Consulta médica ?EURoeà moda antiga?EUR?. Existe algum outro tipo?

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Desde o início dos tempos e do início da medicina o atendimento a um paciente tem tido, mais ou menos, a mesma sequência. Primeiro devem ser ouvidas as queixas do paciente. Neste período, a maioria do diagnóstico se esboça. Como dizia o Professor William Osler, médico e humanista canadense: “ouça o que o seu paciente diz. Ele está lhe revelando o diagnóstico”. Ou talvez, ainda melhor: “preocupe-se mais com uma particularidade do doente do que com uma particularidade da doença”. Desde o início, é preciso observar cuidadosamente o paciente. Sua maneira de sentar, suas roupas, seu cuidado com a aparência, sua ansiedade e nervosismo ao relatar as suas aflições.

 

Interesse verdadeiro
Ao médico cabe mostrar seu real interesse pelo caso. Não há como fingir. O paciente sente quando há uma preocupação verdadeira para com ele. Nesta hora uma palavra tranquilizadora quebra um pouco a tensão que existe numa consulta. É interessante dizer que já há indícios que seja uma determinada patologia e que essa vai ser resolvida. A seguir é feito o exame físico que, na verdade, já iniciou ao entrar paciente. Magro, pálido, ictérico, rubicundo, inchaço nos olhos...? A medida da pressão é uma etapa crucial e deve ser feita pelo médico já que mais de 30% da população adulta é hipertensa que é um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular. Ausculta cardíaca e respiratória e a palpação do abdome para averiguar se há alguma anormalidade.

 

Exames
Somente depois destas etapas o médico deve pedir exames (poucos) ou avaliar os que o paciente trouxe (geralmente muitos). Nesta altura alguma medicação pode ser receitada para aliviar as aflições mais urgentes ou, eventualmente, um tratamento mais definitivo. Tudo baseado em comprovação científica.

 

Estratégias éticas
Certa vez fui abordado por uma pessoa com um corpo de halterofilista diferente do que era há algum tempo. Perguntou-me se eu, como endocrinologista, receitava hormônios. Respondi que era o meu trabalho e que os receitava quando houvesse falta. Ele um pouco desapontado me questionou:

-Você não faz suplementação com testosterona e hormônio do crescimento? Usa hormônios bioidênticos? Faz modulação hormonal?
Respondi-lhe que não sabia desta indicação para pessoas com estes hormônios normais. E que, quando necessário, usava hormônios feitos por laboratórios idôneos e não manipulados ou “bioidênticos”?


Ele acrescentou que seu médico tinha pedido cerca de 80 exames e que havia sido encontradas alterações no “T3 reverso”, na IGF BP3 e os níveis de selênio baixos.


Disse-lhe que em toda minha carreira de Endocrinologista nunca havia ouvido falar de tais alterações.
Ele, desapontado disse:
-Entendo, você deve ser daqueles médicos antigos que não lida com estas novas estratégias?
Falei-lhe que, realmente, sou um médico que se preocupa com o paciente e que usa os métodos e medicações reconhecidos em todo o mundo, tendo como único objetivo de trazer uma vida longa e plena para os indivíduos. Não “invento moda”.

Hugo R.K. Lisbôa MD, PhD é professor da Faculdade de Medicina da UPF e coordenador de Pesquisa do Hospital São Vicente de Paulo 

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