Há 10 anos o Hospital São Vicente realiza o TAVI

A terapia transformou a cardiologia mundial nas últimas duas décadas

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Foto - Simoni Saldanha/Fina Cena – Divulgação-HSVPFoto - Simoni Saldanha/Fina Cena – Divulgação-HSVP
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A estenose valvar aórtica é uma doença que causa o estreitamento da abertura da válvula aórtica, obstruindo o fluxo de sangue do ventrículo esquerdo do coração para a aorta e acomete especialmente pacientes a partir dos 75 anos de idade. O tratamento convencional é com cirurgia aberta e troca da valva. Porém, existe uma técnica minimamente invasiva, na qual uma valva aórtica é implantada com o uso de cateteres, sem necessidade de cirurgia com abertura do tórax, chamado de Implante Valvar Aórtico Transcateter, ou TAVI. Inicialmente, em 2008, no Brasil, o procedimento foi indicado para pacientes com alto risco de morte para cirurgia convencional. Com resultados acima do esperado, o procedimento foi aprovado nos Estados Unidos e Europa, também para os pacientes de baixo risco. A técnica tem diminuído a mortalidade e aumentado a qualidade de vida de pacientes. No Brasil estima-se que de nove milhões de pessoas com mais de 70 anos, 3% terão a doença, e que acima de 85 anos, 4% venham a desenvolvê-la.

No mundo e em Passo Fundo

Em 2002 foi realizado o primeiro TAVI no mundo. Em 2008, a técnica foi introduzida no Brasil, no Hospital Albert Einstein, pelo médico alemão Prof. Dr. Ebehart Grube, da Universidade de Bonn, referência mundial em TAVI. Em Passo Fundo, no Hospital São Vicente de Paulo, o primeiro procedimento foi realizado em 2010, pelo médico cardiologista do HSVP, Dr. Rogério Tumelero e o Dr. Ebehart Grube. “Este não é um tratamento para ser realizado em todas as instituições nem por todos os médicos, porque é um procedimento de alta complexidade, que exige além de um treinamento médico altamente específico, uma estrutura institucional com disponibilidade de suporte multidisciplinar dedicado à técnica como: profissionais das especialidades relacionadas aos diagnósticos do paciente, exames de imagem com técnicas desenvolvidas para esse procedimento além dos cuidados de terapia intensiva”, explica. Hoje, no Brasil, poucos centros são credenciados e certificados para a realização desse procedimento.

Treinamento

O Hospital São Vicente, em 2015, tornou-se o sétimo centro no país autorizado pela SBHCI no treinamento de profissionais para realização do TAVI e completa em outubro, 10 anos de realização desta nova técnica. Nesse período, aproximadamente 40 profissionais do país foram habilitados. Conforme Tumelero, o Hospital tornou-se referência devido à reprodutibilidade da técnica utilizada nos estudos internacionais, estrutura hospitalar compatível com a complexidade da nova terapia, resultados e participação em eventos nacionais e internacionais associado à produção científica.

Dez anos

Nos 10 anos de realização dessa nova terapia na instituição, 130 procedimentos foram realizados e aproximadamente 300 casos foram discutidos de forma multidisciplinar pelo Heart Team. O HSVP está entre os oito hospitais do país em número de avaliações e atendimento destes casos. Os pacientes são acompanhados durante cinco anos com todos os dados de evolução os quais são inseridos no Registro Brasileiro sobre TAVI. No seguimento dos pacientes, o retorno às atividades habituais e o convívio social com seus familiares e a sociedade é extremamente gratificante. O tratamento, segundo os estudos realizados nos Estados Unidos e Europa, demonstra ser a terapia mais nova e uma das únicas a reduzir a mortalidade nessas taxas comparada com outros tratamentos. Tumelero pontua que a diferença e benefícios estão largamente documentados nesses trabalhos.

Heart Team

No HSVP, o Centro de Estudos de Doenças Cardíacas, Estruturais e Valvares possui uma equipe multidisciplinar para que os casos de indicação de TAVI sejam avaliados e discutidos. “Os médicos que compõem o CEDEVALV - denominado mundialmente de Heart Team, são cardiologistas clínicos, cirurgiões cardíacos, cardiologistas intervencionistas, nefrologistas, pneumologistas, neurologistas, clínicos, radiologistas e demais especialidades convidadas para definir a melhor terapêutica para cada paciente”, explica Tumelero. Os estudos produzidos possuem a participação do gerente de Ensino e Pesquisa do HSVP, Dr. Alexandre Tognon, sobre a TAVI, são publicados e citados em revistas nacionais e internacionais, uma vez que a equipe realiza pesquisa clínica há quase duas décadas, além do suporte para teses de conclusão de cursos, mestrado e doutorado. “A equipe do HSVP fornece suporte técnico para equipes em todo o Brasil e em vários países da América Latina”.


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