Patrimônio público abandonado, deteriora e causa transtorno a moradores

Antiga sede da Delegacia Regional do Trabalho foi depredada e é usada como abrigo por moradores de rua e usuários de drogas

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Leonardo Andreoli/ON

O prédio que abrigava a Delegacia Regional do Trabalho está abandonado desde que o órgão se transferiu para um novo local em agosto de 2010. Na transferência de prédio, as chaves e a responsabilidade do espaço desocupado passaram para a Superintendência do Patrimônio da União de Porto Alegre. O órgão ficou responsável por encontrar um novo ente – federal, estadual ou municipal – para ocupar o espaço. Até o momento ele continua vazio.

Sem manutenção, o mato cresceu e moradores de rua ocupam o lugar como abrigo. Os vizinhos estão preocupados com a situação. Eles relatam brigas, barulho, consumo de drogas além de assaltos em residências. O prédio já havia sido solicitado pela Secretaria Municipal de Educação para a instalação do Centro Municipal de Assistência ao Educando (Cemae) ainda no final do ano passado. De acordo com Assessoria de Imprensa da Prefeitura, há cerca de um mês a Superintendência confirmou a transferência do imóvel para o município. Os documentos deverão ser entregues nos próximos dias. A Prefeitura ainda não definiu o que irá funcionar no local.

Destruição

Já na fachada do prédio é possível ver a destruição causada pelo abandono. Fileiras inteiras de janelas estão com as vidraças quebradas e cacos de vidro estão espalhados por todos os lados. Para entrar, os moradores de rua retiraram as proteções das entradas de ar condicionado. Pelo chão estão espalhadas peças de roupa, garrafas de bebida, lâmpadas e louças sanitárias. Nas paredes, marcas de sujeira, sangue e até uma inscrição “te amo mais vou te deija (sic)”.

Grávida de gêmeos

Um casal de moradores de rua diz que ocupa o local a pouco mais de uma semana. O homem de 37 e a mulher de 43 anos dormiam no altar da pátria do Parque da Gare antes de encontrar o prédio abandonado. Eles, que preferem não se identificar, dizem que apenas os dois estão no local. Para entrar, precisam pular por uma abertura que era utilizada por um aparelho de ar condicionado. A mulher está grávida de gêmeos. Ela conta que veio de São Sebastião do Cai buscar emprego em Passo Fundo, mas não encontrou. Ela conheceu o atual companheiro, natural daqui, e estão juntos há algum tempo.
A gravidez está no quarto mês e ela diz que faz o acompanhamento no CAIS da Vila Luiza. No próximo mês ela deve fazer exame para determinar o sexo dos bebês. “O pessoal da vizinhança ajuda a gente. Deram roupa, comida, colchão. Todo o lixo a gente leva pra fora e cuida do lugar que a gente fica”, conta a mulher. O espaço que eles utilizam é um dos poucos em que as janelas estão inteiras. O homem diz que espera alguns documentos ficarem prontos para procurar um emprego. Atualmente, na informalidade, ele diz que trabalha puxando carrinhos em um supermercado da cidade.

Contradição
Os moradores da região também não querem se identificar, mas contam uma história bem diferente da do casal. Segundo os vizinhos do prédio, várias pessoas frequentam o local durante a noite. Eles relatam brigas e barulho. A polícia já foi acionada várias vezes. Segundo os moradores eles apenas passaram pelo local, mas não tomaram nenhuma providência para a retirada das pessoas.  “Eles fazem quebra-quebra, quebram os vidros, tiram o alumínio das janelas para vender. Esses dias um saiu com uma braçada de peças de alumínio”, conta um morador que se sente inseguro com a situação.
Uma residência foi arrombada durante o dia. A moradora conta que o assalto aconteceu logo após a morte do cachorro que cuidava do pátio. “Eles levaram computador, algumas roupas e outras coisas. Eles nem sabiam o valor do que estavam levando, pegaram coisas que não tinham valor nenhum. Podiam ter levado muito mais. Não tinha ninguém em casa”, conta a senhora que prefere o anonimato por medo.

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