Correios de Passo Fundo e região aderem à greve nacional

Sindicato relata casos de coronavírus entre trabalhadores

Por
· 3 min de leitura
Divulgação/ON Divulgação/ON
Divulgação/ON

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) declarou greve nacional por tempo indeterminado na segunda-feira (17). O sindicato estadual e a subsede regional também aderiram à paralisação. Em Passo Fundo, 80% dos trabalhadores aderiram à greve, de acordo com o diretor da subsede regional, Gelson Zapello. Em Getúlio Vargas, Erechim e Guaporé a adesão chega a 100%, em em Soledade, a 90%. O diretor considera a adesão regional maciça e que esta será uma das maiores greves dos Correios. 

A categoria, em comunicado da FENTECT, afirma que não conseguiu negociar com a empresa e que foi surpreendida no começo de agosto com a revogação do atual Acordo Coletivo que estaria em vigência até 2021. A revogação teria retirado 70 cláusulas. Entre elas estão "30% do adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias, auxílio creche, indenização de morte e auxílio para filhos com necessidades especiais", de acordo com a Federação. “Eu sou contra a greve porque nós poderíamos ter diálogo com o governo e ter um acerto. A gente só quer manter o que gente tem”, relatou Gelson Zapello.

A Federação também afirma ser contra a privatização dos Correios. “O nosso futuro passa por esse acordo coletivo, se a empresa tirar todos esses direitos será um passo para a privatização”, explica Gelson. Ele afirma que o sindicato é totalmente contra a privatização e considera que haverá um prejuízo para a população em geral. 

Casos de Covid-19

Em relação à pandemia, a Federação afirma haver “negligência com a saúde e vida dos ecetistas”. O diretor da regional afirma que há “horas” os trabalhadores não recebem equipamentos de proteção individual. “Nem máscara, nem álcool gel, muito menos luvas”, disse Gelson. Além disso, um trabalhador em Passo Fundo teria testado positivo para o novo coronavírus, outros dois testaram que já tiveram o vírus e seis são considerados suspeitos, de acordo com o titular da Secretaria de Política, Formação e Relação Sindical do Sindicato Estadual, Josemar Lara.

Ele relata que “vários” funcionários foram afastados por suspeita de contágio da doença. Conforme Lara, ontem à tarde, (18) a Unidade CDD (Centro de Distribuição Domiciliar) na Planaltina, passou por uma fiscalização feita pela Vigilância Sanitária do município. 

Até o fechamento desta edição, a Coordenação de Comunicação estadual dos Correios não havia dado retorno sobre a confirmação ou não das informações referentes aos casos de Covid-19 e também sobre a fiscalização

Nota dos Correios 

Em nota, os Correios afirmam que a paralisação não afeta os serviços de atendimento. Um levantamento parcial na manhã de terça-feira mostrou que “83% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente”, de acordo com a empresa. A nota ainda afirma que foi colocado em prática o Plano de Continuidade de Negócios “para minimizar os impactos à população”.

Quanto à negociação, o comunicado afirma que os Correios têm como objetivo “cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia”. A estatal considera que as reivindicações da Fentect custariam R$ 1 bilhão anualmente e afirma que a proposta é “impossível de ser atendida”. A empresa diz que houve uma diminuição de despesas previstas com as medidas de contenção da ordem de R$ 600 milhões anuais.

A nota ainda diz que não foram retirados direitos, “apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado”. A empresa afirma que os trabalhadores seguem com acesso ao Auxílio-creche para dependentes com até cinco anos de idade, que os tíquetes refeição e alimentação continuam sendo pagos, “conforme previsto na legislação que rege o tema”, e que estão mantidos os respectivos adicionais aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento.

Quanto às medidas de prevenção ao coronavírus, o comunicado apenas afirma que dentre as medidas adotadas, a empresa redirecionou empregados do grupo de risco ou que coabitam com pessoas do grupo para o trabalho remoto, sem perda salarial.

Gostou? Compartilhe