Lei que regulamenta a profissão dos caminhoneiros foi pauta de reunião realizada pelo Comitê da vice-presidência de Infraestrutura e Logística da Acisa,na manhã de ontem (07). O encontro contou com a presença do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Passo Fundo e Sindicato das Empresas de Transporte de Cargade Passo Fundo (Setracap). Um debate envolvendo os representantesda categoria, das transportadoras e de autoridades da Justiça do Trabalho deverá ser realizado no final do mês no município.O vice-presidente de Infraestruturae Logística, Dimas Froner, explicou que em Passo Fundo 90% das transportadoras receberam as cargas com atraso, principalmente nos dois primeiros dias de greve. “A mobilização provocou um efeito cascata na semana passada afetando as transportadoras, as empresas e o consumidor. Hoje, a situação já está praticamente normalizada”, disse Froner.
No entanto, a Lei que regulamenta a jornada de trabalho para motoristas profissionais não agrada a categoria. A legislação prevê descanso de 11 horas entre duas jornadas e a parada de 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas. Para alguns caminhoneiros isso é inviável. Froner concorda com a regulamentação da jornada de trabalho dos caminhoneiros, mas o problema é que faltou um debate mais amplo. “É preciso haver uma flexibilidade maior sem prejudicar os caminhoneiros e empresas”, ressaltou Froner. O evento que será realizado em Passo Fundo ainda está sendo planejado, mas ocorrerá em breve. “Vamos fazer um debate para saber como as empresas e categoria devem se comportar perante essa lei”, disse Froner.
Mesa de negociações iniciará hoje
A greve dos caminhoneiros foi suspensa no dia 31 de julho após negociação entre governo federal e representantes da categoria. O primeiro ponto do acordo foi a constituição de mesa de negociações, que começará no dia 8 de agosto, com prazo de 30 dias para discutir e dar encaminhamento às reivindicações da categoria. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) fará nos próximos 30 dias fiscalização educativa sobre a Lei 12.619/2012. O objetivo é dar mais tempo para que os caminhoneiros se acostumem com as novas regras.
Empresa ainda sente reflexoda greve
Um estabelecimento comercial localizado no centro de Passo Fundo ainda sente o reflexo da greve dos caminhoneiros. Caminhões que realizam o transporte dos produtos não puderam sair da fábrica até o final da mobilização. Isso atrasou o processo de logística.
O proprietário da loja, Márcio Pruss, disse que a greve coincidiu justamente com uma data importante para o comércio que é o Dia dos Pais. Aliado a isso, e ao processo de logística da empresa, o atraso já é de uma semana. “As pessoas entram na loja e saem porque os produtos estão em falta. Estimo que o prejuízo seja de 20%. Estamos perdendo de vender”, salientou Pruss.

