Programa seleciona autistas para pesquisa médica

Passo Fundo é um dos sete polos brasileiros escolhidos para auxiliar na fase de testes de droga desenvolvida por laboratório francês. Se tiver sua eficiência comprovada, a medicação poderá ser comercializada com a finalidade de corrigir o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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Keyla Deucher explica objetivos da pesquisa

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Sintomas como a dificuldade de comunicação e interação social, características comuns em pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), podem ter seus dias contados. Uma pesquisa desenvolvida em âmbito mundial vem testando a eficiência de uma nova droga, desenvolvida por um laboratório francês, que indica a possibilidade de correção do autismo através do uso de medicação. No Brasil, somente sete polos foram escolhidos para auxiliar no programa de pesquisa, sendo um deles em Passo Fundo. Quem desenvolve o projeto no município é o Hospital São Vicente de Paulo, em parceria com a Bioserv – Assessoria em Pesquisa Clínica.


Para selecionar autistas aptos a participar da pesquisa, as duas instituições contam ainda com a ajuda da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e a Associação dos Amigos da Criança Autista (AUMA), que têm triado e encaminhado possíveis candidatos. Ao todo, devem participar do programa 40 pacientes diagnosticados com o transtorno em grau moderado a grave, com idades entre 3 e 17 anos. Pais ou responsáveis interessados em cadastrar crianças e adolescentes para receber o tratamento, em fase de teste, de maneira gratuita, também podem entrar em contato direto com a unidade de pesquisas: (54) 3316-4064 ou (54) 3581-1831.


Conforme explica a diretora da Bioserv e farmacêutica bioquímica, Keyla Liliana Alves de Lima Deucher – que tem coordenado a pesquisa no município ao lado do neurologista do HSVP Cassiano Mateus Forcelini –, o projeto testa os efeitos do medicamento na evolução de aspectos como cognição, relacionamento interpessoal e interação com o ambiente. “É um projeto bem importante, um dos únicos hoje a tratar do autismo. A droga foi inicialmente desenvolvida como um medicamento anti-hipertensivo, mas a pesquisa tem indicado que o seu mecanismo de ação cerebral também pode trazer benefícios para o autista”, explica.


A especialista garante, ainda, que o teste tem sido realizado em hospitais do mundo inteiro. “No Brasil, ele foi muito bem avaliado pelo Comitê de Ética em Pesquisa e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. E o fato de Passo Fundo ter sido escolhido entre os sete polos brasileiros, pelo histórico de boa condução de projetos carregado pelo município, deve nos abrir portas para outros estudos futuros”, adianta.


Tratamento deve durar 18 meses


Para participar da pesquisa, os jovens diagnosticados com autismo são submetidos à avaliação clínica individual, que visa identificar nos pacientes fatores como:grau do TEA, coeficiente de inteligência, qualidade dos sinais vitais e desenvolvimento psicomotor. “Avaliamos caso a caso porque existem algumas restrições, como o uso de determinados tratamentos concomitantes. Também conversamos com os pais, explicando tudo que o teste engloba, e avaliamos o comprometimento deles. Precisamos de pais participativos porque, pela segurança da criança, não basta ela ficar tomando a medicação em casa. Ela precisa vir mensalmente ao HSVP para conversarmos e fazermos alguns exames físicos e laboratoriais”, explica Deucher.


Os pacientes devem receber acompanhamento médico de uma equipe multidisciplinar do HSVP por, aproximadamente, um ano e meio. Caso tenha sua eficiência comprovada, a abordagem terapêutica ficará lembrada como um marco inovador. Isto porque, hoje, o TEA não tem remédios específicos para tratar e curar o transtorno – o tratamento consiste apenas no uso de medicamentos que amenizam sintomas desencadeados pelo autismo, como a irritabilidade, hiperatividade e compulsividade.

 

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