A evolução da anestesia propicia conforto e segurança

Conhecimento agrega habilidades ao profissional e traz segurança ao paciente

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· 4 min de leitura

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O alívio da dor sempre foi uma preocupação constante entre os seres humanos. Existem registros históricos de técnicas ou de consumo de plantas medicinais para alívio da dor há milhares de anos. Entretanto, é fato que houve avanços importantes nesse sentido somente nos últimos três séculos, inicialmente com a utilização de gases medicinais com efeitos sedativos e administrados por aparelhos rudimentares, levando a um grande número de casos de óbito relacionados à anestesia. Além disso, o grande impacto midiático causado por filmes e séries onde os pacientes permanecem acordados e imobilizados durante as cirurgias vem contribuindo significativamente para alimentar o medo da anestesia. A anestesia consiste em um “estado não natural, em que a capacidade de reter memória, bem como de discernir e reagir a estímulos lesivos é controlada de forma reversível por meio de uma variedade de medicações e técnicas”. A evolução da anestesia e o desenvolvimento de novos medicamentos e aparelhos deu condições para que as novas técnicas cirúrgicas, que provavelmente seriam letais no passado, hoje sejam realizadas com segurança.

 

Formação
De acordo com o professor de Medicina da Imed, o anestesiologista Eugenio Pagnussatt Neto, a anestesia é um procedimento complexo, e de acordo com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, o procedimento precisa ser realizado pelo médico anestesiologista ou pelo cirurgião dentista em seu campo de prática. “A formação do médico anestesiologista consiste em três anos de especialização após a conclusão do curso de Medicina, podendo ou não ser complementada com um período de formação adicional em algumas áreas, como anestesia pediátrica, anestesia para cirurgia cardiovascular e neurocirurgia, ou especialização em terapias de dor. O médico anestesiologista está habilitado para acompanhar os casos de pacientes com indicação de cirurgias ou com necessidade de exames diagnósticos em que a imobilidade e o conforto do paciente sejam primordiais. Dada a amplitude da área de atuação do médico anestesiologista e a expansão do conhecimento relacionado ao cuidado do paciente cirúrgico, tornou-se muito comum o uso do termo ‘medicina perioperatória’, contemplando os períodos do cuidado nos quais o médico anestesiologista deve participar, como no pré-operatório, intra-operatório e no pós-operatório. Deve-se salientar que o Conselho Federal de Medicina (CFM) preconiza uma avaliação pré-anestésica antes da realização da anestesia, a fim de avaliar possíveis riscos e evitar complicações”, explica o professor Eugenio.

 

A evolução da anestesia
Nos últimos trinta anos, a descoberta de novos gases anestésicos e o uso de medicamentos intravenosos em bombas de infusão com microcomputadores diminuiu os riscos associados à anestesia de forma importante. “O surgimento de monitores da consciência pôde garantir de forma mais confiável que os pacientes estão realmente anestesiados, o que chamamos de planos anestésicos adequados. Ainda assim, a possibilidade de permanecer acordado durante a cirurgia, de sentir dor e não conseguir pedir ajuda, ou mesmo de não acordar após o fim do procedimento aterroriza uma grande parte da população que desconhece as informações”, comenta Pagnussatt.

 

Como a funciona a anestesia
Genericamente, explica o professor Eugênio, o procedimento anestésico é dividido em três partes: a indução da anestesia, momento no qual o paciente dorme e entra em plano anestésico; a manutenção da anestesia, que consiste em todo o período da cirurgia e no qual o anestesiologista garante que o paciente permanecerá dormindo, sem dor e incapaz de se movimentar; e a recuperação da anestesia, que é o período de despertar. “Uma vez que a indução e a manutenção da anestesia podem alterar as funções vitais do organismo, como a respiração e pressão arterial, é imprescindível que o médico anestesiologista permaneça ao lado do paciente durante toda a cirurgia, garantido ao mesmo o suporte de vida através de manejos adequados e uso de aparelhos. A realização de anestesias simultâneas é vedada pelo Conselho Federal de Medicina, e configura crime” alerta o anestesiologista.

 

Tipos de anestesia
Embora a anestesia geral seja a técnica mais conhecida, existem outras formas de realizar anestesia. A raquianestesia e a anestesia peridural, por exemplo, são alternativas importantes em muitos casos, tanto pelo conforto do paciente no pós-operatório quanto para evitar a manipulação das vias respiratórias, necessária na anestesia geral. Um desses casos é a cesariana, onde a realização da raquianestesia traz inúmeros benefícios para a gestante e para o recém-nascido. Nessa técnica, a passagem de medicamentos anestésicos para a criança é extremamente reduzida, ao contrário da anestesia geral em que a criança pode nascer com menor capacidade ventilatória, não poderá ser amamentada precocemente em função dos remédios estarem presentes no leite materno, além de retirar da mãe as lembranças de um momento tão especial. “Recentemente, a evolução das técnicas de anestesia regional denominada bloqueio de nervos periféricos trouxe importantes contribuições para a redução da dor pós-operatória, queda nas complicações pelo uso de outros remédios e diminuição de custos hospitalares”, comenta o professor.

 

Preocupação com riscos
Ainda que o acesso às informações seja mais presente no cotidiano das pessoas, o grande questionamento nos consultórios e nos centros cirúrgicos permanece: ‘Há risco, doutor?’. O professor Eugênio comenta que como em todo o procedimento amplo e complexo, existe um risco intrínseco e inerente a ele. “É fato que a grande dificuldade de tornar esse risco mais preciso prejudica a relação médico-paciente, e pode, talvez, trazer implicações jurídicas. Até esse momento, não existem fórmulas suficientemente precisas para determinar o risco anestésico-cirúrgico, mas escores têm sido desenvolvidos e testados na tentativa de solucionar essa defasagem. Até que não se tenha respostas para todas essas questões, é importante que os pacientes mantenham seus acompanhamentos médicos regulares e tenham hábitos de vida saudáveis, além de serem assessorados por médicos de confiança e qualificados” alerta.

 

Formando especialistas
O conhecimento sobre a anestesia e a Anestesiologia como especialidade médica tem influenciado na melhoria dos cuidados dos pacientes cirúrgicos. O ensino das bases da Anestesiologia na graduação, a exemplo do que é feito no curso de Medicina da Imed, agrega habilidades importantes ao médico egresso e traz segurança ao paciente. A socialização das informações, tanto no âmbito das faculdades e universidades como na comunidade, incentiva a atualização profissional do médico anestesiologista e dos demais médicos da equipe, além de dar subsídios ao paciente no momento de escolher seu médico anestesiologista, como lhe é de direito. “Procurar informações sobre as técnicas e os profissionais que as aplicarão trará tranquilidade e serenidade para o paciente enfrentar um dos momentos mais importantes da sua vida” finaliza o anestesiologista.

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