A perturbação que impede a decodificação dos sons

Distúrbio do Processamento Auditivo Central restringe o reconhecimento de informações

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Dificuldades para compreender os textos, interpretar as palavras ou falhas na memorização, prejudicam o desempenho no aprendizado. Esses impedimentos independem da capacidade e pode ter uma causa patológica. É o DPAC - Distúrbio do Processamento Auditivo Central, como explica a Dra. Thais Marques da Costa. A pessoa ouve, mas não consegue interpretar os sons. Segundo a otorrinolaringologista do Hospital da Cidade de Passo Fundo, é a inabilidade ou impedimento da capacidade de atender, discriminar, reconhecer ou compreender as informações apresentadas auditivamente, mesmo em indivíduos com acuidade auditiva e inteligência normais.

 
Os sintomas
Os indivíduos com DPAC podem apresentar desatenção, dificuldade de entender solicitações, atenção auditiva diminuída no tempo e na qualidade, limitações na memória e na evocação, dificuldade para ouvir em ambientes ruidosos... Assim, manifestações do DPAC podem estar presentes, quanto à comunicação oral, à comunicação escrita, ao comportamento social, ao desempenho escolar e a audição. São candidatos a avaliação do processamento auditivo central, as crianças que apresentam alteração de atenção e escuta não relacionadas a causas orgânicas, com suspeita de distúrbios de aprendizagem e distúrbio do comportamento social.

 

As causas
As estruturas do cérebro que interpretam e hierarquizam os sons se desenvolvem na infância, e é nesse período da vida, que as notas musicais, as palavras e os barulhos vão lentamente nos ensinando a lidar com a audição. Justamente nessa fase, podem ter ocorrido problemas no ouvido que atrapalharam a entrada de sons e acabam formando mal o sistema auditivo. O ouvido até percebe os sons, mas o cérebro, iludido pela falta de estímulos na infância, não sabe o que fazer com eles. Dessa forma, para um paciente de DPAC, o mundo se transforma numa interminável confusão de barulhos desconexos e embaralhados, de onde é quase impossível filtrar os sons que realmente interessam e acabam por afetar a capacidade de entendimento desses indivíduos.

 

Da recepção à interpretação
Os componentes do sistema auditivo são: Condutivo (orelha externa e média), Sensorial (cóclea) e o Neural. Os dois primeiros componentes, condutivo e sensorial, fazem parte do sistema periférico, e o componente neural, responsável pela atividade central, faz parte do sistema nervoso. A atividade periférica tem a função de detecção e transmissão dos sons, e a atividade central tem a função de discriminação, localização, reconhecimento do som, compreensão, atenção seletiva e memória auditiva.

 

Audição, fala e leitura
A leitura pode estar comprometida. Uma criança com DPAC encontra problemas em entender um texto porque, para entendê-lo é necessário associar as palavras aos sons que elas têm. Os limiares auditivos são normais, mas pode haver perda auditiva simultânea ao DPAC, essa combinação de fatores prejudica ainda mais a compreensão. Uma criança pode não aprender a falar bem se não souber lidar com os sons. Assim, no DPAC podem ser observados problemas na produção de sons e problemas na linguagem expressiva envolvendo regras da língua.

 

Desempenho escolar
Problemas de leitura, gramática, ortografia e matemática são observados.
O desempenho escolar pode estar melhor ou pior, dependendo da posição do aluno na sala, do tamanho da classe, do nível de ruído ambiental e da fala do professor.

 

Identificando
O distúrbio é identificado através da Avaliação do Processamento Auditivo Central, que vai verificar se há comprometimento auditivo subjacente às queixas e que não são explicadas por alterações periféricas. O resultado do exame descreve as habilidades auditivas em que o indivíduo apresenta dificuldade.

 

Tratamento e cura
Apesar da gravidade do problema, o DPAC tem tratamento e pode-se obter a cura. O tratamento consiste em dar às pessoas os sons que elas deveriam ter ouvido durante as fases de desenvolvimento do processamento auditivo. As áreas auditivas do cérebro podem ser aperfeiçoadas, desde que sejam submetidas a uma grande quantidade de estímulos. Então, submete-se o paciente a vários sons dentro de uma cabine fechada, para que ele vá aos poucos os distinguindo. Além, do tratamento fonoaudiológico é, também, importante um acompanhamento psicopedagógico. A terapia pode durar de seis meses a um ano e os resultados são promissores.

 

Causas do DPAC

* Frequência de otites na primeira infância
* Alterações de ouvido médio e interno
* Falta de estímulos sonoros durante a infância
* Malformações congênitas, hiperbilirrubinemia
* Hereditariedade
* Síndromes neurológicas e degenerativas

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