Efeito manada: estamos sujeitos a seguir o pensamento grupal?

Medicina & Saúde -artigo de William Weber Cecconello

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· 2 min de leitura

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Por William Weber Cecconello

 

Sempre foi popular no nosso contexto a história sobre uma ovelhinha chamada Maria que fazia tudo o que as demais faziam, apenas porque os outros estavam fazendo. Essa história é geralmente contada para crianças, para que notem a importância de não mudar comportamentos apenas para se enquadrarem nos grupos os quais se inserem. Porém isso pode ser mais difícil do que parece.

Efeito manada ocorre quando indivíduos recebem determinadas informações e passam a atuar em bando, como uma manada. Isso acontece porque não tomamos uma decisão consciente, e seguimos a maioria; assim, um sujeito passivo simplesmente adere a uma decisão coletiva, deixando-se guiar pelo instinto.

Na natureza, em animais que andam em grupo, é comum esse tipo de comportamento. Não raramente quando estão em bando um antílope começa a correr, e em os outros o acompanham, mas por trás disso existe uma função evolutiva: se um antílope saiu correndo, deve haver algum perigo por perto. Nesse caso, seguir o grupo pode fazer toda a diferença, pois um antílope que demorar mais tempo para fazer algo pode se tornar um alvo mais fácil.

No ser humano não é tão diferente. Diante de uma crise, um efeito manada de acionistas vendendo ações pode ocasionar uma ruptura na bolsa de valores. Como uma manada, todo mundo criou sua conta no Orkut, e quando este já não era bom o bastante, migraram como uma manada para o Facebook. Programas de humor são editados, colocando risos ao final de cada piada, e muitas vezes acabamos rindo mesmo sem entender a piada. Tem até quem fale que político é ladrão mesmo sem conseguir citar o que realmente envolveu um caso de corrupção.

O ser humano possui comportamentos e habilidades cognitivas mais elaboradas que outros animais, e consequentemente, surgem subprodutos desse efeito, isto é, atuamos em manada mesmo quando não há possibilidade de perigo. O efeito manada então nada mais é do que um mecanismo cognitivo evolutivo, que nos permite tomar decisões não conscientes, caso sejamos passivos à atividade do grupo.

Os humanos, assim como animais herdaram as estruturas cognitivas, que são as adaptações referentes ao comportamento. Elas funcionam como módulos na nossa interação com o ambiente, que produzem comportamentos dentro de cada contexto cultural.

Os primeiros entendimentos desse efeito nos humanos foram compreendidos através de um experimento feito por SolomonAsch em 1951 que conseguiu determinar como o julgamento individual é influenciado pelo grupo.

Em um ambiente controlado cobaias eram colocadas em uma roda de atores contratados. As pessoas eram então deviam responder perguntas simples como ‘'Qual é a cor do Mar?" "Quem é o atual presidente?" Os atores eram instruídos a dar respostas totalmente erradas, como por exemplo ‘‘a cor do mar é laranja’’.

O resultado disto? 50% das pessoas deram a mesma resposta quando chegou a sua vez. Apenas 25% do teste se recusaram a ser guiados pelo falso julgamento dos outros enquanto 5% sempre seguia a maioria. A maior descoberta do estudo foi que um terço das pessoas ignorou o que sabe ser verdadeiro e deu uma resposta errada em um grupo que insiste que a resposta errada é a verdadeira.

Ou seja, para a natureza humana, é mais importante estar em de acordo com o grupo do que estar certo. Cabe a nós procurarmos evitar a passividade. Talvez nunca conseguiremos fugir de algumas consequências do efeito manada, mas podemos sim evitar seguir o coletivo do ‘’por que sim’’ e ‘‘porque não’’, e procurar uma visão ampla, isto é, se permitir o questionamento, para fugir a consequências negativas do efeito manada.

 

William Weber Cecconello – Estudante de psicologia e Bolsista Fapergs do grupo de pesquisa de psicologia em habilidades sociais da faculdade IMED

 

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