Novos tratamentos adjuvantes para melanoma aprovados no Brasil em 2019

O objetivo é destruir focos microscópicos de células cancerosas que ainda possam persistir em algum lugar do organismo, mas que não são detectáveis por exames de imagem ou de sangue

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· 1 min de leitura
Dr. Rodrigo é oncologista do Instituto do Câncer Hospital São Vicente Crédito:

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Neste ano a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou duas novas medicações para o tratamento adjuvante do melanoma. Um tratamento é chamado de adjuvante quando é administrado após um tratamento considerado definitivo, como é por exemplo o tratamento cirúrgico em casos de melanoma localizado. O objetivo é destruir focos microscópicos de células cancerosas que ainda possam persistir em algum lugar do organismo, mas que não são detectáveis por exames de imagem ou de sangue.

 

Em fevereiro o anticorpo anti-PD1 pembrolizumabe foi aprovado para uso após cirurgia do melanoma, e em março outro anticorpo anti-PD1, nivolumabe, recebeu aprovação neste mesmo contexto. Estas duas substâncias fazem parte de um tipo de tratamento conhecido como imunoterapia e se caracterizam por desligar alguns mecanismos de freios imunológicos que o tumor utiliza para evitar que nossas células de defesa conhecidas como linfócitos ataquem as células do melanoma.

 

A aprovação do pembrolizumabe é baseada nos dados do estudo conhecido como Keynote 054, que avaliou mais de mil pacientes com estadiamento (fase da doença) III e mostrou que o uso de pembrolizumabe por 1 ano em comparação com placebo (substância sem atividade terapêutica) foi capaz de reduzir em mais de 40% o risco de recidiva do melanoma. No que diz respeito à segurança, a taxa de efeitos adversos com o uso de pembrolizumabe foi semelhante aos dados da utilização da droga em outros cenários da doença, sendo os principais efeitos adversos a fadiga, reações cutâneas, colite (inflamação intestinal) e artralgia (dor articular).

 

No final deste mês de março, a Anvisa aprovou o nivolumabe para o melanoma com envolvimento de linfonodos ou doença metastática (com envolvimento de outros órgãos), desde que completamente ressecada cirurgicamente.Esta aprovação baseia-se no estudo CheckMate 238, que avaliou cerca de 900 pacientes portadores de melanoma em estadiamento conhecido como IIIB, IIIC ou IV, com todas as lesões completamente ressecadas cirurgicamente, e comparou o tratamento com nivolumabe ou ipilimumabe adjuvante pelo período de 1 ano após a cirurgia. Após um acompanhamento por cerca de 19 meses, foi evidenciado que em comparação com a medicação ipilimumabe, o nivolumabe reduziu em 34% o risco de recidiva do melanoma e também teve uma incidência significativamente menor de efeitos adversos.

 

Ambas as medicações, nivolumabe e pembrolizumabe, são administradas de forma injetável endovenosa em intervalos que variam de 2-3 semanas e representam um enorme avanço no tratamento do melanoma.

 

Dr. Rodrigo Ughini Villarroel

Oncologista– Instituto do Câncer Hospital São Vicente

 Melanoma – Pele – Mama – Urológico – cabeça e pescoço

CRM: 21309

Mande suas dúvidas para o e-mail contato@drvillarroel.com.br

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