Os caminhos da infecção urinária

Como prevenir uma doença que pode ter graves consequências

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· 4 min de leitura
Preventivo: suco de cranberryPreventivo: suco de cranberry
Preventivo: suco de cranberry

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Estamos suscetíveis às infecções como a ITU, Infecção do Trato Urinário ou, simplesmente, a infecção urinária, que atinge pessoas em todas as idades independente do sexo. É um quadro infeccioso que ocorre através do desenvolvimento de bactérias em qualquer parte do sistema urinário. Pode atingir rins, bexiga, uretra e ureter. Se não for tratada de forma adequada, ainda existe a possibilidade de produzir uma infecção generalizada. Mas nós podemos agir preventivamente para evita-la e escapar de tratamentos com antibióticos que podem durar 21 dias. As informações foram colhidas no corpo clínico do Hospital da Cidade de Passo Fundo. Ouvimos o Dr. Luiz Tadeu Pereira, médico ginecologista, e o Dr. Nícolas Leal, médico urologista.

O risco é maior para as mulheres

O ginecologista Luiz Tadeu Pereira explica o que é a infecção urinária e porque a mulher é mais suscetível. É a infecção das vias urinárias, bexiga (cistite) e rim (pielonefrite). A mulher é mais propensa devido a dois fatores: anatômico e comportamental. Estes fatores propiciam que a mulher tenha 9 vezes mais infecção urinária do que o homem. Acontece que a anatomia da mulher, com uretra mais curta e desembocando numa cavidade com flora bacteriana (flora vaginal), predispõe mais infecção. Aliado a isso o comportamento de "segurar" muito a urina, concentra a mesma e favorece a infecção. A mulher com medo de contrair cistite, não urina, deixa para depois e isso facilita a infecção. A bexiga somente tem um mecanismo de proteção para a infecção: o seu esvaziamento. Como a mulher tem o vício de não usá-lo, acontece mais infecção.

Da bexiga ao rim

Tadeu Pereira também esclarece sobre a cistite. É a infecção da bexiga, e ocorre nove vezes mais em mulheres. Os fatores são a baixa imunidade, aumento de resistência bacteriana e aumento da concentração de bactérias da urina por não esvaziamento. As bactérias aumentam a colonização na urina e esta inicia a ficar aderida na parede da bexiga, lesando mucosa e musculatura. Isso causa dor ao urinar (disúria) e com a irritação da musculatura a tendência a urinar muitas vezes (polaciuria). Além da resistência bacteriana e o vício de não urinar, a automedicação usando fármacos inadequados. Os sintomas mais comuns são o odor desagradável e a mudança de cor da urina, dor ao urinar e urinar muitas vezes. As cistites podem ascender para o rim e causar pielonefrites, que são infecções do rim. Extremamente graves, com febre, prostração e dor lombar intensa. Quando tem caráter repetitivo, podem levar a perda de função renal e do rim. A infecção renal de repetição é a maior causa de perda do rim e, consequentemente, pode levar ao transplante de rim.

Suco de cranberry

O uso de substâncias que acidificam a urina e impedem a aderência das bactérias à parede da bexiga tem sido um importante arsenal na prevenção da cistite.

Entre nós, temos a utilização de suco de cranberry, uma fruta vermelha da América do Norte. O seu consumo tem despertado interesse entre os pacientes que desejam prevenir cistites.

Os cuidados para evitar uma infecção generalizada

Para o urologista Nícolas Leal é possível diminuir os riscos de contrair uma infecção urinária. Também cita o uso de cranberry, além de probióticos, para fortalecer a saúde das vias urinárias. Ingerir pelo menos dois a três litros de água ao dia para estimular a produção de urina, higiene adequada da região genital após as evacuações e relações sexuais, dieta rica em frutas e vegetais e prática de exercícios físicos. Devemos evitar longos períodos de tempo sem esvaziar a bexiga, duchas vaginais, desodorantes íntimos e uso de roupas intimas com material sintético, dando preferência para tecidos de algodão. São fatores que favorecem a infecção: retenção urinária, constipação intestinal, diabetes mellitus, menopausa, aumento da frequência de relação sexual, uso de agentes espermicidas e produtos químicos íntimos. Ainda, temos como causas as alterações que causam refluxo de urina da bexiga para os ureteres e as obstruções da anatomia do trato urinário (ureter e uretra), causadas tanto por má formação congênita quanto por cálculos urinários.

Tratamento e riscos

Nícolas Leal deixa claro que a importância da continuidade do tratamento resulta na cura da infecção. E alerta para os riscos da evolução. O tratamento é feito com antibiótico e o tempo dependerá da localização da infecção urinária. Quando ocorre infecção urinária chamada de “baixa”, as quais acometem a bexiga, geralmente usa-se de um a sete dias de antibiótico. Porém, quando temos acometimento renal, o tratamento prolonga-se por 10 a 14 dias, por vezes sendo necessários 21 dias de tratamento em alguns casos específicos. A cistite, desde que não seja tratada de forma adequada, pode evoluir para pielonefrite (infecção nos rins), a qual pode gerar abscessos, mau funcionamento e inclusive insuficiência renal. Ainda, pode ocorrer infecção generalizada, sendo necessária internação hospitalar em leito de UTI.

Baixa e alta

A infecção urinária baixa (cistite) comumente apresenta-se com dor ou ardência para urinar, várias micções ao longo do dia, com pequeno volume urinário, alteração no aspecto da urina (cheiro e coloração), e dor abdominal próxima ao púbis. Já a alta (pielonefrite) habitualmente inicia-se com o quadro semelhante ao da cistite, porém acompanhada de febre alta (superior a 38ºC), calafrios, náuseas/vômitos e dores lombares.

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