Passo Fundo pode enfrentar uma epidemia de dengue nos próximos meses. É o que afirma o médico infectologista do Hospital São Vicente de Paulo, Gilberto Barbosa. “Existe essa possibilidade, sim”, diz. “Nós temos muitos locais com o mosquito transmissor, então a probabilidade disso se tornar uma epidemia não é desprezível”. Em 2015, foram registrados cerca de 800 focos dos mosquitos Aedes aegypt e Aedes albopictus no município, de acordo com o Núcleo de Vigilância Ambiental em Saúde do município.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera epidemia quando um local registra ao menos 300 casos a cada 100 mil habitantes. Para o médico, além do número alto de focos do mosquito, algumas características da cidade alertam para o aumento de casos da doença em 2016. “Frequentemente circulam pessoas com dengue em Passo Fundo, que vieram de várias cidades, da região norte ou e mesmo de outros estados”. O primeiro caso de dengue registrado neste ano no município acompanha esse quadro. Uma mulher de 61 anos contraiu a doença em visita a familiares no Paraná, em dezembro, e foi diagnosticada com o vírus em Passo Fundo, dias depois.
O coordenador da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, Douglas Kurtz, não acredita numa epidemia da doença neste momento. “Não trabalhamos com essa possibilidade”, diz. “Se a gente não trabalhasse para controlar o mosquito, isso poderia existir, com certeza. Mas estamos trabalhando intensamente nisso”. Para Kutz, a quantidade de focos do mosquito não é, necessariamente, negativa. “Com certeza é um número alto. Mas, a gente faz duas leituras. Temos um número alto de foco, mas ao mesmo tempo a gente tem a certeza que o trabalho está sendo realizado. Seria preocupante numa situação que fosse inversa. Se houvesse poucos focos, o serviço não estaria sendo feito”, pontua.
Segundo coordenador, o trabalho dos 30 agentes de endemias e dos agentes comunitários de Saúde de Passo Fundo tem encontrado apoio dos moradores. “Temos percebido a conscientização da população. A gente percebe que estão denunciando, a população está procurando fazer o trabalho”, ponta.



