A pandemia na visão de quem sai e na perspectiva de quem assume

Ex-secretária da Saúde Carla Gonçalves e a atual, Cristine Pilati, analisam o momento atual e a expectativa da vacinação

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Carla Gonçalves (à esquerda) e Cristine PilatiCarla Gonçalves (à esquerda) e Cristine Pilati
Carla Gonçalves (à esquerda) e Cristine Pilati
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O último ano da gestão de Carla Beatrice Gonçalves à frente da Secretaria Municipal de Saúde foi marcado pela chegada da pandemia do novo coronavírus. A pasta ficou no centro do enfrentamento à doença. “Um grande desafio que possibilitou aprendizados técnicos e pessoais pelo trabalho em equipe e parceria com os trabalhadores da rede de saúde e de toda a prefeitura”, avaliou a ex-secretária.

Enquanto Carla se despedia da pasta, a cidade enfrentava um momento crítico. Em dezembro foram confirmados 28% do total de casos da cidade em todo o ano passado. O momento é o mais grave de toda a pandemia, de acordo com a ex-secretária. "A velocidade de transmissão é superior ao mês de agosto, os riscos associados ao grande número de pessoas infectadas tem desdobramentos em uso de leitos clínicos, leitos de UTI e óbitos. Além disso, algumas pessoas ficam com sequelas que demandam atendimentos em saúde”, explica Carla.

Os casos chegaram a diminuir na cidade entre setembro e outubro, no entanto voltaram a subir exponencialmente no final de novembro. “As causas se devem ao fato das pessoas não estarem mais observando as medidas de distanciamento”, aponta a ex-secretária.

Desde 1º de janeiro a médica infectologista Cristine Pilatti está à frente da Secretaria de Saúde. A nova secretária concorda que este momento é o mais delicado. “Além do aumento dos casos, os profissionais da área da saúde estão muito sobrecarregados e cansados. São dez meses de atendimento intenso. O enfrentamento diário à pandemia, o medo de ficar doente ou levar a doença para a família e a carga psicológica estão elevadíssimos”, lembra a médica.

Durante o primeiro semestre deste ano pouca coisa deve mudar na rotina da população. “Para controle da pandemia é necessário que aproximadamente 70% da população desenvolva anticorpos contra a doença. A vacinação será muito importante para que isso aconteça”, explica a infectologista. A vacinação em todo o país depende da aprovação da Anvisa e a Secretaria aguarda a liberação para dar início ao plano. “Possivelmente no primeiro semestre de 2021 ainda estaremos com várias pessoas doentes, por isso, as medidas de higiene respiratória, o uso de álcool gel e o distanciamento social controlado devem ser respeitados com muita responsabilidade por todos”, afirmou Cristine.

A vacinação contra o coronavírus será um dos desafios da pasta neste ano. “O município tem estrutura para a realização de vacinação e o plano está sendo elaborado pela nova gestão”, afirmou a ex-secretária. Passo Fundo possui 25 salas de vacinação e pode haver ampliação dos postos de vacinação para a vacinação da população alvo, de acordo com Cristine.

Enquanto a vacina não chega, outras ações estão sendo adotadas. Uma delas é a criação de um segundo local para atendimento de casos de Covid-19 no Cais Boqueirão. “A segunda ação já em elaboração, é o Plano Municipal de Operacionalização contra a COVID-19, levando em conta a nossa rede municipal para logística de recebimento das vacinas e aplicação na população prioritária. Também estamos priorizando para que os medicamentos prescritos estejam à disposição das pessoas”, disse Cristine sobre o enfrentamento à pandemia.



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