Dia Internacional do Idoso: a importância de cuidar da saúde mental

Pesquisa da UPF avalia as contribuições de serviços on-line de saúde mental para pessoas idosas e profissionais de saúde

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Um dos hábitos da dona Ilene é a leitura (Foto: Divulgação/UPF)Um dos hábitos da dona Ilene é a leitura (Foto: Divulgação/UPF)
Um dos hábitos da dona Ilene é a leitura (Foto: Divulgação/UPF)

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A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data de 1º de outubro como o Dia Internacional do Idoso. Além de trazer na bagagem histórias de vida, as pessoas, da também conhecida “terceira idade”, atualmente tem que conviver com os desafios impostos pelo novo Coronavírus (Covid-19). E foi com o propósito de entender aspectos relacionados ao idoso que o Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano (PPGEH) da Universidade de Passo Fundo (UPF) desenvolve uma pesquisa sobre a saúde mental do idoso em tempos de pandemia da Covid-19.

O projeto “Coletiv@s On-line em Saúde Mental” é realizado junto com as Universidades de São Paulo (USP) e de Brasília (UNB). Este estudo se caracteriza por ser uma pesquisa-ação desenvolvida em três regiões do Brasil, que objetiva avaliar as contribuições de serviços on-line de saúde mental para pessoas idosas e profissionais de saúde.

Como forma de atingir tal meta, nesta semana tiveram início os atendimentos gratuitos. Eles são realizados em grupos, formados por 10 a 15 participantes, com sessões on-line conduzidas por psicólogos, profissionais da saúde e estudantes dos cursos de pós-graduação, acompanhados de acadêmicos de graduação das três instituições envolvidas. As sessões de intervenção em saúde mental acontecem uma vez por semana, com duração aproximada de uma hora cada.

Podem participar indivíduos residentes no Rio Grande do Sul, no Distrito Federal e em São Paulo, pessoas idosas com idade de 60 anos e mais (população geral) e profissionais de saúde entre 20 e 59 anos, atuantes na rede pública e privada.

Segundo a professora da UPF, Dra. Silvana Alba Scortegagna, que coordena o estudo, com a pandemia da Covid-19, observa-se a emergência de grande vulnerabilidade psíquica e coletiva para saúde mental. “Assim, os serviços prestados do coletiv@s on-line visam contribuir para proteger e incrementar a saúde mental de grupos vulneráveis à doença, especialmente pessoas idosas e profissionais de saúde”, destaca.


Dicas para se sentir bem

Embora a Covid-19 tenha imposto algumas adversidades aos idosos e a população mundial, é possível enfrentá-las preservando a saúde mental, o bem-estar e a qualidade de vida. Confira algumas dicas:

- Aproveite o tempo da quarentena para se reinventar;

- Você pode aprender ou reaprender a manter relações sociais por meio de contatos virtuais;

- Pode ser desafiante aprender a usar novas tecnologias, mas é possível. Aprecie aprender coisas novas a cada dia. Ter vontade, persistência e determinação ajuda muito. Isso irá lhe permitir estar próximo afetivamente, mesmo que fisicamente distante;

- Serenidade e criatividade são palavras a serem cultivadas, sempre;

- Leia jornais, livros ou revistas. Após a leitura, escreva sobre o que leu e confira se as informações escritas estão de acordo com o que você leu;

- Escreva receitas culinárias. Elabore um livro com as suas receitas preferidas;

- Faça caça-palavras, preencha palavras cruzadas e monte quebra-cabeças;

- Elabore um “diário da gratidão”. Escreva, uma vez por dia, algo pelo que você é grato;

- Brinque, sempre, seja qual for a sua idade;

- Reserve um momento do dia para fazer suas orações e reflexões e procure canalizá-las para aspectos positivos.

 Quem tenta driblar os obstáculos da pandemia é a dona Ilene Federle. Aos 85 anos de idade, ela tem realizado diversas atividades para se manter saudável na quarentena. “Eu procuro ter uma boa alimentação, fazer caminhadas, mesmo que dentro de casa, conviver bem com as pessoas da família, além de tomar todos os cuidados necessários recomendados”, conta.

Esposa, mãe de nove filhos, avó de onze netos e bisavó de cinco bisnetos, a dona Ilene torce para que a vida possa voltar a sua normalidade o mais rápido possível. “Espero que logo haja uma vacina para ajudar a comunidade, que sofre com o vírus. Nesses meus 85 anos de vida, já vi e vivi muita coisa, mas nada tão ruim como a Covid-19”, relata.


Há mais de 10 anos em atuação com os idosos

O PPGEH desenvolve, há mais de uma década, pesquisas voltadas para a melhoria das condições de vida dos idosos. O Programa atua na área da Gerontecnologia, que possui como objetivo o uso e o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à avaliação, à intervenção e ao monitoramento de idosos e da população em geral.

O trabalho do “Coletiv@s On-line em Saúde Mental” é um exemplo disso. “Sabemos que, ao mesmo tempo em que as relações mediadas pela tecnologia nos colocam em certo desconforto frente a este processo em construção, também sinalizam uma oportunidade para outras formas de convívio e de aproximação, abrindo um espaço coletivo de amparo para as angústias da população”, comenta a professora Silvana.

O “Coletiv@s On-line em Saúde Mental” conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs). 


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