Alergias decorrem de fatores genéticos e ambientais

Os sintomas são controlados com tratamento medicamentoso, imunoterapia e diminuição da exposição aos alérgenos

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Há 10 anos, as alergias atingiam 20% dos brasileiros. Hoje esse índice subiu para 30%. O Dr. Arnaldo Porto Neto, Coordenador do Serviço de Alergia e Imunologia Pediátrica do Hospital da Cidade em Passo Fundo, explica que a alergia é uma resposta não esperada do sistema imunológico frente a uma substância - antígeno - de natureza orgânica ou inorgânica. Esse antígeno, em contato com o sistema imunológico, pode sensibilizá-lo e, uma vez sensibilizado, o organismo, dependendo de certas condições, desenvolve ou não uma doença alérgica. Ou seja, é a interação entre genes e estímulo ambiental – epigenética - podendo levar a perda da tolerância a ácaros, pólens, fungos, venenos de insetos, medicamentos e proteínas alimentares. A incidência na nossa região segue os mesmos índices brasileiros, e esse aumento decorre da interação de fatores genéticos e ambientais. O aumento da prevalência nas últimas décadas é inerente à transição socioeconômica mundial. Lembramos que hoje a principal via de parto no Brasil é a cesariana, o que impede o contato do neonato com o microbioma materno, considerado um fator protetor. Além disso, as moradias urbanas limitam o contato das crianças com agentes imunomoduladores do meio ambiente como as micobactérias e fungos.

As alergias

O processo alérgico geralmente ocorre por uma resposta exagerada do sistema imune a determinadas substâncias, que podem ser alimentos, medicamentos, venenos de alguns insetos etc. Algumas delas podem ter o componente genético como causa maior para aparecimento, mas em outras não há uma explicação definida. Em algum momento da vida, o organismo identifica determinada substância como estranha e começa a desenvolver anticorpos, desencadeando uma série de reações na resposta alérgica. A resposta do nosso corpo pode surgir de maneiras diversas, acometendo vários sistemas do corpo humano, como sistema gastrointestinal, respiratórios entre outros. Indivíduo com fenótipo alérgico é caracterizado por uma ou mais atopias: alergia alimentar, dermatite atópica e de contato, asma, rinite alérgica, reação de hipersensibilidade a fármacos, alergia ocupacional, reações alérgicas causadas por veneno de insetos da ordem de hymenóptera (abelhas, vespas, formigas) e anafilaxia.

Sistema imunológico

A cura acontece com o desenvolvimento do sistema imunológico. Crianças com alergias alimentares alcançam a cura, mais tardar aos sete anos de idade. Pacientes com dermatite atópica até o final da adolescência apresentam importante remissão. Porém, asma e rinite alérgicas podem ter um curso mais prolongado e períodos de exacerbação em indivíduos sensibilizados. Os sintomas são controlados com tratamento medicamentoso e ou imunoterapia e com a diminuição da exposição aos alérgenos ou total exclusão do alimento envolvido nas alergias alimentares. Tratamentos imunobiológicos estão surgindo como uma terapia promissora. Até há pouco tempo se acreditava que somente os fatores genéticos influenciavam no desenvolvimento ou não de uma doença, entretanto, o avanço do conhecimento sobre os mecanismos epigenéticos (ambiente influenciando o fenótipo e capacidade de transferência dessa característica para as próximas gerações). Ou seja, evidências científicas mostraram que os hábitos de vida e o ambiente social em que uma pessoa está inserida podem modificar o funcionamento de seus genes.

Sazonalidade

As reações alérgicas podem ter manifestações clínicas exacerbadas em determinada época do ano, como a alergia sazonal que ocorre no outono e na primavera causada pela alergia ao pólen. Porém, aquelas pessoas que possuem alergia causada por ácaros ou pelos de animais podem ter sintomas durante o ano todo, sendo conhecida como alergia perene. As alergias respiratórias ocorrem mais no inverno, pois as pessoas tendem a permanecer em espaços fechados, há maior incidência de infecções (que aumentam o risco de crises) e têm mais contato com cobertores com ácaros. O inverno do Sul tende a ser seco, aumentando os índices de poluição. Essas partículas favorecem inflamações no sistema respiratório.

Congênitas

Alguns indivíduos possuem predisposição a apresentar manifestações alérgicas, sendo chamadas de atópicas. Essas pessoas herdaram de seus pais a característica de reagir de maneira exagerada a fatores que normalmente todos estamos expostos. Quando o atópico entra em contato com determinado agente, o sistema imunológico considera este agente mais agressivo do que realmente é. O indivíduo atópico se torna “sensível” e, a cada novo contato, vai reagir de maneira exagerada e manifestar sintomas alérgicos. Assim, a reação alérgica vai persistir enquanto estiver exposto a um determinado agente. Ao reduzir o contato ou afastar o agente agressor, não haverá sintomas alérgicos, mas ele será sempre um indivíduo atópico. A doença alérgica pode se manifestar em qualquer idade, dependendo do ambiente em que a pessoa vive ou do momento em que ela se expõe a determinado agente.

Adquiridas

As atopias tem sua gênese em qualquer fase da vida, desde o período pré-natal até a velhice, devido a perda da tolerância e a hipersensibilidade a álergenos ambientais em indivíduos suscetíveis, seguindo a marcha atópica:  com o eczema e alergia alimentar na infância,  dermatite atópica  até a adolescência,  asma  e rinite podendo perdurar até a vida adulta.

Os tratamentos para as alergias

As alergias são tratadas com a associação do tratamento clínico e medidas de controle ambiental, para obter sucesso no controle do quadro. Há vários medicamentos que podem ser utilizados nas doenças alérgicas, sendo os mais conhecidos os chamados "antialérgicos", ou anti-histamínicos. Eles bloqueiam um receptor de uma das substâncias que são liberadas pelas células durante uma reação alérgica. Dependendo da gravidade da reação, são necessários outros medicamentos, como adrenalina e corticoides. Em caso de falha no tratamento clínico, pode-se utilizar a imunoterapia alérgeno-específica, que é o único tratamento que interfere no mecanismo básico da doença alérgica.

Vacinas

A imunoterapia com alérgenos, também chamada de vacina para alergia, é uma forma de tratamento com o objetivo de reduzir a sensibilidade de pessoas que se tornaram alérgicas a determinadas substâncias. O tratamento consiste na aplicação do alérgeno ao qual o paciente é sensível em doses crescentes por um período de tempo variável (3 a 5 anos). A imunoterapia induz uma série de alterações na resposta imunológica, sendo utilizada no tratamento de doenças como rinite, conjuntivite alérgica, asma brônquica alérgica e reações a picada de insetos. As vacinas podem ser administradas por via subcutânea ou sublingual. A administração subcutânea de alérgenos é a principal via de aplicação de alérgenos.

Cuidados para evitar os aeroalérgenos

(para casos específicos)

- Evitar objetos que acumulem poeira

- Cobrir a cama com capa antialérgica ou material como napa

- Troca do travesseiro, mesmo que antialérgico no máximo a cada três meses

- Aspirar/passar pano molhado na casa ao invés de varrer

- Preferir pisos como porcelanato a carpetes

- Manter o ambiente limpo

- Antes do uso de roupas guardadas por muito tempo lavar e secar ao sol

- Sensibilidade aos pelos de animais requer evitar o mesmo ambiente e o contato com eles

- Evitar travesseiro de penas

- Evitar região com pólens

- Evitar região com fumaça

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