CREMERS: Médicos enfrentam a pandemia com solidariedade

Presidente do Cremers diz que houve muito aprendizado, união e que a telemedicina não substitui o atendimento presencial

Por
· 3 min de leitura
Presidente do Cremers, Carlos Isaia Filho (Foto: Divulgação/Cremers) Presidente do Cremers, Carlos Isaia Filho (Foto: Divulgação/Cremers)
Presidente do Cremers, Carlos Isaia Filho (Foto: Divulgação/Cremers)
Você prefere ouvir essa matéria?

O Dia do Médico de 2020 tem um significado todo especial. A pandemia do coronavírus destacou sobremaneira o papel destes profissionais da área da saúde. Sem vacina e sem medicação adequada, a Covid-19 continua a assombrar a humanidade. Os médicos, ao lado de outros profissionais da área de saúde, representam a linha de frente de combate a esta doença. Muitas lições são tiradas deste momento. A solidariedade, o aprendizado e os novos desafios são pontos abordados pelo presidente do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers), Carlos Isaia Filho.


Gestão S.A - Como o senhor descreve este momento de pandemia vivenciado por profissionais da saúde, especialmente médicos que estão na linha de frente?

Dr. Carlos Isaia Filho - Esse foi um momento de solidariedade. Entre médicos e população e entre médicos de diferentes especialidades. Uma união muito grande da classe médica frente ao desconhecido. A cada dia, a pandemia exigiu novas condutas, novos tratamentos experimentais, ou seja, uma força-tarefa que envolveu médicos, cientistas e profissionais de saúde na busca por oferecer maior conforto aos pacientes e, principalmente, salvar vidas. Diante desse contexto, todos os profissionais de saúde mostraram uma solidariedade muito grande.


Gestão S.A. - Quais são os maiores desafios no pós-pandemia?

Dr. Carlos Isaia Filho - O grande desafio será dar um bom atendimento aos casos que não puderam ser atendidos durante a pandemia. São pacientes que, por medo da pandemia, não buscaram consultórios, clínicas e hospitais. A tarefa agora e daqui para a frente, que envolve todas as especialidades médicas, é ter condições de atender com qualidade esses pacientes que deverão buscar revisões e tratamentos médicos.


Gestão S.A. -  Diante do atual contexto, que lições ficam para os veteranos e para os novos profissionais que estão recém entrando no mercado?

Dr. Carlos Isaia Filho - O médico está sempre se atualizando. Por mais atualizado que ele esteja, na busca de novas informações, diagnósticos e tratamentos, de repente, aparece um vírus, do qual não se tinha qualquer tipo de conhecimento, e nos mostra que, por melhor que seja nosso conhecimento técnico, ainda estamos sujeitos a novas questões, a novas patologias, a novos diagnósticos e, principalmente, à busca de novos tratamentos.


Gestão S.A. -  A Telemedicina veio para ficar?

Dr. Carlos Isaia Filho - A Telemedicina está sendo uma solução emergencial. Os médicos, e os próprios Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), estão em uma fase de avaliação e de normatização da Telemedicina. A pandemia começou exatamente na fase em que a classe médica, por meio de seus CRMs, estudava e avaliava a melhor forma de normatizar a Telemedicina no Brasil. Como a pandemia exigiu uma situação emergencial, o CFM autorizou o seu uso, que ainda não está regulado. É difícil afirmar se a Telemedicina veio para ficar. Entendemos que, em uma situação de emergência como uma pandemia, ela é útil, sob o ponto de vista emergencial e paliativo. Passada a pandemia, certamente teremos melhores condições de avaliar a Telemedicina e identificar a melhor forma de equacionar e normatizar essa prática dentro da classe médica. Ainda não se pode dizer que seja uma prática médica e, sim, uma prática emergencial.


Gestão S.A. -  Como manter um atendimento humanizado, diante das tecnologias como a Telemedicina, que tiveram seu uso acelerado durante a pandemia?

Dr. Carlos Isaia Filho - O médico deve realizar um atendimento humanizado em qualquer situação. A relação médico-paciente é, sem dúvida, a melhor forma de atendimento humanizado. Na Telemedicina se perde um pouco desse contato olho a olho, a presença... Isso pode ser um pouco prejudicado. Mas, sem dúvida, em qualquer situação, deve se prezar, sempre, que esse atendimento seja o mais humanizado possível.


Gestão S.A. -  A desinformação na era digital: como os profissionais devem enfrentar este que é um problema mundial?

Dr. Carlos Isaia Filho - A desinformação na era digital é um conceito que não vemos na prática. Vemos os pacientes chegarem até nós com uma suspeita diagnóstica que é motivada por consultas em meios digitais e geram dois, três ou mais diagnósticos. Isso permite ao médico conversar com o paciente, fazer o seu diagnóstico, e, depois, cotejar o seu diagnóstico com aqueles que o paciente traz. Particularmente, sendo um profissional com mais de 40 anos de atividade clínica, acredito que a era digital permite maior conhecimento do paciente e melhor diálogo com o paciente. Além disso, cada vez mais, torna a informação médica mais aprimorada e mais ampla e, consequentemente, traz mais tranquilidade ao paciente.


Para conferir essa entrevista e todas as matérias do caderno Gestão S.A. você pode acessar /jornal-digital/2020-10-16,2809

Gostou? Compartilhe