Feira do Livro teve queda de público e de vendas

Com estrutura mais enxuta, numero de livrarias e de expositores participantes foi menor nesta edição

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O balanço da 26ª Feira do Livro de Passo Fundo mostrou  um encolhimento do evento  em relação à edição passada, nos quesitos estrutura, público e vendas. Mesmo com tempo bom durante os nove dias da Feira, a estimativa é de que  aproximadamente 85 mil pessoas tenham visitado os estandes e acompanhado as apresentações culturais. Em 2011, o número anunciado pela comissão organizadora foi acima de 100 mil.

Na falta de  um mecanismo,  (venda de ingressos ou catraca), para quantificar o público de maneira precisa, os dados são baseados em estimativas. “Estamos tentando chegar o mais perto do real” justifica a presidente da Associação dos Livreiros de Passo Fundo (ALPF), Vânia Rita Grazziotin.

Homenageando o poeta gaúcho Mário Quintana,  e com a temática Os livros mudam as pessoas e essas transformam o mundo, a opção da coordenação por palestras direcionadas em temáticas como, planejamento financeiro pessoal e vivências saudáveis das emoções, não prendeu  a atenção dos adultos. Com espaço para 350 lugares, a programação das 19h30, teve entre 50 a 120 expectadores. Situação bastante diferente da programação realizada durante o dia, quando estudantes das redes municipal, estadual e particular disputavam cada espaço diante do palco.

Não foi apenas o público que encolheu na 26ª edição. A estrutura da feira também estava mais enxuta. As livrarias foram reduzidas de 12 para oito, sendo três delas voltadas para publicações religiosa (católica e espírita), e uma da  filosofia Seicho-No-Ie. O número de expositores caiu de 14 para apenas quatro.  “Tivemos o fechamento da Cultural, além da compra da livraria da UPF pelo proprietário de outro estabelecimento do ramo” justificou Vânia.

Com menos pessoas circulando, e opções de títulos mais limitadas, as vendas também reduziram. Segundo a organização, foram comercializadas entre 35 a 38 mil livros, quase 15 mil a menos em relação à edição passada, mesmo com descontos de até 15%.O levantamento, conforme a organização, é feito diariamente através da contabilidade repassada pelos livreiros.

Na avaliação da presidente da APLPF, fatores como a abertura do evento no sábado, em pleno feriado de finados, e a realização de eventos paralelos dividiram o público. “No primeiro final de semana, muita gente havia viajado. Anteriormente, já convivíamos com a Fresol, mas este ano tivemos também a Expoacisa na mesma data, isso influência” afirma Vânia.

Estratégia

Já a realização no mesmo período da Feira do Livro de Porto Alegre, faz parte da estratégia para baratear os custos. Principalmente de passagens aéreas, uma vez que muitos escritores participam do evento na Capital e também em Passo Fundo.  Com um orçamento de R$ 150 mil, sendo R$ 50 mil repassados pela Prefeitura Municipal, e o restante captado através de patrocinadores, Vânia vê o valor como um dos obstáculos para atrair escritores conhecidos do grande público.  “Nossos convidados receberam cachês simbólicos. A preocupação da organização foi focar a programação para as crianças e adolescentes” afirmou a coordenadora. Primeiro ano no comando da Feira, Vânia  reconhece a diferença nos números, mas diz que a avaliação é positiva. Ela destacou o interesse das crianças pelos livros e espetáculos encenados durante o evento. Para a próxima edição, ela projeta aumentar para 700 lugares a área do palco.

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