A retocolite ulcerativa é um mal crônico

Campanha aborda as doenças inflamatórias intestinais

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· 6 min de leitura

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A Campanha Maio Roxo está focada nas doenças inflamatórias intestinais: retocolite ulcerativa e Doença de Crohn. A Retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença crônica inflamatória do cólon (intestino grosso) que frequentemente ocorre nos adolescentes e adultos jovens, mas que também pode ocorrer em outros indivíduos. A inflamação começa no reto e pode se estender até o cólon de maneira continua. Embora não haja uma cura conhecida há muitas terapias efetivas para manter a inflamação sob controle. A explicação é da Dra. Ornella Cassol, coloproctologista do Hospital de Clínicas de Passo Fundo.

 

Sintomas e diagnóstico
Os sintomas podem incluir dor abdominal, urgência evacuatória, diarreia e sangue nas fezes. O primeiro passo para determinar o diagnóstico é examinar o histórico médico detalhado da família e do paciente, incluindo informação completa dos sintomas. Também é necessário realizar um exame físico. Sabendo-se que outras doenças podem produzir os mesmos sintomas que a RCU, o seu médico se baseia em vários exames médicos para descartar outras possíveis causas dos seus sintomas, tal como uma infecção: Exame de fezes para descartar uma infecção ou para revelar se há sangue; Exame de sangue pode detectar a presença de inflamação e anticorpos; Sigmoidoscopia examina o reto e o terço inferior do cólon; e Colonoscopia: examina todo o cólon e a extremidade final do intestino delgado.

 

Formas de tratamento
Os tratamentos agem diminuindo a inflamação na parede do cólon. Isso permite que o cólon se recomponha e também ajuda a aliviar os sintomas de diarreia, sangramento retal e dor abdominal. Os dois objetivos básicos do tratamento são obter a remissão e mantê-la. Se não se consegue a remissão, o objetivo seguinte é a redução da doença para melhorar a qualidade de vida do paciente. Alguns medicamentos usados podem ser os mesmos, mas administrados em doses e períodos diferentes. Nem todos os tratamentos são iguais pra todos que sofrem de retocolite ulcerativa. O enfoque deve ser na medida das necessidades de cada indivíduo porque a doença de cada pessoa é diferente. O tratamento médico pode provocar a remissão ou durar meses e até anos. Porém, é possível reaparecer de vez em quando por causa de alguma inflamação ou por algo que a ative.

 

Crises
As crises podem indicar a necessidade de mudar a dose, a frequência ou o tipo de remédio. Mesmo quando o enfoque principal do medicamento usado para tratar a retocolite ulcerativa é controlar a inflamação e manter a remissão, alguns fármacos também podem ser usados para tratar os sintomas de uma crise. Existem vários medicamentos para tratar a retocolite ulcerativa durante muitos anos. Os medicamentos receitados mais comumente classificam-se nas categorias dos aminossalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e terapias biológicas.

 

Os componentes emocionais
A retocolite ulcerativa afeta diversos aspectos da vida de quem é diagnosticado com essa doença. Se você sofre de retocolite ulcerativa, provavelmente tem questões sobre a relação que existe entre a doença, o estresse e os fatores emocionais. Embora ocorra ocasionalmente depois que a pessoa tenha passado por problemas emocionais, não há provas de que o estresse cause a RCU. Em alguns casos, o estresse emocional corresponde a uma reação aos sintomas da própria doença. Indiviíduos que sofrem de RCU precisam de compreensão e apoio emocional das suas famílias e médicos. As doenças crônicas podem favorecer a depressão, assim, o seu médico pode receitar um remédio antidepressivo ou indicar um profissional da saúde mental.

 

A prevalência da doença
Aproximadamente 1,4 milhão de americanos sofrem de retocolite ulcerativa ou da doença de Crohn. Este número está dividido em partes quase iguais entre as duas doenças. Cerca de 30.000 novos casos da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa são diagnosticados a cada ano. A média de idade de pessoas diagnosticadas com a retocolite ulcerativa varia entre os 15 e 25 anos. Homens e mulheres parecem ser igualmente afetados. Os homens têm maior probabilidade de diagnóstico de retocolite ulcerativa entre os 50 e 60 anos de idade. A retocolite ulcerativa pode afetar qualquer grupo étnico, mas os caucasianos são mais afetados do que qualquer outro grupo. É mais prevalente, principalmente, entre judeus. Tanto a retocolite ulcerativa como a doença de Crohn são doenças encontradas principalmente em países desenvolvidos, e mais em áreas urbanas do que em áreas rurais. São mais frequentes em regiões do Hemisfério Norte do que no Sul. Entretanto, alguns desses padrões da doença estão mudando gradualmente. Por exemplo, o número de casos de DII está aumentando em regiões em vias de desenvolvimento, incluindo China, Índia e América do Sul.

 

A importância da microbiota intestinal
A microbiota (antigamente chamada de flora) tem muita importância na Doença Inflamatória Intestina (DII), porque 80% dos micróbios do organismo ficam no trato gastrointestinal, principalmente no cólon. Portanto, é impossível dissociar a microbiota da DII, tanto no Crohn como na retocolite, apesar de ainda não entendermos exatamente como funciona esse relacionamento. Quando começamos a estudar a biologia das DII percebemos que tudo é muito complicado, pois existem muitos fatores que trabalham concomitantemente.

 

A microbiota é tremendamente diversificada e abundante, e não podemos simplesmente quantificar ou qualificar esse ecossistema sem também ver que genes são expressados pelos micróbios, que tipos de proteínas essas bactérias produzem, como é esse metabolismo e muitas outras questões. É verdadeiramente muito complicado.

 

A microbiota intestinal e a imunidade 
Sabemos que modelos animais mantidos em ambientes estéreis praticamente não desenvolvem sistema imunológico, principalmente no intestino e, assim que a microbiota é reintroduzida, desenvolvem o sistema imunológico. A ‘hipótese higiênica’ sugere que o ambiente moderno é muito estéril e não temos todos os encontros bacterianos no começo da vida, por isso, nossos sistemas imunológicos são deficientes e desenvolvemos doenças crônicas, como Crohn, colite, artrite reumatoide e outras. Hoje, se acredita que todas essas doenças crônicas inflamatórias ou autoimunes têm defeitos da microbiota.

 

Doenças distintas
Ao ler sobre doenças inflamatórias do trato gastrointestinal, você precisa saber que a retocolite ulcerativa não é a mesma coisa que a doença de Crohn, outro tipo de DII. Os sintomas destas duas doenças são bastante similares, mas elas afetam áreas diferentes do corpo. A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, enquanto a retocolite ulcerativa está limitada ao cólon, também chamado intestino grosso. A doença de Crohn pode afetar toda a espessura da parede intestinal, enquanto a retocolite ulcerativa só envolve a camada mucosa (interna) da parede intestinal. E, por último, na doença de Crohn, a inflamação não afeta necessariamente o intestino de modo contínuo, e alguns segmentos podem permanecer saudáveis entre as áreas afetadas pela doença. Na retocolite ulcerativa, este fato não ocorre. Somente em 10% dos casos as características da retocolite ulcerativa e da doença de Crohn são difíceis de diferenciar. Nestes casos chamamos de indeterminada.

 

Em família
Os pesquisadores descobriram que a retocolite ulcerativa tende a ocorrer nas famílias. De fato, o risco de desenvolver DII está entre 5,2% e 22,5% para os parentes de primeiro grau de uma pessoa afetada. Também depende de qual membro da família sofre da DII, da etnicidade e da classe de DII – se é doença de Crohn ou retocolite ulcerativa. Os genes têm papel importante, ainda que não se tenha identificado um padrão hereditário. Isso quer dizer que atualmente não há uma maneira de predizer se a retocolite ulcerativa poderá aparecer em algum membro da família

 

Resposta aos tratamentos
A maioria das pessoas com retocolite ulcerativa responde bem ao tratamento médico e é possível que nunca tenham que se submeter a uma intervencão cirúrgica. Entretanto, entre 25% e 33% de indivíduos podem precisar de uma cirurgia em algum momento. Áa vezes a cirurgia é indicada para aliviar várias complicações. Aqui se incluem o sangramento severo de ulcerações profundas, perfuração (ruptura) do intestino e megacólon tóxico. Tambím se pode considerar a cirurgia para extirpar todo o cólon e o reto (uma proctocolectomia) quando as terapias médicas não controlam a doença eficientemente ou quando são encontradas mudanças pré-cancerosas no cólon. Diferentemente da doença de Crohn, que pode retroceder depois da cirurgia, a retocolite ulcerativa é curada depois que o cólon é extirpado. Entretanto, como a retocolite ulcerativa afeta o sistema imunológico, os sintomas extraintestinais que ocorrem antes da cirurgia, como dor nas articulações ou doenças de pele, podem reaparecer mesmo depois de o cólon ter sido extirpado.

 

Opções cirúrgicas
Dependendo de numerosos fatores, incluindo o grau da doença, a idade do paciente e sua saúde em geral, há duas opções cirúrgicas. A primeira envolve uma bolsa externa conhecida como ileostomia, que é uma abertura no abdome pela qual as fezes são esvaziadas em uma bolsa sintética aderida na parede abdominal. A segunda é uma bolsa interna chamada anastomose íleo-anal, que é criada quando o intestino delgado se adere ao esfíncter do ânus, o que elimina a necessidade de um dispositivo de ostomia.  

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