A caxumba ainda está por aí

Conheça mais sobre o vírus típico do inverno

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Vacinação diminuiu incidênciaVacinação diminuiu incidência
Vacinação diminuiu incidência

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A incidência de caxumba diminuiu nos últimos anos. Mas a doença viral continua exigindo cuidados preventivos, pois pode ter muitas consequências. Dor e inchaço no pescoço são alguns dos sintomas. A pediatra Caroline Mariussi, do Hospital da Cidade de Passo Fundo, explicou que a caxumba é uma infecção viral aguda, autolimitada, que já foi muito comum, mas atualmente é menos frequente devido ao uso da vacinação. É caracterizada por febre, dor e inchaço em glândulas salivares, principalmente parótidas, unilateral ou bilateral, podendo ocorrer algumas complicações como meningoencefalite, pancreatite, surdez e orquite. A caxumba pode ser considerada uma doença sazonal, pois o maior período de incidência ainda é nos meses de inverno e início da primavera. Isso se deve à característica de transmissão das doenças respiratórias, pois nos períodos mais frios costuma-se manter os ambientes mais fechados dificultando a circulação do ar.

Identificando a doença

Inchaço e dor estão entre os sintomas, conforme disse a pediatra. A apresentação clínica pode variar de assintomática, ou sintomas não específicos até a doença típica, com ou sem complicações. Nos casos típicos inicia-se com febre, dor de cabeça, vômitos e dor local, evoluindo com aumento das parótidas, unilateral ou bilateral, com bastante dor. A regressão do inchaço leva aproximadamente sete dias. Caroline Mariussi alerta para possíveis surtos. Após a introdução da vacinação contra a caxumba a incidência da doença diminuiu drasticamente, porém nos últimos anos tem se observado pequenos surtos, principalmente entre adolescentes e adultos jovens com esquema de vacinação incompletos ou por falha vacinal.

Mitos e verdades

Ao longo do tempo surgiram mitos e verdades sobre a caxumba. Então, a pediatra explica sobre o mito de que a caxumba poderia ‘descer’ nos homens. Na verdade o vírus pode afetar várias partes do organismo e quando ocorre aumento das parótidas, o vírus já circulou por todo o corpo, podendo causar inflamação dos testículos. Caso isso aconteça em homens após a puberdade, pode, em alguns casos raros, causar esterilidade. Outra verdade é que a caxumba pode causar aborto espontâneo no primeiro trimestre de gestação. Em relação à intensidade, os sintomas costumam ser mais leves entre as crianças do que entre os adultos e uma vez contraída a doença, adquire-se imunidade.

As consequências

A caxumba é uma doença de evolução benigna, na maioria das vezes sem sequelas. As complicações são raras, porém podem ser graves e os maiores riscos de morte estão associados ao comprometimento do sistema nervoso central. Sobre o risco de esterilidade, a médica ressalta que o vírus da caxumba pode acometer não só as glândulas salivares com também as glândulas testiculares surgindo então uma inflamação nos testículos chamada de orquite, que destrói o local onde ocorre a produção dos espermatozoides, o que causa a infertilidade nos homens. Entre as mulheres pode ocorrer a inflamação dos ovários.

Prevenção

A melhor forma de prevenção é a vacinação que esta disponível no Sistema Único de Saúde. A primeira dose é na tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade e a segunda dose tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) aos 15 meses de idade. Para crianças e adolescentes até 19 anos são administradas duas doses. Entre os 20 e 49 anos recomenda-se apenas uma dose, disponíveis ao longo de todo o ano.

Os cuidados para evitar a transmissão da doença

Médica infectologista do Hospital da Cidade, Clarissa Oleksinski explicou como acontece a transmissão da caxumba de uma pessoa para outra. Ocorre por via aérea, através da disseminação de gotículas, ou por contato direto com a saliva de pessoas infectadas. Se um objeto, por exemplo, um talher estiver contaminado com a saliva de uma pessoa infectada é possível a transmissão. Por isso, um dos cuidados é não compartilhar utensílios pessoais. A vacina é o meio mais eficaz de evitar esta doença, então ressalta a importância de manter a carteira de vacinas em dia. Além disso, é necessário adotar bons hábitos de higiene. A outra dica da médica é evitar ambientes com aglomerações e manter os ambientes bem ventilados.

Da imunidade ao tratamento

A infectologista disse que quem já teve caxumba não poderá contrair a doença novamente. Um episódio de caxumba garante imunidade. Também é considerada imunizada a pessoa que tiver recebido duas doses da vacina. Na ausência desta, estima-se que 85% dos adultos desenvolverão parotidite. Embora seja uma doença de prognóstico benigno, pode evoluir para casos de orquite (inflamação do testículo), com esterilidade como sequela e casos mais graves com envolvimento do sistema nervoso central, causando meningite. De acordo com Clarissa , não existe um tratamento especifico para caxumba. As medidas adotadas são de suporte, com repouso do paciente e analgesia por cerca de 7-10 dias após o aumento das glândulas parótidas (glândulas salivares que se localizam no pescoço). A doença tem um período de incubação de duas a três semanas.

* A caxumba pode causar aborto espontâneo no primeiro trimestre de gestação

 ** Se um talher estiver contaminado com a saliva de uma pessoa infectada é possível a transmissão

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