Perfuração aumenta mistério sobre túneis em Ibirubá

Bombeiros encontraram parede de tijolos em tubulação subterrânea. Buraco foi aberto no ponto onde geólogos haviam detectado anomalias.

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· 2 min de leitura
Escavação na Rua Flores da Cunha mobilizou autoridades municipais, bombeiros, Corsan e a comunidade que acompanhou curiosa a investigação

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Após anos de expectativas e mistério, bombeiros encontraram indícios de túneis subterrâneos, em Ibirubá, durante escavação realizada na manhã de ontem (1). Pela manhã, as máquinas da Prefeitura abriram um buraco na Rua Flores da Cunha, em um dos pontos onde os geólogos haviam detectado anomalias no subsolo. Após perfurar uma estrutura de concreto, um dos voluntários andou por uma tubulação subterrânea e encontrou uma parede de tijolos.


Porém, devido à previsão de chuva para os próximos dias e a cautela com que a administração municipal vem lidando com o assunto, os trabalhos se encerraram e, ainda ontem, o buraco foi fechado. A ideia, a partir de agora, é procurar tecnologias e profissionais especializados para dar andamento às investigações, de acordo com o prefeito de Ibirubá, Abel Grave. A prefeitura quer descobrir, por exemplo, as especificidades da obra, o período em que foi construída e mapear o caminho dessa tubulação. Nem a prefeitura ou a Corsan tinham conhecimento desta estrutura no subsolo.


Além de descobrir a veracidade das informações que rondam a história dos túneis, há o interesse, por parte da Prefeitura, de explorar um possível projeto turístico.


A escavação
Inicialmente, a escavação encontrou uma estrutura de concreto, a cerca de quatro metros de profundidade – algo que já havia sido relato em escavação particular anterior. Após encontrar alguma resistência, os voluntários conseguiram abrir um buraco nesta estrutura, que se tratava de uma tubulação de concreto. Um bombeiro, utilizando máscara de oxigênio e equipamentos especiais, entrou pela tubulação por cerca de 10 minutos.


Ao retornar para a superfície, declarou: “A uns oito metros, tem uma parede de tijolos. Tem uma laje em cima. A canalização segue para lá, e vai [por] metros e metros. De perder de vista”, descreveu. Pelo relato do bombeiro, o fluxo de água na tubulação é irrisório e as dimensões são largas demais para serem usadas como esgoto. Disse que conseguiu se movimentar com facilidade pelo túnel. “Dá para ver que foi algo que não foi utilizada por muito tempo, ou nem foram utilizados. São aparentemente novos”.

 

Investigações anteriores
Em agosto, uma empresa particular havia sido contratada para realizar perfurações em dois pontos, porém, os buracos foram fechados a pedido da Prefeitura, que havia se comprometido em investigar o mistério. Naquela ocasião, em um dos pontos, não foi encontrado nada. Porém, na segunda perfuração, uma parede de concreto foi encontrada a aproximadamente quatro metros abaixo do solo.
O local de escavação havia sido demarcado pelos geólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Maria Luiza Correa da Camara Rosa e Eduardo Barboza, que estiveram na cidade no ano passado e fizeram uma análise indireta do subsolo com um aparelho chamado georadar. Na ocasião, o que os geólogos encontraram foi algumas descontinuidades, que poderiam ser interpretadas como vazios subterrâneos. Mas essa anomalia também não garantia a existência de um túnel, já que poderia ser um material diferente ou um depósito de lixo, por exemplo.


Mistério dos túneis
Há pelo menos seis décadas, corre pela cidade histórias sobre a existência de túneis subterrâneos que teriam sido utilizados para esconder nazistas de passagem rumo à Argentina, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Entre os ibirubenses, a imaginação corre solta e as narrativas alcançam desde mortes forjadas até experimentos médicos com grávidas e recém-nascidos. Além de todas as lendas urbanas da cidade, há provas em jornais antigos, como uma reportagem do carioca “Correio da Manhã”, que relatam a passagem de nazistas pelo município. Também se especula o parentesco familiar de um antigo médico da cidade com a mulher de Adolf Hitler. Ou a história do misterioso pároco Franz Hummler, conhecido por Padre Chico, que viajava todo ano para a Alemanha e teria abrigado, segundo relato jornalístico, um médico da SS.

 

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