A safra agrícola na região de Passo Fundo enfrenta uma sequência de dificuldades provocadas pelas condições climáticas. O excesso de chuva e a ocorrência de geadas afetaram as culturas de inverno, enquanto as baixas temperaturas registradas nos últimos dias acenderam um alerta para as lavouras de milho, cujo plantio está praticamente concluído. O cenário exige atenção dos produtores e acompanhamento técnico para avaliar a extensão dos prejuízos e as perspectivas de rendimento.
Conforme o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, aproximadamente 70% da área cultivada com canola já foi colhida. Nas lavouras mais precoces, a produtividade média ficou entre 17 e 18 sacos por hectare, resultado que representa uma redução de cerca de 40% em relação à expectativa inicial. As perdas estão relacionadas, principalmente, às chuvas excessivas e às geadas que atingiram parte das plantações durante o desenvolvimento da cultura.
Os 30% restantes da área ainda aguardam a colheita e apresentam condições mais favoráveis. Segundo Adami, essas lavouras enfrentaram menos dificuldades durante o ciclo, e há expectativa de produtividade superior à registrada nas áreas já colhidas. A previsão é de que os trabalhos avancem nos próximos dias, dependendo das condições meteorológicas, com possibilidade de conclusão em aproximadamente dez dias.
“As lavouras que ainda faltam colher estão em melhores condições”, avalia o gerente regional, ao destacar a perspectiva de resultados mais favoráveis nas áreas restantes. Segundo Adami, alguns produtores estimam alcançar entre 28 e 30 sacos por hectare em determinadas lavouras. A projeção, contudo, ainda depende dos resultados da colheita para ser confirmada.
A diferença entre os resultados das lavouras precoces e os das áreas que ainda serão colhidas está relacionada às condições enfrentadas durante o desenvolvimento das plantas. As primeiras sofreram mais com a umidade excessiva e os episódios de geada, fatores que prejudicaram o potencial produtivo. A avaliação final da canola deverá considerar o desempenho das áreas mais tardias para dimensionar o resultado da cultura nesta safra.
Doenças ameaçam a produtividade e a qualidade do trigo
No trigo, as condições climáticas das últimas semanas também provocaram preocupação. As lavouras atravessaram uma fase importante do desenvolvimento — o enchimento dos grãos — sob excesso de umidade e períodos prolongados de céu nublado. Esse ambiente favoreceu o surgimento e o avanço de doenças, cujos sintomas já são visíveis, principalmente nas espigas.
Entre os problemas identificados estão a giberela e a brusone, doenças que podem comprometer tanto o rendimento quanto a qualidade do produto colhido. Segundo Adami, ainda não é possível calcular as perdas, pois a colheita não começou de forma significativa. Entretanto, os sinais observados nas lavouras indicam que haverá impactos.
“Ocorreu muita doença em função do excesso de umidade. Certamente, vamos ter perdas de qualidade e também de produtividade, mas ainda não dá para avaliar”, afirma Adami.
O excesso de chuva também dificultou o manejo fitossanitário. Em determinados períodos, os produtores não conseguiram realizar os tratamentos necessários, seja pela falta de condições adequadas para a aplicação, seja pela dificuldade de acesso às áreas encharcadas. Com isso, a proteção das plantas ficou comprometida justamente em uma etapa decisiva para a formação dos grãos.
A colheita do trigo deve começar de maneira mais intensa na primeira semana de novembro, avançando ao longo do mês. A expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos entre os dias 15 e 20 de novembro, conforme o ritmo das operações e as condições meteorológicas. Até lá, será necessário aguardar a entrada das máquinas nas lavouras para obter uma avaliação mais precisa da produtividade e da qualidade dos grãos.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas pelas culturas de inverno neste ano. Além das perdas quantitativas, a qualidade do trigo é um ponto de atenção, pois as doenças nas espigas podem afetar o aproveitamento comercial da produção. A dimensão dos prejuízos, no entanto, dependerá dos resultados confirmados durante a colheita.
Frio e geadas preocupam produtores de milho
Enquanto a canola e o trigo se aproximam da colheita, o milho concentra as preocupações relacionadas às culturas de verão. O plantio está praticamente concluído na região, e a maior parte das lavouras está no início do desenvolvimento vegetativo. Essa fase exige condições adequadas de temperatura e umidade para o estabelecimento das plantas.
As baixas temperaturas registradas recentemente, acompanhadas de geadas em diferentes localidades, podem prejudicar principalmente as áreas mais vulneráveis, como as lavouras instaladas em baixadas. Nesses pontos, o acúmulo de ar frio aumenta a possibilidade de formação de geada e de danos às plantas jovens.
Adami afirma que ainda será necessário avaliar os efeitos do frio sobre as lavouras. Relatos e imagens enviados por técnicos de diferentes localidades indicam a ocorrência de geadas, mas a extensão dos possíveis prejuízos ainda não foi determinada. O milho em fase inicial pode sofrer queimaduras e ter seu desenvolvimento comprometido quando exposto a essas condições.
Além das baixas temperaturas, o excesso de chuva também dificulta o estabelecimento adequado da cultura. A combinação de solo úmido e temperaturas baixas não favorece o desenvolvimento inicial do milho, o que exige acompanhamento para verificar a evolução das plantas nos próximos dias.


