"Precisamos mudar esta cultura do herói que existe em nosso país"

Dira Gonzaga falou para 450 estudantes do Cecy Leite Costa sobre as armadilhas do trânsito

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Criada por Diza há 18 anos, Fundação Thiago Gonzaga conta com mais de 20 mil voluntáriosCriada por Diza há 18 anos, Fundação Thiago Gonzaga conta com mais de 20 mil voluntários
Criada por Diza há 18 anos, Fundação Thiago Gonzaga conta com mais de 20 mil voluntários
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Desde que perdeu o filho em um acidente de carro, há 18 anos, ela trava uma luta diária para evitar que outras pessoas tenham o mesmo destino no trânsito das cidades e estradas do país. De passagem por Passo Fundo, onde participou do 9º Congresso Médico, Diza Gonzaga aproveitou a brecha na agenda para palestrar ontem à tarde na escola Cecy Leite Costa. 

Os cerca de 450 alunos do turno da tarde lotaram a quadra de esporte para ouvir o relato de vida e os conselhos de Diza. Ao lado do marido Régis, ela é responsável pela Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, criada em maio de 1996. A entidade leva o mesmo nome do filho, morto em 20 de maio de 1995. O jovem, que uma semana antes havia completado 18 anos, retornava de uma festa na carona de um carro que se chocou contra um contêiner colocado irregularmente em uma avenida, em Porto Alegre. “Naquela noite, ele saiu levando o cartão telefônico de um taxista para retornar de táxi, mas resolveu pegar uma carona furada” lembrou. Em resposta ao questionamento de uma aluna sobre o sentimento da perda do filho ela declarou. “É uma inversão da ordem natural da vida. É uma grande sacanagem, deveria ser proibido” disse emocionada.

Diza entregou à direção da escola o livro “Thiago Gonzaga – Histórias de Uma Vida Urgente”, lançado em 1996, junto com o programa Vida Urgente. A obra resgata a história de Thiago a partir de depoimentos de amigos, do pai, e de alguns relatos dos 18 anos vividos pelo filho. Sobre as borboletas pintadas nas ruas e rodovias onde pessoas perderam a vida no trânsito, uma iniciativa do programa Vida Urgente, a ativista afirma que elas representam cicatrizes brancas no asfalto.
Falando a linguagem dos jovens, onde diz se sentir em casa, durante a palestra a ativista insistiu numa tecla que julga ser fundamental para mudar a realidade de violência no trânsito.

“Estes estudantes estão numa idade que logo vão começar a sair, pegar carona, começar a dirigir. Eles precisam saber que não são imortais, embora pareçam em razão da pouca idade. Os heróis estão voltando para casa em caixões fechados. O que posso dizer é que amigo de verdade não deixa o outro dirigir depois de ingerir bebida alcoólica, amigo de verdade não deixa o outro embarcar em carona furada, tampouco, aceitar provocação na saída de festa. Temos de mudar esta cultura do herói que existe em nosso país” afirma.

Nas quase duas décadas de existência, a Fundação desenvolve uma série de projetos e programas, entre eles espetáculos teatrais sobre a temática, com peças para públicos de diferentes idades. Durante este período, a bandeira da prevenção foi ganhando novos simpatizantes. A Thiago Gonzaga conta hoje com mais de 20 mil voluntários.

Um trabalho que, segundo Diza, já reflete nas estatísticas. “Na grande Porto alegre, o índice de morte a cada final de semana no trânsito era de sete pessoas, hoje caiu para duas, um dado ainda trágico, mas que felizmente vem caindo” afirma.  

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