A exposição solar é a principal fonte de vitamina D

A radiação ultravioleta do sol é transformada em colecalciferol

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A vitamina D é importante para a manutenção do cálcio, além de outros benefícios para a saúde. A absorção de cálcio é fundamental para evitar a fragilização dos ossos e o risco de fraturas. De acordo com a Dra. Paula Stefenon, a principal função da vitamina D é manter níveis adequados de cálcio e fósforo no sangue e promover a saúde óssea. A médica endocrinologista do corpo clínico do Hospital da Cidade explica que a ação da vitamina D inicia no sistema digestório, estimulando a absorção do cálcio proveniente da dieta. A vitamina D também age nos rins, reduzindo a excreção de cálcio e estimulando sua reabsorção. Nos ossos a vitamina D age junto com o hormônio das paratireoides (PTH) – a vitamina D estimula os osteoblastos que formam novas células ósseas enquanto o PTH estimula a reabsorção óssea mobilizando o cálcio do osso para o sangue. Esses mecanismos precisam estar em equilíbrio para mantermos uma mineralização óssea adequada e níveis de cálcio normais no sangue.


O que acontece quando há carência desta vitamina?
Pode ocorrer raquitismo em crianças e osteomalácia em adultos, que é a formação de osso inadequadamente mineralizado, tornando-o mais mole e suscetível a fraturas. O raquistismo ainda pode levar a deformidades no esqueleto. A vitamina D ainda participa da regulação da imunidade e na sua deficiência as pessoas teriam maior predisposição a infecções.

 

Qual a quantia necessária?
A quantidade diária necessária de vitamina D para crianças de 0 a 8 anos é de 400UI/dia, dos 9 aos 70 anos 600UI/dia e maiores que 70 anos 800UI/dia. Pessoas que tenham doenças ou utilizem medicações que interfiram na absorção ou no metabolismo da vitamina D ou que já apresentam deficiência da vitamina podem necessitar de doses maiores.

 

A falta é mais prejudicial às mulheres?
Na verdade, a diminuição da vitamina D não é mais grave em mulheres, mas mulheres tem maior risco de osteoporose, por terem redução dos níveis dos seus hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) em idade mais precoce que os homens e a deficiência da vitamina D acelera ainda mais o processo de perda de massa óssea. Os homens normalmente têm esse risco de osteoporose aumentado a partir dos 70- 80 anos. Outra fase importante para as mulheres é a gestação, quando as necessidades de cálcio são aumentadas para fornecer suprimento mineral adequado para o feto e a deficiência de vitamina D está relacionada com complicações durante a gestação.


A alimentação adequada fornecer a vitamina D?
A vitamina D pode ser encontrada em peixes, fígado e gema de ovo, também pode ser adicionada a alimentos como leite e derivados. No entanto, a principal fonte de vitamina D é a exposição solar, capaz de fornecer mais de 80% das necessidades diárias de vitamina D. Uma gema de ovo tem 22UI de vitamina D enquanto um filé grande de salmão tem em torno de 120UI.


Como a vitamina D é produzida pela pele?
Temos um precursor da vitamina D, proveniente do colesterol, que quando exposto a radiação ultravioleta do sol é transformada em colecalciferol ou vitamina D3. Essa vitamina ainda precisa ser ativada pelo PTH e pelos rins para se transformas em calcitriol, que é a vitamina D ativa, que tem ação na regulação do cálcio e do metabolismo ósseo. A melanina diminui a síntese da vitamina D, por isso quanto mais escura a pele mais exposição solar é necessária para produzir vitamina D. Menor exposição solar, tanto pelo uso de roupas quanto protetor solar também reduzem a produção de vitamina D.


Qual a necessidade diária de exposição solar?
A necessidade diária de vitamina D corresponde a uma exposição de 5% da superfície corporal à luz solar direta. Isso sem protetor solar e não pode ser através de vidro, por um tempo menor que o necessário para deixar a pela vermelha. Quanto mais escura a pele, mais tempo é necessário para produzir a vitamina D, na maioria das pessoas esse tempo é menor que 20 minutos. Então, pegar sol apenas nos braços por aproximadamente 20 minutos ao dia já é suficiente para produzir toda a vitamina D necessária. Portanto, não são necessárias longas exposições solares para manter níveis adequados de vitamina D, pois exposição prolongada ao sol pode causar queimaduras e aumentar o risco de câncer de pele.

 

E no inverno?
No inverno temos menos dias de sol e a incidência de raios solares não é tão efetiva para produzir vitamina D, então é comum que os níveis da vitamina caiam um pouco durante o inverno. Entretanto, a vitamina D é armazenada nas nossas células de gordura. Se durante o verão tivermos uma boa produção de vitamina D e procurarmos pegar sol, sempre que possível durante o inverno, conseguiremos manter bons níveis da vitamina. A fixação do cálcio ainda depende de níveis adequados de fósforo e magnésio e uma função adequada das paratireoides e seu hormônio PTH.


Quando a suplementação é recomendada?
A suplementação de cálcio e vitamina D não deve ser feita de forma rotineira para todas as pessoas, assim como também não é necessário fazer exames para todos para detectar essas deficiências. Tanto a investigação quanto a suplementação devem ser feitas para populações de risco como, por exemplo, idosos, pessoas com doenças ou que utilizem medicações que levam a redução da absorção ou alteração do metabolismo do cálcio e da vitamina D, pessoas com história de baixa ingesta de cálcio ou pouca exposição solar. Para isso, é fundamental a avaliação médica para solicitar os exames conforme cada caso e indicar a suplementação conforme as alterações dessa investigação.

 

Massa muscular
Há evidências que a vitamina D seja importante para a função muscular, e níveis adequados de vitamina D reduzem a perda de massa muscular e reduza o risco de quedas, principalmente em indivíduos idosos.

 

Excesso de vitamina D
O excesso de vitamina D pode resultar em toxicidade, levando a um aumento exagerando do cálcio no corpo. Esse aumento de cálcio pode ocasionar sintomas como: náuseas, câimbras, diarreia, desidratação, aumento da pressão arterial, formação de cálculos renais e perda da função dos rins. Por isso, não devemos utilizar altas doses de vitamina D sem um acompanhamento.

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