"Minha maior bandeira sempre será a segurança pública"

Para o atual presidente da Câmara de Vereadores, reeleito para a próxima legislatura, não basta para uma sociedade ter foco apenas em saúde ou educação. ?EURoeNão adianta a melhor escola, se você vai trabalhar com medo de não chegar em casa. Segurança pública é, sim, importante?EUR?

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O terceiro – e último – componente da oposição que ocupará a Câmara de Vereadores de Passo Fundo na próxima legislatura é Márcio Patussi. Logo no início de 2017, quando também completa 38 anos, ele deixa a posição de presidente da Mesa Diretora para sentar-se entre os colegas vereadores em mais um mandato. Seu foco, como afirma, seguirá o mesmo de quando assumiu como parlamentar pela primeira vez, em 2013: segurança pública. É sobre isso, também, que escreve em sua dissertação de mestrado pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC): a atuação do poder público local na elaboração de projetos ligados à segurança pública. Aos 37 anos,  Patussi é advogado e professor na Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo (UPF), onde ministra as aulas de Direito Tributário e Direito Administrativo. Patussi foi reeleito com pouco mais de 2,1 mil votos em 2016.

 

O caminho até a Câmara

Nascido e criado em Passo Fundo, Patussi sempre teve influência para a política: foi desde presidente de turma no Colégio Marista Conceição até presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da UPF. Por conta desta ligação e a influência de amigos, procurou o gabinete do então vereador Adirbal Corralo, do PDT, em 1996. “Pedi o material da ideologia e o estatuto do partido para que eu pudesse estudar e, eventualmente, buscar uma filiação. Na época tinha 17 anos e, dentro do cenário da época, foi o partido com que eu tive mais afinidade. Me identifiquei com as bandeiras históricas da educação, a defesa do patrimônio público e o senso nacionalista”, lembra. Desde então, nunca participou do processo de troca de janelas: o PDT foi seu único partido.

 

Em 2004 – dois anos após sua graduação – foi trabalhar na Procuradoria-Geral do município, onde operou por quatro anos. Concorreu a vereador pela primeira vez em 2008, mas ficou na suplência. Com a reeleição do prefeito Airton Dipp, assumiu a Auditoria-Geral do Município por dois anos. Seu trabalho por ali terminou por conta da criação da Secretaria da Segurança Pública, da qual foi o primeiro secretário. Sua entrada definitiva na Câmara de Vereadores se deu em 2012, quando somou mais de 2,6 mil votos, antecipando sua posse na presidência da Mesa Diretora, que se deu no final de 2014.

 

O que já fez

Neste mandato, Patussi ressalta o projeto de lei de sua autoria que tratava da Comissão Especial de Bares e Boates. “Depois daquele episódio da Boate Kiss [em Santa Maria, no início de 2013] organizamos um projeto que submete a melhoria dos cuidados em relação a segurança destes estabelecimentos”, explica. Em vigor, a intenção da lei é fazer com que os donos de estabelecimentos do gênero informem o cliente sobre limite de lotação, seu alvará e possíveis rotas de fuga. “Ele foi elaborado pelas minhas mãos, mas teve uma discussão muito grande com a comissão especial. Para mim, é este o trabalho do parlamentar: chamar a comunidade e os poderes, discutir uma ideia, elaborá-la e, por fim, aprová-la entre acordo de todos”, pontua. Outro projeto desenvolvido por Patussi é a Lei de Incentivo ao Esporte Amador e a alteração da Lei Orgânica, que trata da regulamentação da Lei da Ficha Limpa entre os servidores municipais.

 

O que pretende fazer

Assim como outros vereadores eleitos, na próxima legislatura Patussi pretende levantar a bandeira da criação da Guarda Armada Municipal. Além disso, também busca a reestruturação da atuação do município na questão da segurança pública. “Ou seja; o município tem sua competência e sua limitação, mas ele pode auxiliar a Brigada Militar e a Polícia Civil de maneira efetiva com recursos.  Prova disso é a central de videomonitoramento, que só vai sair porque o município e alguns empresários vão conseguir colocar dinheiro, possibilitando com que os órgãos estaduais operem”, afirma. Desta forma, Patussi esclarece seu carro-chefe na política: “A minha maior bandeira sempre será a segurança pública. Tomei gosto e, quando acabamos não colocando só na prática, mas também estudando a respeito, começamos a ver como falta entendimento em relação a isso para as pessoas”, declara. Para ele, segurança é tão importante quanto educação e saúde.

 

“Não adianta ter a melhor escola ou o melhor posto de saúde se você sai de casa e fica inseguro quanto ao teu maior patrimônio; se vai trabalhar e não sabe como a sua casa vai ficar. Tenho procurado estudar bastante e aprender muito sobre isso”, termina. Um dos projetos ligados ao tópico é estabelecer no município, de forma regionalizada, alguns conselhos comunitários de segurança pública. “Estes conselhos trabalharão articulados com a sociedade civil, organização comunitária e poder público. Entendo que a melhor razão de você descobrir os problemas de um bairro é você conversando com as pessoas que moram lá. Só assim poderemos atuar com eficiência”, ressalta.

 

Oposição

“Se eu tivesse o perfil do ataque, não seria presidente da Câmara”, começa Patussi. Ele afirma que seu perfil é muito mais propositivo e de diálogo. “Construí uma imagem e um trabalho de articulação com essas características e assim vou continuar. Tenho um bom diálogo com o prefeito e com os secretários, mas também faço cobranças”, determina. As cobranças a que se refere, como pontua, devem seguir pelos próximos quatro anos sem constrangimentos. “O que for importante para a cidade eu vou apoiar, isso é evidente. Não tem como se colocar de um lado do balcão e achar que tudo que vem do outro lado é errado. A cidade requer políticas de construção”, finaliza.

 

Posicionamento político

Patussi segue o partido no sentido ideológico: os pedetistas posicionam-se à centro esquerda e, historicamente, são influenciados pelo político gaúcho Leonel Brizola. Em 2016, o PDT foi um dos que se manifestaram contrários ao impeachment da agora presidente afastada Dilma Rousseff. Esta posição, no entanto, não foi compartilhada por Patussi. “Vi que tínhamos uma política de degradação das estruturas e isso estava quase que assumido no papel da presidência da república. Não teria como ser diferente. Compreendo que era necessário que o país passasse por isso”. 

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