Sistema de saúde do município registra o maior índice de internações por covid-19

Diretor Técnico do HC, Juarez Dal Vesco, alerta para risco de esgotamento no sistema de saúde e defende bandeira vermelha

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Número de hospitalizações em Passo Fundo ao longo da pandemia (Arte: Bruna Scheifler/ON)Número de hospitalizações em Passo Fundo ao longo da pandemia (Arte: Bruna Scheifler/ON)
Número de hospitalizações em Passo Fundo ao longo da pandemia (Arte: Bruna Scheifler/ON)

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Os número de hospitalizações pela Covid-19 em Passo Fundo tem batido recordes nesta semana. No sábado (18), o número ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 100 hospitalizados e chegou a 108. Na segunda-feira (20), a cidade atingiu 110 hospitalizados pela doença, o mais alto desde o começo da pandemia no município. Ainda na segunda-feira, a cidade atingiu a ocupação de 89,5% dos leitos de UTI Adulto, o número mais alto desde 07 de julho, conforme o sistema da Secretaria Estadual da Saúde.

Esse aumento era esperado e está dentro da curva de progressão da doença, de acordo com o diretor técnico do Hospital de Clínicas (HC), Juarez Dal Vesco. “Sabemos que não chegamos ao pico máximo de crescimento da doença”, afirmou o médico. Mesmo assim, o crescimento em Passo Fundo ainda é menor do restante do estado, de acordo com Dal Vesco.

Ocupação de 90%

No momento da entrevista, realizada na tarde de terça-feira (21), o HC estava com 270 dos seus 300 leitos ocupados, o que representa uma ocupação de 90%. O maior problema, no entanto, é relacionado a outras doenças. Na UTI geral adulto, que não atende pacientes Covid-19, a ocupação era de 100%. Isso se deve a uma “incidência de doenças respiratórias maiores neste período”, aponta o médico. Ele conta que, neste ano, o hospital está com muita dificuldade no atendimento de outras patologias, em razão da lotação da UTI e setor de emergência, situação considerada rotineira para a estação do inverno.

Ao mesmo tempo que a ocupação por outras doenças cresce, a Covid-19 atinge seu maiores patamares na cidade. “Nesta semana tivemos o maior número de internados pela Covid-19 na instituição”, enfatizou Dal Vesco. A semana com mais internações pela doença até o momento tinha sido registrada em abril. “Eles chegam com quadros avançados, sendo que um bom número desses pacientes chegam e vão para a UTI”, relata o médico sobre o estado dos pacientes.

O HC tinha ontem (21) 19 dos 43 leitos clínicos para pacientes do novo coronavírus ocupados. Além disso, 13 estavam na UTI, de um total de 23 leitos de UTI Covid-19 disponíveis. Ainda assim, não existe a possibilidade de transferência de leitos Covid-19 para outras patologias, por estarem em uma área isolada. “A maioria dos pacientes Covid tem outras patologias associadas, mas se o motivo da internação foi coronavírus ele vai ficar na área restrita para a doença”, ressaltou.

Mesmo com os números elevados, o médico acredita que ainda haverá um crescimento nesta semana e na próxima, para posteriormente iniciar uma redução. “Como o governador vem dizendo, o pico é julho e essas duas semanas são as mais importantes”, destacou Dal Vesco. Ele ainda afirma que existe o risco de ocupação plena, ou seja, do esgotamento dos leitos.

O maior problema, de acordo com o diretor, é o tempo de permanência dos pacientes Covid-19. Apesar de variar bastante, ele afirma que a média é de duas semans em UTI. 

Para evitar a situação, Juarez Dal Vesco defende que a população precisa manter aqueles cuidados mencionados a todo o momento: uso de máscara e distanciamento social. Também é favorável pela manutenção da bandeira vermelha. “Se há momento para ter a bandeira é agora”, ressaltou.

Medicamentos

No começo do mês de julho, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) orientou os hospitais do estado a suspender cirurgias eletivas devido ao risco de desabastecimento de medicamentos do chamado kit intubação. No HC, o médico relata dificuldade para aquisição e que o hospital trabalha com estoque para três semanas, havendo um risco de desabastecimento. A dificuldade está na indisponibilidade dos medicamentos e nos custos elevados para a compra. Situação que se repete pelo país. “Por enquanto mantemos as cirurgias eletivas, exatamente porque a gente está com estoque. Mas se houver uma queda, se a gente não conseguir os medicamentos, pode acontecer”, explicou Dal Vesco. 

HSVP

No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), 25 dos 30 leitos de UTI Adulto Covid-19 estão ocupados, assim como um leito pediátrico. O hospital também tem 46 pacientes confirmados e suspeitos Covid-19 em leitos clínicos, dos 66 disponíveis.

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