Os novos limites para a pressão arterial

Agora a pressão considerada normal é a inferior ao conhecido 12 por 8

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Conforme a última atualização da diretriz americana apresentada para a comunidade científica em 2017, a pressão arterial é considerada normal quando a pressão sistólica for menor do que 120 mmHg e a pressão diastólica for menor do que 80 mmHg. A explicação é do Dr. Eduardo Ilha de Mattos, cardiologista intervencionista no Hospital da Cidade de Passo Fundo. Esses são os valores que também devem ser adotados em Passo Fundo, pois essas diretrizes têm por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar as condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão dos médicos.

 

Conhecendo a pressão arterial
A pressão arterial é a pressão exercida pelo sangue dentro dos vasos sanguíneos, com a força proveniente dos batimentos cardíacos, para fazer com que o mesmo consiga circular por todo o corpo. Ela é resultado de um produto do débito cardíaco (volume de sangue bombeado pelo coração em um minuto) e da resistência vascular periférica (pressão necessária para o fluxo ou em outras palavras, a dificuldade que o sangue encontra ao passar pelos vasos).


Situações em que há aumento do volume de sangue a ser ejetado, aumento da frequência cardíaca e quando a força que este sangue precisa fazer está aumentada, isto é, as artérias oferecem resistência ao fluxo sanguíneo, dizemos que há hipertensão arterial – uma condição clínica multifatorial e caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos. Existem dois valores, um máximo ou sistólico e um mínimo ou diastólico que são medidos em milímetros de mercúrio (mmHg). O primeiro se refere à força do bombeamento do coração e o segundo a pressão dos vasos sanguíneos periféricos.

 

Fase precoce
A nova categorização foi baseada em estudos que mostravam a associação entre aumento da pressão arterial sistólica ou diastólica e o aumento do risco de doenças cardiovasculares e mortalidade. Os pacientes que anteriormente eram classificados como pré-hipertensos e hoje são classificados como hipertensos estágio 1 já se mostravam com um risco substancialmente aumentado – o dobro de risco de um ataque cardíaco em comparação com alguém em uma faixa de pressão arterial normal. Também, existem estudos clínicos mostrando a redução dos valores de pressão arterial com a adoção de mudanças no estilo de vida e a prevenção de doenças cardiovasculares com o seu tratamento e uso de medicações anti-hipertensivas. Por isso, a importância de se reconhecer e tomar medidas em fases mais precoces da doença. Em resumo, via-se a necessidade de atualizar as diretrizes para refletir as ameaças reais da hipertensão e estabelecer um protocolo que pudesse melhorar a saúde cardiovascular da população.

 

Pesquisa X Mortalidade
Hoje em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida (história prévia de doença coronariana, cerebrovascular ou vascular periférica), a recomendação é que se atinja um alvo ideal de pressão arterial menor do que 120/80 mmHg, pois esta é considerada uma população de alto risco. Os melhores dados vêm de um estudo clínico chamado SPRINT realizado nos Estados Unidos e que foi publicado em 2015. Foi um estudo que selecionou mais de 9000 pacientes, com 50 anos ou mais e que tinham fatores de maior risco para doença cardiovascular. Foram divididos em dois grupos de tratamento anti-hipertensivo, um grupo padrão que tinha a meta de manter a pressão arterial sistólica menor que 140 mmHg e outro grupo intensivo que tinha a meta de manter a pressão arterial sistólica menor que 120 mmHg. Os resultados mostraram que o grupo de tratamento intensivo teve uma redução significativa do desfecho primário do estudo que era um composto de infarto agudo do miocárdio, síndrome coronariana aguda, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e morte cardiovascular. E quando se analisou isoladamente o desfecho mortalidade, observou-se uma redução significativa da mesma no grupo de tratamento intensivo da pressão arterial quando comparada ao grupo de tratamento padrão. Um dado importante que os estudos têm nos mostrado é que o benefício é tanto maior quanto maior o risco cardiovascular global do paciente.

 

Nova classificação

1) Normal: <120 (PA sistólica) e <80 (PA diastólica)
2) Elevada: 120-129 (PA sistólica) e <80 (PA diastólica)
3) Hipertensão Estágio 1: 130-139 (PA sistólica) e/ou 80-89 (PA diastólica)
4) Hipertensão Estágio 2: >140 (PA sistólica) e/ou >90 (PA diastólica)

As pessoas com pressão arterial normal devem ser reavaliadas pelo seu médico assistente periodicamente, com consultas clínicas anuais. Nas demais categorias, devem-se sempre ser instituídas medidas de tratamento não farmacológico e com mudanças do estilo de vida.

Tratamento
A decisão de quando e como iniciar o tratamento farmacológico nos pacientes em Estágio 1 não se baseia no valor da PA, mas sim no cálculo do risco cardiovascular global em 10 anos através do escore de Framinghan. Se este risco for elevado (>10% ou com doença aterosclerótica manifesta), estes pacientes devem receber um tratamento medicamentoso associado desde o início, da mesma maneira que todos os pacientes classificados em Estágio 2. O alvo terapêutico é uma PA menor do que 130/80 mmHg, sendo que em paciente de alto risco cardiovascular é feita uma menção especial que o alvo pode ser menor que 120/80 mmHg caso haja boa tolerância ao tratamento.


Os percentuais
A hipertensão arterial sistêmica é um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Sua prevalência no Brasil varia entre 22 e 44% para adultos (32% em média), chegando a números mais expressivos se levarmos em consideração somente pessoas com idades mais avançadas. Com a nova diretriz, a prevalência da hipertensão arterial sistêmica aumentou de 32% para 46% da população. Uma pesquisa realizada em 2015 por inquérito telefônico (Vigitel) mostrou que 24,8% da população brasileira adulta têm hipertensão arterial e que este número no Rio Grande do Sul era de 29,2%. Segundo os pesquisadores, alguns fatores estariam relacionados ao maior risco, como o tabagismo, o consumo de álcool e a alimentação inadequada, com o alto consumo de sal, de carnes com gordura e de açúcar em excesso.

 

A silenciosa hipertensão
Na maioria dos indivíduos a hipertensão arterial é silenciosa e não causa sintomas, apesar da coincidência do surgimento de determinados sintomas que muitos consideram associado à doença, como por exemplo, dores de cabeça, sangramento pelo nariz, tontura, rubor facial e cansaço. Estes devem servir como um sinal de alerta e fazer com que as pessoas procurem o seu médico para uma avaliação mais detalhada. Sintomas são mais comuns em estágios avançados da doença ou quando a pressão arterial aumenta de forma abrupta e exagerada e eles podem se manifestar como dor no peito, cansaço e falta de ar excessiva, arritmias cardíacas, mudança na visão, dores de cabeça e confusão mental.

 

Os remédios
Os medicamentos para hipertensão são os mais vendidos no Brasil. É uma necessidade, pois quando falamos em hipertensão arterial, estamos falando de uma doença que contribui direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular no Brasil. Suas complicações cardíacas, renais e cerebrais têm impacto elevado na perda da produtividade do trabalho e da renda familiar. Devido a esta alta prevalência da doença em todo o mundo, hoje sabe-se que o tratamento para a hipertensão é o motivo mais comum para consultas médicas em pessoas adultas nos Estados Unidos.

 

A pressão baixa
A hipotensão arterial (pressão baixa) é definida quando a pressão arterial está menor do que 90/60 mmHg. Não é considerada uma doença, mas pode causar alguns sintomas como mal-estar, sudorese, tonturas, náuseas, sensação de fraqueza e desmaios. Algumas condições médicas podem causar diminuição da pressão arterial e esta ser considerada um marcador de gravidade da doença. Como exemplo, doenças cardíacas (infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, arritmias), desidratação, perda grave de sangue, queimadura grave, infecções graves (sepse) e reações alérgicas graves.

 

Aferindo a pressão
Existem alguns passos chaves que devem sempre ser levados em consideração para uma correta aferição da pressão arterial. Em primeiro lugar, deve-se preparar adequadamente o paciente, mantendo-o relaxado, com a bexiga vazia e sentado numa cadeira com os pés no chão e as costas apoiadas por mais de 5 minutos. Deve-se evitar cafeína, exercícios físicos e fumo por pelo menos 30 minutos antes da aferição e, sempre remover todas as roupas que cobrem o local de medição. Em segundo lugar, deve-se fazer uma técnica correta para a medida da pressão arterial, usando sempre aparelhos validados e que sejam calibrados periodicamente, com tamanho adequado para o braço de cada paciente. O braço deve estar apoiado e na altura do ponto médio do osso do peito. Na primeira visita deve-se sempre fazer a aferição nos dois braços e usar sempre o braço com maior pressão em aferições subsequentes. Usar sempre uma média de duas ou mais medidas obtidas em duas ou mais ocasiões/visitas.

 

Prevenindo
A prevenção da hipertensão vem principalmente com a ênfase nas mudanças do estilo de vida. Deve-se adotar uma dieta saudável com aumento da ingestão de frutas, vegetais, laticínios desnatados e grãos, além de reduzir a gordura saturada e restringir a ingestão de sódio. Recomenda-se perder peso, procurando se atingir o peso ideal e realizar atividades físicas regularmente. A cessação do tabagismo deve ser reforçada, assim como a redução do consumo de álcool. Já os pacientes com hipotensão arterial devem sempre ser avaliados por um médico para tentar identificar a causa da pressão baixa, revisando-se principalmente o histórico de saúde e as medicações em uso. Hidratação e levantar-se devagar depois de passar muito tempo deitado ou sentado é uma recomendação sempre feita para pacientes idosos e principalmente pessoas que estão em uso de medicamentos anti-hipertensivos, pois esse grupo apresenta um maior risco de ter hipotensão ortostática que é a queda súbita da pressão arterial com a mudança de posição.

 

Acompanhamento médico
As pessoas com aferição de pressão arterial elevada ou hipotensão arterial devem ser avaliadas e acompanhadas por um médico. Para pacientes sem história de hipertensão arterial, recomenda-se que todos os indivíduos maiores de 18 anos sejam rastreados para um aumento da pressão arterial a cada ano. Caso os pacientes tenham fatores de risco para a hipertensão como, por exemplo, a obesidade, essas avaliações podem ser realizadas com maior frequência. Siga as orientações do seu médico, elas contribuirão para o controle da pressão arterial e para a diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Se utilizar medicamentos, tome as medicações conforme a orientação e não abandone o tratamento. Se tiver qualquer dúvida, converse sempre com o seu médico.

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