?EURoeAgora o Be vai descansar?EUR?, pontua acolhedora do menino Bernardo

Juçara Petry, mulher que era considerada a mãe adotiva do menino Bernardo Boldrini, fala sobre o julgamento e sobre a luta para manter a memória do garoto viva

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A cidade de Três Passos, que nos últimos anos virou referência pelo triste fim que teve a vida do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, está mais leve. O adjetivo foi como a empresária Juçara Petry, a mulher que acolhia o garoto quando o pai e a madrasta eram omissos, define o clima após o julgamento, encerrado no dia 15 de março. Desde o assassinato, em 2014, os esforços de Juçara, e de mais um grupo de pessoas que se comoveram com o caso, foram para manter a memória de Bernardo viva até o dia do julgamento. “Agora o Be vai descansar. Porque nesses cinco anos, desde a morte dele até a agora, a gente viveu em função disso, em função de não deixar [a história] morrer enquanto não saísse o júri. Precisava ser esclarecido”. 

 

Já era fim de tarde quando os sete jurados se reuniram em outra sala para julgar os quatro réus do caso: o pai Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Uguline, e os irmãos, Edelvânia e Evandro Wirganovicz. Do lado de fora do Fórum da Comarca de Três Passos, dezenas de pessoas aguardavam ansiosas pela leitura da sentença. Quando a magistrada Sucilene Engler Werle anunciou que os quatro haviam sido condenados, a família de Juçara saiu do local e foi em direção a casa onde morava Bernardo. “Quando saiu a decisão da juíza, nós logo saímos e fomos para a casa do Bernardo para tirar os banners que estavam todo esse período na porta da casa. Quando tiramos os banners. Parecia que estávamos nas nuvens, que aquele peso nas costas saiu”, lembra Juçara.


Os Petry só ficaram sabendo da pena quando voltaram para casa, após a retirada dos cartazes. A Juçara, não havia o sentimento de que os réus deveriam pagar ou sofrer. “A gente não tinha essa intenção de peso, de pena. Não tínhamos esse pensamento de: ah tem que pegar pena máxima. Eu, pelo menos, não tinha. Eu só pensava: que Deus faça justiça pelo certo. Quem foi o culpado, vai ter a punição dos homens”, pontua.


Para ela, a justiça seria feita e os quatro envolvidos, agora condenados, pegaram uma pena de acordo com as leis do país. “Agora parece que o promotor vai recorrer para aumento de pena, mas deixa eles que são da Justiça resolverem. A nossa parte que foi não deixar a memória do Bernardo terminar sem sair o julgamento, a gente conseguiu fazer”.

 

Ponto de orações
Os banners haviam sido colocados em frente à casa dos Boldrinicomo uma forma de preservar a imagem do menino durante todos os anos. Ao longo dos anos, o local virou referência da cidade e ponto de visita, de curiosos a pessoas comovidas e devotas. Muitos iam para rezar, acender velas e até mesmo fazer promessas. “Era uma referência triste para nós. Durante esses anos, a casa foi uma espécie de túmulo”, conta a empresária. Juçara diz que há pessoas que a procuram para contar que rezaram e pediram ajuda de Bernardo e que ele as ajudou. “Acho que é uma criança que foi ceifada prematura e que as pessoas pela fé se apegam”, opina.

 

Depoimento
Juçara foi uma das cinco testemunhas arroladas pelo Ministério Público, na acusação. Ficou incomunicável de segunda, dia 11 de março, até a quinta, quando começaram os debates no julgamento. Ela, que já havia sido ouvida em outras ocasiões no processo, relata que havia apreensão, mas que estava ali para falar a verdade. “A tensão de terminar esse ciclo, isso pesa. Eu estava carregada. Mas foi um alívio. Para gente foi um alívio. Precisávamos fazer isso, pelo Be. Para nós enterrarmos de vez o Bernardo”, explica.

 

Durante o depoimento, ela afirmou que o garoto “era como um filho” para ela e o marido, Carlos Petry. Juçara, a Tia Ju como era chamada, era homenageada pelo menino no Dia das Mães. Ela se emocionou relembrando episódios que descreviam a carência de Bernardo. "Uma vez, cobrei que ele tinha errado a tabuada do três. Aí confessou que tinha errado de propósito porque senão o tio Carlinhos não ia mais ensinar ele. Isso doeu muito", contou, chorando, durante a oitiva.

 

Cidade de luto
Durante o julgamento, a cidade ficou calada e de luto. A juíza havia solicitado que os moradores não fizessem manifestações barulhentas próximas ao fórum para não interferir no julgamento. Quando saiu a sentença, no entanto, a população fez sua manifestação e finalizou o clico, como descrito pela empresária. Conforme Juçara, agora a cidade está em paz de novo e o ano deve começar de maneira diferente.


O sentimento de leveza fica, mas Juçara espera que o caso seja referência para evitar novas tragédias. “Que isso tenha servido de exemplo para a gente enxergar as necessidades de uma criança, fazer o possível para detectar antes que aconteça uma tragédia dessas. Para que não existam mais Bernardos”, finaliza.

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