Repetição
A reedição do segundo turno entre o PT e o PSDB demonstra que não há força política fora dos grandes partidos capaz de romper o ciclo de polarização de quase 20 anos. Bem que Marina Silva tentou quebrar a sequência, via PSB. Mas, a desconstrução da sua imagem durante a campanha abateu a candidata, que não encontrou forças para uma reação em tempo. Em Passo Fundo, a presença de Beto Albuquerque como candidato a vice não foi o suficiente para sensibilizar o eleitorado local. Marina ficou em terceiro na disputa embora o percentual de votos conquistados aqui foi maior do que na eleição de 2010, quando ela disputou a presidência pelo PV. Na eleição passada ela fez no município 11.990 votos e neste ano, saltou para 18.265.
Democracia
No entendimento de especialistas essa polarização não é de todo ruim, pois mostra que partidos fortes e institucionalizados dão solidez a democracia no país. Por outro lado, o resultado do primeiro turno da eleição faz supor que, sim, a sociedade quer mudanças, mas não quer mudar radicalmente como indicavam os protestos de julho do ano passado. O eleitorado prefere mudar, sem arriscar. É conservador ou trata a mudança anulando o votando em branco, do tipo: lavo as minhas mãos.
Voto local
Não adianta as entidades de classe como Acisa, CDL, Sinduscon, Sincomércio, instituições como UPF e Imed e os veículos de comunicação abraçar o voto local para candidatos que são de Passo Fundo, se os próprios partidos políticos não acreditam na ideia. A prova está nos números desta campanha. Ficaram abaixo do registrado em 2010 (veja matéria página 7). O desabafo do deputado Diogenes Basegio, confirmado por Luiz Miguel sobre o abandono do PDT durante a campanha se reflete também em outros partidos. O PMDB, por exemplo, indicou quatro candidatos por Passo Fundo. O PT trabalhou para vários candidatos e não apenas por Rene Cecconello.
Radiante
O PCdoB está radiante com a entrada de Juliano Roso em uma das vagas na Assembleia Legislativa. “É um fato histórico para Passo Fundo e região”, disse ontem o presidente Emerson Broto. O partido comemora ainda mais porque os mais de 12 mil votos dentre os 17 mil conquistados pelo vice-prefeito, partiram do eleitorado local.
Frase
“Como gaúcho, não sou homem de levar desaforo para casa, nem de esquecer calúnias e vilanias como as que foram criadas contra a nossa campanha. Não vamos entrar no jogo do me engana que eu gosto”. Beto Albuquerque durante coletiva ao lado de Marina Silva.
Mais
Osvaldo Gomes, PP, mostra que continua bom de voto. Considerando que mudou de partido, fez uma campanha modesta, com pouco material na rua e disputou com centenas de candidatos de todas as partes ele fez mais de 25 mil votos, sendo 21 mil só em Passo Fundo.
Menos
A surpresa negativa ficou por conta de Márcio Tassi, PTB. Por ser candidato preferencial da Polícia Rodoviária Federal, vereador de quatro mandatos, os mais de 4 mil votos obtidos não refletiram a própria expectativa.
Reforma
As pesquisas eleitorais bem que podiam estar na pauta da Reforma Política, tão necessária ao país.

