Natália Fávero/ON
O município adotou um dos melhores sistemas de coleta de lixo do país, mas lamentavelmente alguns vândalos parecem não compreender a importância dos contêineres. Na madrugada de quinta-feira, oito contentores foram queimados na área central. Um suspeito foi detido pela Brigada Militar, mas foi liberado depois de prestar depoimento no plantão da Polícia Civil. Conforme informações da empresa Contemar responsável pelo sistema, na última segunda-feira (28/02), outros dois foram queimados. Desde a implantação, há quase cinco meses, 15 equipamentos foram danificados. A empresa registrou até agora um prejuízo de aproximadamente R$ 17 mil.
Os bombeiros foram chamados às 3h30 da madrugada de ontem e só terminaram os serviços às 6h20. Para apagar o fogo, eles utilizaram dois mil litros de água. O gerente da empresa Contemar, Claudinei Costela informou que foram destruídos cinco contêineres azuis e três laranjas: um na Capitão Eleutério, um na Moron, dois na Bento Gonçalves e quatro na Uruguai. Outros dois equipamentos teriam sido incendiados na madrugada de segunda: um na Paissandu e outro na Benjamin Constant. “Essas ações de vandalismos causam uma situação de desgaste e contribui negativamente para a imagem da cidade que tem um dos melhores sistemas de coleta de lixo”, lamentou.
O gerente enfatizou que esses episódios contribuem para o atraso na instalação das papeleiras nas ruas de maior movimento, conforme prevê o projeto. O sistema implantado em Passo Fundo foi inspirado no município de Caxias do Sul e é considerado um exemplo para o resto do país. A prefeitura paga mensalmente à empresa cerca de R$ 60 mil para a manutenção. Para repor os contêineres, a Contemar gasta R$ 1,1 mil. O contrato estabelece que esse tipo de prejuízo não é repassado aos cofres públicos e, além disso, a empresa tem que substituir imediatamente os equipamentos danificados.
O prefeito Airton Dipp também lamentou a ação. “Esse ato é um absurdo. Esse novo processo de separação de lixo é um dos mais eficientes e já foi aprovado em muitas outras cidades. Por isso, não se entende o que os vândalos estão fazendo”, reclamou Dipp.
Monitoramento
O secretário do Meio Ambiente, Clóvis Alves disse que os responsáveis por essas ações poderão responder civil e criminalmente pelo dano contra o patrimônio público e ambiental. A secretaria está articulando uma parceria entre Brigada Militar, Polícia Civil e Secretaria de Segurança para identificar os criminosos.
O comandante do 3º RPMon, major Adair Zanotelli informou que a Brigada Militar já está adotando algumas providências e deverá sugerir que a empresa coloque equipamentos que não sejam feitos de material inflamável. “Estamos monitorando e alertando os policiais. Conseguimos deter um suspeito de ter colocado fogo. Ele é catador de lixo e foi encaminhado para a DPPA”, disse Zanotelli.
Ministério Público
O promotor Paulo Cirne informou que nenhum dos casos foi encaminhado para o Ministério Público.
Denuncie:
A população pode ligar para o 190 da Brigada Militar ou 197 e 181 da Polícia Civil.
Sequência de atos de vandalismo:
19/12/2010: Contêiner da Avenida Brasil é incendiado.
23/12/2010: Adolescente de 17 anos incendiou um contêiner na Avenida Brasil. O jovem foi detido em flagrante pela Brigada Militar e está respondendo por crime ambiental. A Justiça determinou o pagamento de uma multa de R$ 5 mil.
28/12/2010: Três contêineres incendiados.
30/12/2010: Cerca de dez contêineres foram virados por vândalos na rua Moron.
28/02/2011: Dois contêineres incendiados.
03/03/2011: Oito contêineres incendiados durante a madrugada.
Depredação
Conforme a Secretária de Serviços Urbanos, Mariniza dos Santos, a depredação do patrimônio público no município aumentou nos últimos meses. São registrados principalmente ações de vandalismo contra as paradas de ônibus, placas de sinalização e lâmpadas. Esse crime tende a acontecer principalmente nos finais de semana e na área central da cidade. Semanalmente são danificadas cerca de dez placas de sinalização que custam cada uma entre R$ 30,00 e R$ 50,00. “As pessoas que cometem esses atos não têm consciência que são elas mesmas que pagam o prejuízo. Poderíamos estar investindo esse dinheiro em outras melhorias”, declarou Mariniza. Outro problema citado pela secretária são as inversões de sentido das placas realizadas pelos vândalos que podem causar acidentes.
Falta educação
O psiquiatra Carlos Hecktheuer explicou que esse comportamento agressivo e de vandalismo acontece por um conjunto de fatores: disciplina familiar, desintegração ao bem comum e a falta de repressão por parte das autoridades. “Há um descomprometimento em relação ao outro. Muitas pessoas pensam que o bem público não diz respeito a si e acham que isso pertence apenas aos outros”, explicou o psiquiatra. Hecktheuer enfatiza que a educação parte da família e que a falta de repressão em casa reflete nos atos das pessoas. “Hoje em dia os pais têm medo dos filhos. Medo de ensinar e repreender por receio de ferir os sentimentos deles”, disse. As autoridades também teriam a sua parcela de culpa por não repreender de forma efetiva esses atos.

