Um grupo de mulheres fez ontem uma manifestação silenciosa pelas filhas vítimas de violência doméstica. Casos de esposas que foram mortas pelos companheiros ou em decorrência de agressões por parte deles. As mães protestam pela impunidade de criminosos que foram condenados e permanecem fora da prisão. Conforme Maria de Lourdes Coelho Pupe, presidente da Associação das Empregadas Domésticas, o protesto quis chamar a atenção da comunidade e autoridades para a impunidade.
Movimento
A responsável pela Coordenadoria de Promoção a Igualdade Racial, Maria de Lourdes Isaias, disse que o Movimento das Mães Sofredoras reúne mulheres que perderam filhas vítimas da violência doméstica. “A violência doméstica é muito grande e muitas mulheres ficam no anonimato porque tem medo de perder o seu lar, o local para pôr os filhos”, justifica.
Audiência pública
Depois da passeata foi realizada audiência Pública sobre o tema, com presença de cerca de 150 pessoas. Conforme a responsável pela Coordenadoria da Mulher, Joselina Garzon dos Santos, as propostas elaboradas serão levadas para o Conselho da Saúde para inclusão no Plano Municipal da Saúde. “Passo Fundo é a terceira cidade com maior índice de violência contra mulher no Estado. Isso em dados registrados, fora os que não são registrados”, ressalta. Para ela a única maneira de evitar os casos é trabalhar na prevenção. A audiência foi a primeira atividade da Semana Municipal da Mulher que se estende até o dia 12.
Mães
Bernardina Zaballa, 51 anos, é mãe de Josete Zaballa, morta aos 25. Hoje completa quatro anos do assassinato. “O homem que tirou a vida da minha filha pegou 18 anos e quatro meses de cadeia. Era pra ele cumprir um terço da pena que era de seis anos e ele já está há um ano na rua tocando a vida dele. Pra minha filha não adianta mais, mas para outras mães e outros pais não virem a chorar a perda, a saudade e a dor por seus filhos”, argumenta.
A mãe de Noeli Elizabete de Assis, o caso mais recente, Genilse Barreto tem 48 anos. “Não pode continuar assim, qualquer um tirando a vida de um ser humano. Ela deixou quatro crianças. Um assassino desses, pega mais um indulto de natal e está na rua de novo para matar”, desabafa. Antes de matar a esposa incendiando a casa, ele já havia a agredido, assim como uma das filhas.
Oraide de Andrade é outra mãe que não esquece a morte da filha Cláudia de Andrade de 26 anos. O caso completa quatro anos no próximo dia 23. O assassino foi diagnosticado como portador de distúrbio psicológico e cumpre pena em uma casa de detenção psiquiátrica em Porto Alegre. Oraide tem ainda duas filhas e cuida do neto que perdeu a mãe precocemente.

