Médico desenvolve equipamento de proteção para profissionais da saúde

Produção artesanal do capacete permite a inclusão de um sistema de ventilação

Por
· 3 min de leitura
Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação
Foto: Divulgação
Você prefere ouvir essa matéria?

Uma das maiores preocupações em todo o mundo, relacionadas às Covid-19, está com a proteção de profissionais da área da saúde, que atuam na linha de frente no combate da doença viral. Médicos e enfermeiros intensivistas, cirurgiões, anestesiologistas além de profissionais socorristas e paramédicos são alguns exemplos da grande relação de trabalhadores que precisam de proteção redobrada, especialmente pelo contato próximo com infectados pela doença. E, apesar de proteger a principais portas de entradas no organismo humano pelo vírus – vias áreas, mucosa oral e conjuntiva ocular – ser uma tarefa aparentemente fácil, no dia a dia de trabalho, surgem algumas dificuldades, como, por exemplo, eficiência, comodidade, mobilidade, salubridade respiratória como sonora, conforto térmico, conforto visual, conforto na leveza e maneabilidade. Além disso, esses equipamentos precisam ser de fácil fabricação e com um custo mínimo a ponto de ser descartável.

E foi pensando nessas questões, que o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF), José Roberto Grisolfi, colocou as mãos à obra, para confeccionar um equipamento que fosse leve, confortável, fácil de vestir e fabricar, descartável e, claro, eficiente. O resultado foi uma espécie de capacete criado com uma tira de papelão de 1 metro de comprimento por 4 cm de largura e 2,5 mm de espessura – facilmente encontrado em livrarias com metragem de cartolina – lâminas de policarbonato e braçadeiras de plástico auto ajustáveis, também encontradas em livrarias a granel.  Uma vez montado o ‘capacete’ de auréola de papelão com o policarbonato fixado por grampos de papel na parte da frente, na sequência, colocamos um pedaço de 60 cm de eletroduto de plástico, unindo a parte frontal do anel de papelão com a parte occipital desta auréola, deste mesmo papelão, sendo este ducto fixado com braçadeiras de plástico”, explicou o professor. 

A armação, após montada, é colocada dentro de um saco plásticos transparente de 40x60cm. Conforme o professor, é esse plástico que vai envolver a cabeça e o pescoço do profissional de saúde e que fornece a eficiência. “Para este artefato não ficar asfixiante e impossível de usar, temos que fornecer um fluxo de ar injetado no interior do ‘capacete’ através do eletroduto. O fluxo, pelo eletroduto é lançado na região frontal, junto a testa e desce para o rosto, assim garante a transparência do visor, mas principalmente expulsa o CO2, o gás carbônico que exalamos ao expirar e, que, deve ser colocado para fora deste invólucro de plástico, para não nos “asfixiar”, acrescenta. 


Barato e eficiente
A produção é artesanal e, por enquanto, o equipamento está sendo utilizado por médicos anestesiologistas no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). Isso porque a principal dificuldade e a parte mais cara do equipamento desenvolvido por Grisolfi está justamente em providenciar o fluxo de ar a ser colocado dentro deste capacete fechado. No centro cirúrgico, onde trabalho como anestesiologista e professor de urgências médicas, tenho a possibilidade se usar o ar comprimido fornecido pelo hospital, o qual é purificado para o uso medicinal. A outra forma, seria através de um ventilador portátil à bateria, que injetaria ar obtido no ambiente, porém filtrado, para dentro do “capacete”, conta o médico que, junto com colegas, estuda a possibilidade de desenvolver um motor de ar forçado, para que possa disponibilizar o aparelho a todos os profissionais.  

De acordo com o professor, o artefato, se hermético e com uma boa fonte de fluxo de ar, determina alta eficiência para proteger os profissionais da área da saúde contra o vírus. Quanto ao capacete, ele pode ser eficiente, leve, barato e descartável, como assim demonstramos na fabricação artesanal, pontua, ressaltando que o capacete desenvolvido por ele visa proteger especialmente as vias aéreas, boca e olhos dos profissionais, e que os demais EPIs, assim como todos os cuidados na prevenção, devem continuar sendo executados com precisão e constância, conforme os protocolos estabelecidos pelo hospital. Outra possibilidade levantada pelo anestesiologista é a de que o aparelho não seja utilizado somente no momento de pandemia, mas possa ser tornar um protocolo também para pacientes com infecções por bactérias super-resistentes.  


Gostou? Compartilhe