OPINIÃO

Pressão política chamada cloroquina

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Nem hospitais e nem as secretarias municipais de saúde de qualquer município, devem se intimidar por essa onda ideológica criminosa que pressiona para o uso de cloroquina em pacientes de Covid-19 leves e graves. Ficar respondendo pessoas que sequer tem formação médica ou cientifica para receitar medicamento é uma perda de tempo diante do que realmente deve ser feito para enfrentar a pandemia. Quem prescreve medicamento é o médico e, no caso da cloroquina, que está liberada para protocolo médico no Brasil, o paciente tem que estar ciente e deve assinar um documento autorizando o seu uso. O medicamento é tão bom, segundo ‘especialistas’ de plantão, que o risco é compartilhado. Agora, o fato de o presidente Bolsonaro se transformar em garoto propaganda de medicamento, outro absurdo, não faz do remédio uma solução para Covid-19. A solução não existe como inúmeros cientistas e instituições renomadas mundo afora tem dito. E só para lembrar, os riscos do uso da cloroquina são maiores do que seus benefícios no caso da Covid a menos que você tenha um médico de plantão, como é o caso do presidente, para monitorar os efeitos 24 h. O que não é o caso da maioria dos brasileiros


Verdade

A verdade é que Hospitais de ponta da Suécia interromperam o uso do medicamento cloroquina em pacientes infectados com o coronavírus, em consequência de relatos de graves efeitos colaterais - como arritmias cardíacas e perda de visão periférica (notícias de 10 de abril). Em 15 de junho, os EUA cancelaram autorização para uso desse medicamento. Hospitais brasileiros abandonam a cloroquina como protocolo para Covid. Alguns deles: Hospital dos Servidores do Estado e Universitário Oswaldo Cruz do Recife; Hospital Regional Tibério Nunes, Piauí; Santa Casa de Maceió; Hospital São Vicente de Jundiaí. No dia 25 de junho foi a vez do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, informar que "não recomenda" que médicos tratem pacientes da instituição com cloroquina. A instituição informou que "não há uma proibição, mas uma recomendação para a não utilização nem em modo off label, ou seja, fora das indicações homologadas para os fármacos pela agência reguladora no Brasil, a Anvisa.


Pandemônio

O médico que quer prescrever cloroquina para seu paciente, tem a liberdade de fazer isso, porque é um profissional habilitado para tal. E o paciente que concordar, assume os riscos. É simples assim. Chega de politicagem barata e de brincar com assunto sério como este, confundindo a cabeça do pobre cidadão que já está atordoado com a pandemia.


Mal-estar

A postagem da presidente do PCdoB de Passo Fundo, Eliana Bortolon, nas redes sociais, replicando a #forçacorona, depois que Bolsonaro testou positivo para Covid, causou mal-estar no partido e respingou na administração. Eliana justificou que jamais desejaria mal a qualquer ser humano, mas quer em dobro tudo o que o presidente tem feito para cada cidadão testado positivo. “Reciprocidade é o nosso maior aprendizado com a pandemia”.


Tribunal

Imediatamente, no tribunal dos grupos de WhatsApp a cobrança da manifestação foi direcionada à administração municipal, como se tivesse responsabilidade por opiniões individuais. Mas o fato de Eliana ter sido adjunta da Saúde até 2018 e o partido integrar a base do governo, foi suficiente para a pressão política. Eliana é servidora concursada e não está mais da Saúde.


PCdoB se afasta

Ao comentar a repercussão, o prefeito Luciano Azevedo, deixou clara sua insatisfação. “A declaração é absurda e inaceitável e não encontra qualquer tipo de justificativa”, disse. Luciano lembrou que o partido esteve ao lado de outras 15 siglas na coligação vencedora em 2016. São partidos de várias correntes ideológicas, mas unânimes na reprovação ao que foi escrito. “A declaração, somada ao projeto de candidatura própria, afastam ainda mais o partido do governo”, afirmou.


Memória

A memória é curta, mas a história se encarrega de eternizá-la. Quem hoje critica a reação contra o presidente são os mesmos que o apoiaram quando ele desejou que a ex-presidente Dilma Rousseff morresse infartada ou com câncer; pregou o fuzilamento de “uns 30 mil, incluindo o ex-presidente FHC. E sobre a pandemia disse: "Se vão morrer alguns inocentes, tudo bem. Sem contar que ele não é coveiro, etc..etc..


Simplicidade

O direto à vida é inviolável e não precisaria estar descrito em nenhuma Constituição. Basta ter humanidade. Não deseje ao outro o que não quer para si. Mais simples, impossível.


Desfiliação

Quem está deixando o PCdoB é a secretéria Ana Paula. As razões: a secretária pretende retomar o caráter técnico que a levou a compor o governo do prefeito Luciano. A arquiteta diz que manterá apoio ao projeto de cidade proposto pela administração, também nas próximas eleições.

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