Duas décadas de pioneirismo na agricultura de precisão

Projeto Aquarius foi responsável por iniciar a aplicação do manejo específico e deve firmar parceria com a Holanda

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· 2 min de leitura
A agricultura de precisão permite a aplicação correta de insumos ao identificar as características do áreas e prever a fertilidade do solo

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O resultado diferente na produtividade do cultivo de milho entre as lavoras que aplicavam a mesma técnica no manejo do solo instigou, há 20 anos, os pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) a buscar soluções para uma agricultura de precisão. Através do Projeto Aquarius, os engenheiros agrônomos permitiram que os pequenos produtores rurais praticassem a aplicação correta dos insumos e alçaram a cidade de Não-Me-Toque ao cenário nacional de pioneirismo na técnica.


Duas décadas depois, os resultados científicos iniciados nas propriedades denominadas de área Schmidt, com 124 hectares, e área da Lagoa, com 132 hectares, devem se expandir para o continente Europeu por meio de uma parceria firmada entre os estudiosos e a Holanda no intercâmbio de pesquisadores na área de uso, manejo e conservação do solo. “Foi nessas lavouras onde a agricultura de precisão iniciou, no mundo. A área começou a ser monitorada e se constatou que havia muita variabilidade entre elas”, explicou a engenheira agrônoma e pesquisadora, Marcieli Piccin. “Começou a se pesquisar o que era. Topografia, nutriente, água. Então, começou a se entender o que justificava a diferença na produtividade”, prosseguiu com a explicação.


A partir do diagnóstico preliminar, os produtores rurais da localidade começaram a trabalhar em zonas de manejo divididas em baixa, média e alta produtividade. “Ao invés de você ter uma escala de produtividade, o objetivo é aproximar todas as zonas do 100”, mencionou Marcieli. “Foram estratégias criadas que se chamam manejo sítio específico”, justificou.


Capital nacional


A experiência demonstrou que, ao aplicar as técnicas mencionadas pela pesquisadora, houve uma evolução da produtividade de milho nessas propriedades adotadas para estudo. “Considerando todas as safras avaliadas até hoje [pela pesquisa], a gente vê que o Projeto Aquarius produziu quase mil sacos; o Brasil, 800, e o Rio Grande do Sul, 650. Isso no acumulado. Então, você vê a diferença no quanto esse manejo agregou”, avaliou ela.


A agricultura de precisão, como explicou ainda, é uma moderna ferramenta que possibilita ao agricultor o gerenciamento da propriedade, não se restringindo ao plantio de milho. Esse tratamento diferenciado nas pequenas unidades de terra, focando em zonas concentradas e não mais na totalidade do campo, contrasta com o método tradicional de manejo de solo. “Muitas das máquinas lançadas por algumas empresas do setor foram testadas, antes, pelo projeto”, disse a engenheira agrônoma.


O pioneirismo nesse campo de estudo aplicado da agronomia, que permite a aplicação correta de insumos ao identificar as características do áreas, e prever a fertilidade do solo e produtividades dos cultivos concedeu, em 2009, o título de Capital Nacional da Agricultura de Precisão ao município de Não-Me-Toque, sede da Expodireto Cotrijal. “Esse ano, um tema que chamou bastante a atenção foi a estiagem. Nós temos essa preocupação de criar estratégias que reduzam a deficiência hídrica da planta e usar as tecnologias e corretivos para melhorar esse sistema”, afirmou Marcieli.



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