Um inimigo (quase) desconhecido

A ação da defensiva imunológica para nossa proteção na invasão dos vírus

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Arnaldo Porto, MD PhD, é professor nos cursos de medicina da UPF e IMED e supervisor do Serviço de Alergia e Imunologia Pediátrica HC/UFFS (Foto - Arquivo Pessoal)

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O mundo vive uma pandemia de acordo com a Organização Mundial da Saúde. O novo coronavírus é o inimigo, uma novidade para nosso sistema imunológico, que contaminou mais de dois milhões de pessoas e já causou em torno de 150 mil mortes. Em todos os continentes, o momento é de enfrentamento à doença. Isso exige um somatório de conhecimentos a respeito do inimigo. Medicina & Saúde ouviu o Dr. Arnaldo Carlos Porto Neto, médico imunologista. Mestre e Doutor pela UFRGS, ele é professor na UPF e Imed, além de coordenar a residência em alergia e imunologia pediátrica da UFFS no Hospital de Clínicas em Passo Fundo. Ele explica como são os vírus, nossos sistema imunológico e, claro, como enfrentar a doença Covid-19. Para isso, contou com apoio da médica Pâmilly Bruna de Araújo Barzzotto, residente da Universidade Federal da Fronteira Sul no HCPF.

A ação dos vírus

Os vírus, chamados de parasitas intracelulares obrigatórios, se reproduzem somente em células. Incapazes de exercer atividades metabólicas sozinhos, invadem o interior da célula de um hospedeiro, dominando o controle do metabolismo celular e multiplicando seu material genético viral. Após parasitar a célula humana, os vírus podem desencadear doenças/viroses, que se apresentam desde assintomáticas até cursar com sintomas graves. Os vírus estão presentes no ar, superfícies e objetos.

Sistema imunológico

A resposta inicial do hospedeiro (organismo) frente à infecção é controlada pelo sistema imunológico inato. Seus componentes herdados de pai para filho, está presente desde o nascimento e não pode ser adquiridos ao longo da vida. Ele fornece a primeira linha de defesa para impedir a invasão microbiana e instrui a produção de resposta imune adaptativa específica. As células do sistema imunológico inato que estão presentes nos tecidos invadidos que reconhecem quando há tecidos danificados ou o ataque de patógenos.Se a ameaça de infecção se acelera, essas primeiras células recrutam outras células da circulação para os tecidos inflamados.

Conheça a grande família coronavírus

Os coronavírus são uma grande família de vírus que geralmente causam doenças do trato respiratório superior leve a moderada, como um resfriado comum.No entanto, três novos coronavírus surgiram de reservatórios de animais nas últimas duas décadas podendo causar doenças mais graves e até fatais. O coronavírus (Sars-CoV) surgiu em 2002 e causou síndrome respiratória aguda grave (SARS).Esse vírus desapareceu em 2004. A síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) é causada pelo coronavírus MERS (MERS-CoV).Transmitido de um reservatório de animais em camelos, o MERS foi identificado em setembro de 2012.

Sars-Cov2

O terceiro coronavírus a surgir neste século é chamado Sars-CoV-2, e é o responsável pela atual pandemia da doença coronavírus 19 (Covid-19). Em dezembro 2019, o cornavírus denominado de nCOV-19 foi reconhecido na região de Wuhan, na China, causou doenças respiratórias graves e mortes. Se espalhou para o mundo caracterizando uma pandemia reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A nova doença ficou conhecida como “Síndrome Respiratória Aguda Grave” (Sars) sendo o COVs-2 identificado como o agente causador.

A infecção

Pensa-se que a disseminação de pessoa a pessoa do SARS-CoV-2 ocorre principalmente por gotículas respiratórias, semelhante à disseminação da gripe.Com a transmissão de gotículas, o vírus liberado nas secreções respiratórias quando uma pessoa com infecção tosse, espirra ou fala, pode infectar outra pessoa se entrar em contato direto com as membranas mucosas.A infecção também pode ocorrer se uma pessoa tiver contato com uma superfície contaminada e depois tocar nos olhos, nariz ou boca.

É necessário evitar a exposição ao vírus

Atualmente não existem tratamentos e vacinas aprovados para a infecção por Covid-19.Enquanto os cientistas de vários países estão avaliando terapias e vacinas candidatas para tratar e prevenir o novo coronavírus, a melhor maneira para precaver a infecção é evitar a exposição a esse vírus. Essas medidas devem ser seguidas por todos os indivíduos, mas devem ser enfatizadas para idosos e indivíduos com condições médicas crônicas, em particular.

Automedicação com cloroquina é contraindicada

A cloroquina (CLQ), um conhecido antimalárico, é um dos medicamentos promissores para o enfrentamento da doença, pois demonstrou redução da replicação de Sars COV, confirmando que esta droga pode ser usada para combater os coronavírus humanos patogênicos, especialmente o CoV-2. Os eventos adversos relatados em longo prazo incluem retinopatia e distúrbios cardiovasculares. O seu uso deve, portanto, estar sujeito a regras estritas, os pacientes devem ser monitorados de perto quanto aos efeitos adversos durante o uso e a automedicação é contraindicada.

(Matéria completa edição impressa do caderno Medicina & Saúde)

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