Bebidas energéticas: para que servem?

Medicina & Saúde - Geralmente incluem substâncias como cafeína, metilxantina, vitaminas do complexo B e açúcares, além de componentes herbais como guaraná, ginseng, maltodextrina, inositol, taurina, carnitina, creatina, glicuronolactona e ginkgo biloba

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O consumo dos energéticos está cada vez mais difundido, especialmente nas misturas com bebidas alcoólicas. Porém, muita cautela na hora de se utilizar dessas bebidas, pois elas podem causar danos à saúde se consumidas em excesso. Outro fator importante a ser lembrado é que estas bebidas contêm alguns elementos ainda pouco estudados.

“É preciso, porém, diferenciar bebidas energéticas de bebidas esportivas. As esportivas, como Sport, Gatorade, Esportage, Marathon e Powerade, têm como principal finalidade repor líquidos, carboidratos (açúcares) e eletrólitos (sódio, potássio, cloreto) durante o exercício e tem característica isotônica, ou seja, contém as mesmas proporções de nutrientes encontrados normalmente no sangue. Já as bebidas energéticas são hipertônicas, com quantidades de nutrientes em concentrações superiores à do sangue, e por isso geralmente provocam mais sede”, explica a nutricionista Kelen Schmidt.

Geralmente incluem substâncias como cafeína, metilxantina, vitaminas do complexo B e açúcares, além de componentes herbais como guaraná, ginseng, maltodextrina, inositol, taurina, carnitina, creatina, glicuronolactona e ginkgo biloba. “Bebidas energéticas normalmente contêm cafeína, taurina e vitaminas e podem conter carboidratos e/ou outras substâncias, comercializadas com o propósito específico de fornecer melhora real ou perceptiva nos efeitos fisiológicos e/ou de desempenho. Isto significa que nem sempre as fórmulas funcionam e o efeito pode ser puramente psicológico”, destaca. Estes componentes funcionam de formas diferentes no organismo (veja quadro).

 

A cafeína

Em média, uma lata com 237 ml fornece cerca de 80mg de cafeína, que é a mesma quantidade encontrada em meio litro de café. Porém esta quantidade varia, podendo ultrapassar 300 mg de cafeína por lata de bebida energética.

“A legislação brasileira permite que as bebidas energéticas tenham a adição de cafeína como ingrediente no limite máximo de 350 mg/L. Os seguintes ingredientes também são permitidos, conforme os limites máximos no produto a ser consumido: inositol (20 mg/ 100 mL), glucoronolactona (250 mg/100 mL), e taurina (400 mg/ 100 mL)”, ressalta Kelen. De acordo com ela, a mais importante destas substâncias é definitivamente a cafeína, que além dos efeitos ergogênicos parece também aumentar o consumo de lipídios pelo corpo, poupando as reservas de carboidratos, o que é muito importante em exercícios de longa duração.

“Apesar da cafeína aumentar momentaneamente a performance física e mental, o consumo abusivo na maioria das vezes prejudica o desempenho, já que pode causar tremores, desordens do sono e problemas gastrintestinais”, alerta a nutricionista.

Apesar de bebidas energéticas não serem prejudiciais se utilizadas com moderação e em situações apropriadas, é importante saber optar por marcas que não apresentem concentrações abusivas de nenhuma substância, além de entender como o corpo podem reagir com o uso delas.

 

 

Bebidas de reposição hidroeletrolítica

“O objetivo primário em repor os líquidos é manter o estado normal de hidratação. A desidratação é pode ser comum em praticantes de atividades físicas, atletas e indivíduos com distúrbios gastrintestinais (diarréia e/ou vômito). Durante o exercício a taxa de suor em geral excede a ingestão de líquidos, causando desidratação, o que pode diminuir o desempenho na atividade física. Nos distúrbios gastrintestinais há grande perda involuntária de líquidos. É importante lembrar que em ambas as situações citadas anteriormente há perda de líquidos e também de eletrólitos (sódio, potássio). Assim, nestas situações é importante repor não somente a água e também os eletrólitos. E uma boa forma de fazê-lo é com o uso de bebidas hidroeletrolíticas ou repositores energéticos”, ensina Kelen.

Estas bebidas, segundo a nutricionista, contêm água e açúcares que atuam como amenizadores do quadro de desidratação e fornecem energia, respectivamente, e eletrólitos (sódio e potássio), que são perdidos pelo organismo através do suor. A perda progressiva de líquidos pelo corpo através da transpiração e da respiração está associada com uma redução no volume sanguíneo através das extremidades. Uma desidratação maior que 1,5 litro reduz a capacidade de transporte de oxigênio pelo corpo e induz a fadiga e distúrbios gastrintestinais. “A reidratação através de bebidas hidroeletrolíticas, preferencialmente isotônicos, contrabalança estes efeitos. Ao contrário da água pura, quando há acréscimo de carboidratos e sabor nas bebidas, há maior absorção da água e dos eletrólitos e um estímulo ao consumo, exercendo um efeito positivo sobre o equilíbrio hídrico. O acréscimo de sódio também tem um efeito sobre a reidratação pós-exercicio por reduzir a perda de urina e estimular a retenção de água. Assim, da mesma forma como a receita para o soro caseiro (água, sal e açúcar) uma boa bebida de reposição deve ter as seguintes características: ter sabor, estar em temperatura ambiente a levemente refrigerada, conter em sua composição água, sódio e açúcar”, explica.

 

 

Quanto consumir

Todo alimento consumido em excesso ou falta pode acarretar consequências indesejáveis. Assim, o consumo seguro é aquele que está de acordo com a real necessidade da pessoa. “Todo o excesso é prejudicial à saúde, um consumo sem moderação ocasiona um quadro de hiponatremia, que consiste na baixa concentração de sódio plasmático (valores abaixo de 135 m Eq) durante exercícios prolongados. Devem ser considerados vários fatores referentes à palatabilidade, do líquido que afetam a ingestão como: a temperatura que deve estar entre 15-20 graus, doçura, intensidade do gosto e acidez, além de sensação de sede e das preferências pessoais”, enfatiza.

Outro aspecto relevante é que estas bebidas, por conterem açúcares, contêm calorias (bebidas energéticas) e o excesso poderá ser armazenado no corpo na forma de gordura. Associadas ao álcool, as bebidas energéticas podem ter várias consequências. “Inicialmente, a mistura pode deixar a pessoa mais alegre, mas em seguida aparecem: perda de memória, sensação de afobação, e, mais tarde, indisposição”, ensina.

Nos bares e nas festas, o energético geralmente é consumido junto com destilados, como uísque, vodca e rum. “Os apreciadores da mistura muitas vezes querem mascarar os efeitos da bebida alcoólica, mas segundo especialistas, esta é uma falsa sensação: mesmo misturado ao estimulante, o álcool provoca consequências, como a perda dos reflexos. A mistura faz com que a bebida se torne mais doce e palatável, contribuindo para o aumento do consumo. Além disso, a cafeína aumenta a euforia causada pela bebida e reduz a sensação subjetiva de embriaguez, fazendo a pessoa sentir que está menos alcoolizada do que realmente está”, alerta.

Apesar de pessoas saudáveis não apresentarem problemas com o uso moderado de cafeína, seu consumo em grandes quantidades (como aquelas presentes em energéticos) tem sido associado a consequências graves, como convulsões, derrame e morte súbita. Existe também o importante risco de desenvolver transtornos relacionados ao uso de álcool (abuso e dependência), tornando a pessoa sujeita a comprometimentos graves em sua vida como um todo.

 

Veja como os principais componentes das bebidas energéticas funcionam

* Taurina (aminoácido): pressupõe-se que a taurina tem uma importante função na contração do músculo cardíaco. Porém, como a dieta brasileira é tipicamente hiperprotéica e como nosso organismo é capaz de produzir a taurina a partir de outros aminoácidos, sua deficiência não parece ser importante na população. Estudos na área são controversos; alguns demonstram que uma suplementação oral de taurina é capaz de aumentar a freqüência cardíaca após uma sobrecarga física estressando ainda mais o miocárdio; outros relataram que o aminoácido parece atuar como um antioxidante muscular, diminuindo o dano ao DNA causado pelo exercício extenuante. Precisa-se estudar mais os efeitos da taurina para poder utilizá-la com segurança.

 

* Vitaminas do complexo B: usadas como cofatores auxiliares que permitem que a energia produzida e fornecida a partir dos nutrientes energéticos no corpo. Não são componentes essenciais das bebidas, visto que uma dieta balanceada fornece estas e todas as outras vitaminas necessárias para o bom funcionamento do organismo.

 

* Carboidratos: as fórmulas geralmente contêm açúcares de fácil absorção, que além de fornecerem energia também melhoram o sabor das bebidas. Porém, é importante ter em mente que a quantidade de açúcar presente nas bebidas energéticas (10-12%) é muito superior ao das bebidas esportivas (6-8%) e, concentrações elevadas de açúcar diminuem a absorção de água pelo corpo, fazendo com que estas bebidas não cumpram a função de hidratar, especialmente durante exercícios prolongados e vigorosos.

 

* Cafeína: substâncias como o guaraná, usualmente presente nas bebidas energéticas, são as principais fontes de cafeína do produto. A cafeína é uma substância com efeito comprovadamente ergogênico, ou seja, que tem a capacidade de melhorar o desempenho físico e cognitivo, já que aumenta o fluxo sanguíneo para músculos e para o sistema nervoso central, principalmente em indivíduos que praticam exercícios prolongados, como maratonas e triatlo. Porém, estudos mostram que o uso indiscriminado e exagerado proporciona mais prejuízos do que benefícios ao corpo.

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