produção – Amzop, que te 43 municípios e 250 mil habitantes. Os prefeitos se organizam para auxiliar os hospitais de referência para tratamento da Covid, em Passo Fundo, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões. A ideia é destinar R$ 0,50 per capita, dinheiro que sairia dos cofres públicos para as instituições de saúde. Mas, antes de efetivar o auxílio, a Amzop busca um patrocínio para a compra de um equipamento que servirá à UFSM para realizar testes na população da região. Este equipamento custa mais de R$ 100 mil e as negociações para fechar o apoio estão em vias de acontecer.

Registro

Importante registrar a mobilização, especialmente pelo fato de que, há muito tempo, cidades pólo como Passo Fundo, suportam os atendimentos regionais de média e alta complexidade da saúde. Com esse gesto, os prefeitos da Amzop demonstram sensibilidade e reconhecimento de que precisam do serviço. Mesmo que o valor total não seja significativo, ele fará a diferença para as instituições de saúde, obrigadas a parar os atendimentos que garantem receita para colocar a estrutura à disposição da pandemia.

Três técnicos

Um time de futebol com três técnicos: o presidente da República, os governadores e os prefeitos. A definição data pelo prefeito de Constantina ilustra bem o momento. Com três orientações distintas em relação a pandemia, a confusão na cabeça do cidadão é justificável e acaba que cada um faz o que lhe convier. Repito: é uma roleta russa. O resultado é imprevisível.

Recursos

Imprevisível também é quando o governo federal vai dispor de ajuda financeira para os municípios. O que veio até agora é irrisório e não ajuda em nada a fazer frente a pandemia. Vieram migalhas porque já se sabe que a prioridade do governo federal não é a vida dos cidadãos.

A lógica

O que seria de mais lógico num momento como este é o Estado fazer o seu papel e sustentar a sociedade até tudo passar. Mas essa lógica não ecoa em quem tem visão curta, colocando seus interesses acima de todos. Aos que se permitem abrir o campo de visão para o que está acontecendo no mundo, fiquem atentos a quem realmente tem capacidade de reflexão sobre o novo normal. E esse novo normal já enxerga maior presença do Estado na economia, em oposição ao modelo que tem vigorado nos últimos 40 anos.

Bandeira preta

Pelo estudo da UFPEL, em parceria com instituições de ensino como UPF, UFFS e Imed, Passo Fundo tem 2.493 pessoas que já teriam sido contaminadas pelo coronavírus. O resultado da última testagem apontou que o Rio Grande do Sul teria mais de 24 mil casos. O estudo fez três coletas, respeitando um intervalo de 15 dias e, na última, Passo Fundo teve quatro casos positivos. Ainda temos muitas pessoas que não acreditam na pandemia. Basta ver o movimento nas ruas. Com 21 mortes e quase 300 casos confirmados, não se surpreendam com a bandeira preta.

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