Lixão vira indústria de reciclagem

Aterro sanitário de Passo Fundo ganhou investimento de R$ 1,2 milhão. Recicladores recebem melhores condições de trabalho, resíduos são mais aproveitados e a estimativa é para que o volume de produção aumente em 300%

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O aterro sanitário de Passo Fundo é um novo espaço. Mal lembra a precariedade registrada nos últimos anos. As mudanças são percebidas em todos os cantos: no portão de entrada, no pátio e principalmente no galpão de triagem dos resíduos. A empresa Reuse Brasil que está administrando o local deu uma cara nova ao local que parecia não ter solução. Foram construídos três pavilhões novos e instalados um conjunto de cinco esteiras, abridor automatizado de sacolas de lixo e um separador de materiais recicláveis e rejeitos. Os maiores beneficiados com a nova estrutura são os associados da Recibela, que a partir de hoje, passam a ter melhores condições de trabalho e deverão atingir nos próximos meses a maior renda desde a criação da associação.

O novo processo de reciclagem do aterro sanitário e as melhorias na infraestrutura do local foram apresentados na tarde de sexta-feira (11) à imprensa pela empresa Reuse Brasil que foi contratada pelo município em junho do ano passado para administrar o local. Conforme o diretor da Reuse Brasil, Cleber Bordignon, o lixão de Passo Fundo foi transformado em uma indústria de reciclagem. “Os equipamentos instalados são pioneiros no país e foram desenvolvidos pela própria empresa atendendo a Política Nacional de Resíduos Sólidos que prevê a utilização da mão de obra de recicladores. A ideia é retirar os catadores das ruas que trabalham em situação de risco e expostos ao tempo, profissionalizá-los e trazê-los para dentro destes pavilhões para que eles ganhem sua renda”, explicou Bordignon.

O novo processo de reciclagem possibilita um menor contato dos recicladores com o lixo orgânico e possibilita uma maior eficiência no sistema. Os resíduos que chegam ao pavilhão de triagem são encaminhados para o equipamento que abrirá as sacolas, depois passarão pelo separador de materiais recicláveis e rejeitos. Os rejeitos são levados pela esteira direto para o caminhão e os recicláveis são encaminhados para um silo e cairá em outra esteira onde serão triados pelos recicladores. O lixo descarregado no aterro agora não fica mais exposto ao tempo. Uma cobertura foi construída na entrada do aterro e na parte de descarte dos resíduos. Isto evitará a infiltração no solo e a geração de chorume. 

Atualmente, das 140 toneladas de lixo produzidas no município, cerca de 120 são levadas para os aterros de Minas do Leão e de Marau. Com o novo sistema haverá uma redução de lixo sendo encaminhado para fora de 15%.

O diretor de projeto da Reuse Brasil, Dirnei Ferri, salientou que o perfil do aterro mudou priorizando a humanização no processo de reciclagem. Ferri lembrou que quando a empresa assumiu a operação do aterro, os recicladores sofriam com os problemas operacionais como quebra de esteira e precariedade da estrutura. “O volume de produção era de 30 toneladas por mês e eles ganhavam cerca de R$ 600,00. Hoje estão ganhando aproximadamente R$ 1,4 mil e até o final de fevereiro deverão produzir 120 toneladas. Também queremos aumentar de 27 associados para 40”, disse Ferri.

O projeto da empresa para o aterro consiste em quatro fases: processamento de resíduos, tratamento de resíduos orgânicos, aproveitamento do material e industrialização dos resíduos. Neste momento, a empresa está concluindo a primeira fase com investimento de R$1,2 milhão. A ideia é implantar as demais etapas em dois anos com investimento de R$ 10 milhões.

Ansiosos e felizes com a tecnologia

Os recicladores receberão capacitação da empresa e deverão iniciar os trabalhos nos novos equipamentos neste sábado (12). Eles estão ansiosos e surpresos com a tecnologia. Dona Marli Branco cansou de catar lixo nas pilhas de lixo e hoje está encantada com o novo processo de reciclagem. “Espero nunca mais subir nas pilhas de lixo e trabalhar no tempo. Nunca imaginava que este lugar fosse mudar. Estou ansiosa em começar a trabalhar e estou muito feliz”, declarou a recicladora.

 

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