Câncer é principal causa de morte em Passo Fundo

Resultados da pesquisa feita pelo Observatório de Oncologia também aponta que a situação é igual em seis das 21 cidades que integram o Corede da Produção

Escrito por
,
em

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

O câncer é principal causa de morte em seis das 21 cidades do Corede Produção: Passo Fundo, Marau, Ciríaco, David Canabarro, Ernestina e Gentil. Em Passo Fundo, foram registradas 315 mortes por câncer em 2015, o que representa 23% dos óbitos totais (1.372). Os outros 77% dos óbitos estão distribuídos entre outros tipos de doenças classificados nos capítulos da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), como cardiovasculares, aparelho respiratório, infecciosas, por exemplo. Conforme informações do Conselho Federal de Medicina, isso significa que nenhuma outra doença supera o câncer nesse município. Em Ernestina e Gentil, o percentual de óbitos chega a 47%. “Em nosso Corede, temos municípios, pequenos, onde quase metade dos óbitos totais são por câncer. Este dado é alarmante, já que, no Brasil e no RS, o câncer é a segunda causa de morte com tendência a se tornar a primeira causa de morte nos próximos anos”, comenta o oncologista clínico do CTCAN.


Pesquisa feita pelo Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgada na segunda-feira, aponta que em 516 dos 5.570 municípios brasileiros o câncer já é a principal causa de morte. O Rio Grande do Sul (RS) é o Estado com o maior número de municípios (140) onde o câncer é a primeira causa de morte. Enquanto em todo o País as mortes por câncer representam 16,6% do total, no território gaúcho esse índice chega a 33,6%. Para o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN) de Passo Fundo, Dr. Alvaro Machado, os dados são alarmantes.


A pesquisa mostra que outros municípios da região, que são abrangência de outros Coredes, como Chapada, Constantina, Erechim, Lagoa Vermelha, Rondinha, Tapera, Vila Lângaro, por exemplo, também tem o câncer como maior causa de morte. A análise feita pelos pesquisadores mostra que a doença cresce a cada ano e, em pouco mais de uma década, o câncer será responsável pela maioria dos óbitos no Brasil. “A pesquisa mostra um quadro extremamente sério, que chamamos de epidemia do câncer. Nos últimos anos houve um crescimento exponencial dos casos e da mortalidade pelo câncer comparado a outras causas de morte”, salienta o oncologista clínico do CTCAN.


Hábitos de vida e envelhecimento da população
Os maus hábitos de vida e o envelhecimento da população são considerados fatores importantes para o crescente número de mortes por câncer. “Múltiplos fatores podem ser associados aos resultados da pesquisa, entre eles o envelhecimento da população e hábitos de vida, como tabaco, obesidade, sedentarismo, má alimentação e álcool, bem como fatores genéticos”, destaca Machado.


A campanha de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) também é enfatizada como fator para reduzir as mortes por câncer, já que ele é a principal causa do câncer colo do útero, além de outros cânceres como o de vulva, vagina, ânus, do pênis, boca e garganta. “Campanhas de vacinação contra o HPV, buscando a população alvo, crianças e adolescentes de 9 a 15 anos nas escolas, é importantíssimo para que tenhamos um futuro livre de doenças relacionadas ao HPV”, ressalta Machado.


Grande parte dos municípios que possuem o câncer como principal causa de morte são de porte pequeno, com menos de 25 mil habitantes. “Importante notar que boa parte dos municípios, especialmente no RS, são municípios pequenos, basicamente rurais. Isso nos leva a associar a principal atividade econômica que é agricultura com o câncer, pelo manuseio e convivência da população com os agrotóxicos. Essa questão deve ser levada em conta de forma prioritária por parte do governo”, observa Machado.


Investimento em políticas públicas
O médico destaca ainda que políticas públicas para diagnóstico precoce e prevenção da doença são mais do que nunca essenciais. “Esses resultados significam uma necessidade de grandes investimentos do ponto de vista educacional em saúde, diagnóstico precoce e prevenção. É preciso melhorar o acesso ao diagnóstico e aos tratamentos eficazes contra o câncer para população. Será necessário reconsiderar a decisão governamental de congelamento de investimentos em saúde por 20 anos. O quadro será trágico daqui para a frente, tendo em vista o aumento da incidência e da mortalidade por câncer no Brasil”, pontua o oncologista.


Câncer mata cerca de 18 mil gaúchos por ano

O câncer é a segunda causa de morte no mundo. Atualmente, 8,8 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência dessa doença, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, foram registradas cerca de 210 mil mortes por câncer em 2015 (DataSUS). No Rio Grande do Sul, essa doença matou mais de 18 mil gaúchos neste mesmo período, quase 2 mil mortes só na região Norte. 
 
Seis municípios pertencem ao Corede Produção:
Município                         Nº hab.         Óbitos por câncer          Óbitos totais                     %
Passo Fundo                     196.739          315                                 1.372                       23%
Marau                               40.174            56                                    214                       26%
Ciríaco                               5.005             10                                     44                        23%
David Canabarro                 4.840             6                                       32                        19%
Ernestina                            3.207             7                                       15                        47%
Gentil                                1.711              7                                       15                         47%


Fonte: Pesquisa Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer, em parceria com o Conselho Federal de Medicina

Gostou? Compartilhe