Cirurgia para tratamento do Parkinson

Intervenção traz qualidade de vida para os pacientes

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· 3 min de leitura
Ana ficou acordada durante o procedimento para que os eletrodos fossem ajustadosAna ficou acordada durante o procedimento para que os eletrodos fossem ajustados
Ana ficou acordada durante o procedimento para que os eletrodos fossem ajustados

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O avanço da medicina, estudos de novas técnicas e métodos, além de salvar vidas e curar doenças, também traz em para a população procedimentos que permitem a qualidade de vida. E quando falamos em doenças que não têm cura, isso é fundamental. A Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo do sistema nervoso que causa a morte de neurônios produtores da substância dopamina, que atua regulando os movimentos do corpo, nos chamados núcleos da base do cérebro. Isto, resumidamente, acaba por deixar a pessoa com tremor, rigidez e movimentos mais lentos. Estes sintomas dificultam o dia a dia de quem convive com o problema, impedindo que faça pequenas tarefas, como tomar água, se alimentar, trabalhar entre outros. Mas, com o avanço da medicina neurológica, a cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS), surge como uma opção na vida desses pacientes. Ana Maria Padilha Delasanta, 60 anos, de Palmeira das Missões, convive com Parkinson há oito anos. Os remédios já não fazem mais o efeito esperado. Com o passar dos anos, a mulher sempre ativa viu sua qualidade de vida sendo perdida. “A mãe sofria muito com tremores porque além de não conseguir fazer as coisas, ela ficava cansada, com dor, já não conseguia mais dormir”, relata Juliana Delasanta, filha de Ana.

 

Procedimento
Na terça-feira, 27/08, Ana realizou o procedimento, através do Sistema Único de Saúde (SUS) pela primeira vez no interior estado. O neurocirurgião do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Dr. Diego Dozza, junto com o neurocirurgião Dr. Alexandre Reis, do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre, e a equipe de Enfermagem foram responsáveis pela cirurgia que teve duração de cinco horas. O procedimento de alta complexidade, segundo Dozza, consiste em implantar um cateter/eletrodo cerebral em um ponto específico dos núcleos da base, que pode ser em um ou nos dois lados do cérebro, e conectar em um tipo de “gerador” que fica sob a pele do peito. É através deste gerador que o médico programa a intensidade de sinal enviado ao cérebro para controlar os sintomas da doença. “Há várias medicações e combinações possíveis para o auxílio do tratamento do Parkinson, mas em determinado momento pode ocorrer efeito colateral, falha da medicação ou a própria progressão da doença com outros sintomas de mais difícil controle. É neste momento que surge a indicação da realização da cirurgia”, explicou. O objetivo primário do procedimento “é reequilibrar o circuito cerebral através de uma estimulação elétrica seletiva e reversível do núcleo selecionado, melhorando o déficit neurológico e também comportamental. Ou seja, a pessoa vai ficar mais funcional”, esclarece Dozza, destacando o empenho do Hospital São Vicente de Paulo para implementar a cirurgia e a parceria com a Medtronic, empresa que disponibiliza os equipamentos.

 

Acordada
O procedimento minucioso e delicado foi realizado com a paciente acordada, pois com isso, é possível perceber a melhora dos sintomas durante a cirurgia. Ana colaborou com o procedimento respondendo às perguntas dos profissionais. “Durante a cirurgia fizemos os testes com a paciente acordada e ela teve melhora do tremor e rigidez, sem efeitos colaterais. Ela segue na recuperação pós-operatória e em 20 dias o gerador ou será ligado”, explicou Dozza. “Lembro das perguntas que foram feitas durante a cirurgia. A psicóloga disse que fui muito corajosa e bem, auxiliando os médicos”, relata a paciente. A cirurgia correu bem e Ana recebeu alta na quinta-feira, 29. “Tivemos o resultado que esperávamos. A equipe, médicos, instrumentadores, anestesista, estava muito concentrada para que saísse perfeito, pois nessa cirurgia os detalhes são fundamentais para o sucesso”, disse o especialista.

 

Qualidade de vida
Para Ana e a família, a cirurgia é a esperança de dias com mais qualidade. “Agora é esperar a recuperação e os resultados. A mãe é jovem e estava sofrendo muito com os tremores. Com certeza, isso vai trazer uma vida muito melhor para ela”, disse Juliana. Apesar do resultado positivo, Dozza, destaca que a cirurgia não é uma cura da doença, pois a pessoa afetada ainda precisa tomar medicação e manter o acompanhamento multidisciplinar com fisioterapia e fonoterapia. “As principais indicações para a cirurgia são os pacientes com flutuações motoras, discinesias (movimentos lentos), tremor e síndrome da desregulação dopaminérgica. O candidato perfeito para a cirurgia é aquele com menos de 70 anos, com no mínimo quatro anos de doença, que apresentou boa resposta às medicações, sem alteração cognitiva, que apresenta efeito colateral da medicação e que tenha bom entendimento sobre o procedimento”.

 

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