O feminino e o masculino

Medicina & Saúde - coluna semanal de Sueli Gehlen Frosi

Por
· 1 min de leitura

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Passei uma semana envolvida em estudos sobre gênero. O Dia Internacional da Mulher requer, todos os anos, que se reflita de forma responsável sobre os papéis que desempenhamos sendo o que somos. O mundo é influenciado pelo que somos.
Simone de Beauvoir, afirmou em 1980 que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, por que não basta o destino natural de fêmea, para determinar como ela escolhe viver em sociedade. Para a criança é impossível estabelecer diferença entre meninos e meninas, por não serem as características sexuais físicas que delimitam isso. As crianças aprendem com o corpo todo e as sensações de prazer acontecem para os dois gêneros.
Crescendo, as crianças têm papeis a desempenhar e isso acontece na família. Lá o brinquedo da menina é uma boneca, que deve ser cuidada como ela vê a mãe fazer, construindo para si o papel doméstico como natural. Ela fica restrita ao privado. Já o menino é mais livre, olha e imita o pai, o chefe da família, o que trabalha e traz dinheiro para casa.
Para acabar com isso, foi preciso, com muitas lutas, desconstruir as ideias que naturalizaram a supremacia de um gênero sobre o outro. Os dias do patriarcado estão contados, por que a ação das mulheres é muito abrangente.
Hoje ela pensa a sociedade como um todo. Ela expandiu-se e expandiu suas ideias. A identidade de gênero consolidou-se também no plano das políticas públicas. Elas nunca tiveram respostas para suas perguntas, mas o grupo as respondeu, coletivamente, com ideias que norteiam suas conquistas concretas.
Simone de Beauvoir foi uma pioneira que, ao contrário do que se pensava, conseguiu criar um clima de aproximação entre o masculino e o feminino. Os homens foram afetados positivamente, havendo entre eles os recalcitrantes que, de funeral em funeral, vão saindo do convívio dos que querem construir com suas subjetividades, com seus conflitos inerentes à condição humana, uma sociedade diferente, que contemple a liberdade, a autonomia dos dois gêneros.
Quanto aos machos recalcitrantes, eles continuam matando suas companheiras, as mulheres que se opõem ao ranço pegajoso do ciúme calcado em cima do que pensam ser sua propriedade. Eles se privam de uma vida evoluída por perpetuarem conceitos cristalizados dentro de muitas famílias ainda, de que mulher é o outro inferior, incompleto e à disposição.
Por outro lado, estamos vivendo um novo tempo, quando temos homens que amam seus filhos, gostam de cheirá-los, cuidam de fraldas (com número dois, juro) e dizem que nos amam a toda hora. Eu estou adorando ver como tudo está tão maravilhosamente mudado.
Um dia extinguiremos esse dia Internacional da Mulher, por que será anacrônico, podemos crer.

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