Residência: uma imersão na prática e no conhecimento profissional

Programas de residências oferecidos pela UPF na área de saúde já formaram cerca de 300 profissionais desde a sua criação

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Os programas de residências em saúde UPF têm como objetivo proporcionar formação em serviço aos profissionais (Fotos: Divulgação)Os programas de residências em saúde UPF têm como objetivo proporcionar formação em serviço aos profissionais (Fotos: Divulgação)
Os programas de residências em saúde UPF têm como objetivo proporcionar formação em serviço aos profissionais (Fotos: Divulgação)
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“A melhor especialização que um profissional de saúde pode ter no seu currículo é fazer um programa de residência”. A afirmação é da professora Me. Sandra Maria Vanini, que tem um envolvimento com as residências em saúde da Universidade de Passo Fundo (UPF) desde o princípio dos programas, criados em 2013. Essa constatação também é destacada pelos profissionais que estão em formação e pelos que já passaram pelas residências: “A residência multiprofissional é com toda certeza um divisor de águas na vida de um profissional”, enfatiza a enfermeira do posto 3 do Hospital São Vicente de Paulo, Laís da Rosa, 26 anos, egressa da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde do Idoso.

Laís da Rosa


Laís afirma que além da prática, a residência ajudou a ampliar a visão sobre a profissão. “Eu fiz residência em Saúde do Idoso no Hospital São Vicente e, a partir dessa experiência, hoje eu sou uma profissional muito mais qualificada. Nesse período, onde 80% da nossa atuação é através da prática, acompanhamos diversas equipes e, com isso, eu aprendi a ter um olhar crítico e ampliar a minha visão sobre a importância do meu trabalho e como realizá-lo de maneira mais eficaz”, declara a enfermeira.

As convicções de Laís são de uma profissional que foi residente e agora é preceptora da Residência em Saúde do Idoso. “Eu não saí totalmente da residência. Hoje eu sou preceptora e consigo ensinar tudo o que eu aprendi. Vejo que ser preceptora após ter sido residente, facilita o vínculo com o residente e eu consigo direcionar o conhecimento exatamente naquilo que eles precisam aprender, e também, entendo o que eles sentem e consigo acolhê-los como pessoas também. É uma troca muito rica que eu amo realizar diariamente”, afirma Laís.


Experiência no ambiente hospitalar à atenção básica

Formada há seis anos em Farmácia, Natália Tristacci, 29 anos, decidiu ampliar o seu conhecimento em outra área de atuação. Ela queria estar mais perto do cenário de prática da profissão. Para isso, escolheu a Residência Multiprofissional em Cardiologia. “Com minha experiência profissional anterior, escolhi pela área de Cardiologia por entender que este é um paciente complexo e que demanda o maior conhecimento possível dos profissionais que lhe atendem, independentemente do nível de assistência”, explica a residente.

Natália Tristacci


E a residente está acumulando experiências desde o ambiente hospitalar até a atenção básica. Além do hospital, Natália integra o projeto Rede de Cuidados Territoriais e, neste período de pandemia, ela também atuou durante cinco meses no Centro de triagem da Covid-19, no Cais Petrópolis. “Compreender a Assistência Farmacêutica no âmbito hospitalar, desde a gestão de produtos à Farmácia Clínica, reforçaram a importância da minha profissão em todos os processos do cuidado ao paciente. Ter a inserção prática tanto no ambiente hospitalar quanto na atenção básica contribuem para processo de formação integral”, declara.

A residência é uma especialização completa, que exige muita dedicação. “Os dois anos de formação não podem ser considerados fáceis ou simples, exige muito comprometimento, paciência e disciplina do profissional/residente. Agora, no último semestre, tenho a certeza que, independente do cenário futuro de atuação, as experiências vividas irão me auxiliar de forma significativa para enfrentar os novos desafios profissionais que irão surgir”, observa Natália, que está no segundo ano da residência.


Residência é “residir” em um processo de formação

O nome residência não é por acaso. “Residir é imergir por dois anos em um processo de formação. O profissional residente desenvolve 60 horas semanais. Ao todo, em dois anos, são mais de 5,7 mil horas, uma carga horária muito maior que uma graduação com duração de cinco anos”, destaca a professora Sandra Maria Vanini, que atualmente coordena os Programas de Residência Multiprofissional Integrada em Saúde do Idoso e de Atenção ao Câncer, mas que já coordenou quatro programas de residência ao longo dos últimos seis anos.


Considerada uma “formação ouro”

E nestas quase seis mil horas de residência, o profissional aprende mais do que a prática. “Os programas de residências são educação em serviço. O residente desenvolve uma prática in loco e ao mesmo tempo recebe orientação e capacitação dos seus preceptores e tutores. Além de fazer, o profissional discute, estuda e aprende. O Ministério da Saúde considera as residências como formação ouro aos profissionais de saúde”, salienta a professora.

Uma formação diferenciada. “É visível a diferença de um profissional que faz uma residência. A segurança, a competência, o conhecimento científico e a fundamentação dos processos são totalmente diferentes. Temos excelentes casos de sucesso dos nossos egressos. Também em concursos públicos, observamos que a validação dos currículos que apresentam atestado de programa de residência é muito mais valorizada”, destaca Sandra


Formação integral e multiprofissional

Além do eixo específico da especialidade que escolheram, com o contato de profissionais especialistas em cada área, os residentes têm aulas teóricas e aprendem a interprofissionalidade. “Eles desenvolvem as aulas com todos os outros profissionais da saúde, trabalhando de maneira interprofissional, para aprender a desenvolver o processo de cuidado com os diferentes profissionais da saúde”, comenta a professora, destacando a importância do trabalho multiprofissional. “Acredito demais no fortalecimento do trabalho multiprofissional. Ninguém trabalha sozinho. Um profissional sozinho não faz saúde. E os programas reforçam esta visão”, enfatiza Sandra.


O maior beneficiado é a comunidade

A residência prepara profissionais para seguirem as diretrizes do SUS. Os residentes atuam em ações de prevenção e promoção de saúde nos espaços hospitalares e também nas comunidades, nas unidades básicas de saúde. Um dos exemplos é o projeto Rede de Cuidados Territoriais, criado em tempos de pandemia de Coronavírus, em parceria com a Prefeitura de Passo Fundo, para garantir que a atenção básica em saúde seja fortalecida. “O maior beneficiado é a comunidade. Os programas de residências formam profissionais mais capacitados, habilitados, que desenvolvem ações específicas seguindo as diretrizes do SUS, ajudando a promover a saúde da população”, garante Sandra.


Residências destinadas para profissionais de nove áreas

Os Programas de Residência Multiprofissional e em Área Profissional de Saúde da UPF tiveram início no ano de 2013, e, desde então, realizam-se por meio de parceria entre a UPF, o Hospital de Clínicas, o Hospital São Vicente de Paulo, Hospital Veterinário (UPF), a Prefeitura Municipal de Passo Fundo e os Ministérios da Saúde e da Educação.

Os programas de residências oferecidos pela UPF têm como objetivo proporcionar formação em serviço aos profissionais da área da saúde e são destinados para profissionais graduados das áreas de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Serviço Social. Os cursos têm caráter de especialização lato sensu e são oferecidos na modalidade de residência presencial.


UPF conta com seis programas de residência em saúde

A Universidade oferta seis cursos: Residência Multiprofissional Integrada em Saúde do Idoso nas áreas de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Nutrição; Residência Multiprofissional Integrada em Atenção ao Câncer nas áreas de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia e Serviço social; Residência Multiprofissional em Cardiologia nas áreas de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Psicologia; Residência Multiprofissional em Atenção ao Câncer nas áreas de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Psicologia; Residência em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial em área profissional de Odontologia; e Residência Integrada em Medicina Veterinária.

Os cursos têm duração de dois anos, exceto o Programa de Residência em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, cujo prazo de duração é de três anos. O profissional residente recebe uma bolsa auxílio repassada pelo Ministério da Saúde de R$ 3.330,43.

Os interessados em cursar uma residência podem se inscrever até o dia 11 de novembro de 2020. O preenchimento do formulário de inscrição e mais informações sobre as residências estão no site upf.br/residencia.


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