Área de trigo colhida chega a 90% na região de Passo Fundo

Apesar de perdas estimadas em 15% em razão da geada, de acordo com a Emater, ano foi de ganho na qualidade e preço recorde para o produto

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(Foto: Gerson Lopes/Arquivo ON)(Foto: Gerson Lopes/Arquivo ON)
(Foto: Gerson Lopes/Arquivo ON)
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Os dias de tempo seco registrados nas últimas semanas contribuíram para o avanço da colheita de trigo no Rio Grande do Sul. Na área de abrangência do Escritório Regional de Passo Fundo da Emater/RS, responsável por 42 municípios, a colheita já alcançou 90% da área cultivada. A expectativa é de que, até o fim desta semana, a colheita seja concluída na totalidade dos campos destinados à triticultura na região.

O cenário é semelhante no restante do Estado, que conta com uma área de 915,7 mil hectares cultivados com o grão, ainda segundo o órgão de assistência técnica. Em comparação com o ano passado, foram plantados cerca de 150 mil hectares a mais em território gaúcho. Somente na regional de Passo Fundo, neste ano, o trigo ocupa 72 mil hectares de área cultivada. O número é 31% superior ao observado em 2019. Para o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, o incremento na produção do cereal deve-se especialmente à alta no preço. “O preço bom estimulou o plantio e a perspectiva é de que, no ano que vem, a área possa ser ampliada novamente”, explica.

A grande dificuldade nesta safra ficou centrada nas perdas registradas em decorrência das adversidades do tempo. Em regiões como Santa Rosa, a ocorrência de geada e a diminuição das chuvas em diferentes ciclos do grão resultaram em uma redução de quase 50% na produtividade média. Na regional de Passo Fundo, no entanto, Adami aponta perdas menos significativas, em torno de 15%. A produtividade média na região passo-fundense, conforme o Informativo Conjuntural produzido e divulgado pela Emater na última quinta-feira (5), varia entre 2.700 a três mil quilos por hectare.

“Os prejuízos mais pontuais foram na região de Não-Me-Toque, que planta mais cedo e, com a geada, teve uma perda maior. Ainda assim, na nossa área de abrangência está perto da normalidade. É diferente da região Noroeste, onde foi um problemaço. Lá, foram mais de 1.400 pedidos de Proagro e, aqui, em torno de 200”, aponta o gerente regional, referindo-se ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que garante a exoneração de obrigações financeiras relativas à operação de crédito rural de custeio, cuja liquidação seja dificultada pela ocorrência de fenômenos naturais, pragas e doenças que atinjam rebanhos e plantações.


Preço recorde

Apesar da redução na produtividade da safra deste ano, que deve ficar abaixo das 2,18 milhões de toneladas que eram projetadas a nível estadual pela Emater em meados de junho, o ano foi marcado por um ganho significativo na qualidade do trigo. Na região de Passo Fundo, segundo o Informativo Conjuntural do órgão, a qualidade dos grãos tem evidenciado peso do hectolitro (pH) entre 81 e 83, enquanto o valor de referência no Brasil é de 78kg/hl.

Além dos benefícios do melhoramento genético, o engenheiro agrônomo Oriberto Adami cita o clima como um dos principais propulsores para qualidade do trigo gaúcho. “O tempo estava mais seco na fase de maturação e enchimento dos grãos, o que contribui para dar menos doenças. Já quando ele estava em uma fase que demandava mais umidade, chovia regularmente. A estiagem chegou quando o trigo já estava em fase final de ciclo, então não refletiu tanto na qualidade. O fator mais complicado para algumas regiões foi realmente a geada”, esclarece.

Por ser um dos principais parâmetros para indicativo de qualidade do trigo, bons índices de pH influenciam diretamente na remuneração dada pelo mercado. Não é à toa que, conforme Adami, o preço do trigo praticamente dobrou em 2020. O levantamento semanal realizada pela Emater mostra que, na semana passada, o preço da saca do produto em Passo Fundo girava em torno de R$ 80. “Mesmo que colha 30% a menos que o esperado, ainda compensa, porque o preço está excelente. Esse fator pode motivar o crescimento na área de plantio no ano que vem, principalmente se os fatores que estão mantendo o preço se sustentarem, como o valor do dólar, a demanda de consumo e a qualidade do produto”, aposta.



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