Móveis e eletrodomésticos empilhados uns sobre outros. Na parede, a mancha de lama, de aproximadamente dois metros de altura, servia como régua para indicar o nível atingido pela água. No pátio, blocos de concreto e ferros retorcidos obstruíam a entrada da garagem. Assim amanheceu a segunda-feira, na residência do casal Mendes, na rua Uruguai, nº 203, bairro Boqueirão. Os estragos foram provocados pela forte chuva que atingiu Passo Fundo no final da tarde de sábado. Conforme o observatório meteorológico da Embrapa Trigo, em apenas 20 minutos foram registrados 20 milímetros de água. Apesar dos danos em vários pontos da cidade, ninguém ficou ferido.
“Estávamos eu, meu marido e uma das minhas filhas tomando chimarrão na cozinha, quando escutamos um forte estrondo. Corremos até a porta e vimos que o muro havia caído” conta Ildes Mendes, 71 anos. Alguns segundos depois, a água já havia inundado a garagem, no subsolo da residência, e ameaçava o andar de cima. “Foi tudo muito rápido, se tivesse alguém lá, dificilmente escaparia” observa Alfredo Barbosa, 81.
O aposentado suspeita de que o lixo trazido da parte alta da rua pela água, tenha provocado entupimento do bueiro em frente à residência. “Sem ter para onde escoar, a água acumulou no terreno baldio ao lado. Com a pressão, derrubou o meu muro e invadiu a garagem, trazendo muita lama” revela. Em poucos segundos, o local, utilizado para refeições e lavanderia, estava totalmente destruído. “Eu sempre limpava o bueiro, sabia que poderia ocorrer algo assim, depois que o proprietário do terreno ao lado derrubou o muro da frente para nivelar o solo. O muro poderia evitar o acúmulo da água” lamentou Mendes.
Máquina de lavar roupa, freezer, micro-ondas, mesa, cadeira e ferramentas, ficaram submersos. Um armário com documentos, álbuns de família e outros objetos pessoais se perdeu na lama. “ Ficaram boiando. Á água encobriu quase o segundo lance da escada” descreve Ildes. Voluntários da Defesa Civil trabalharam durante toda a madrugada para escoar a água, utilizando um motor. A família ainda não havia calculado os prejuízos. A chuva também provocou alagamentos e quedas de árvores em diversos pontos da cidade. Na rua Pulador, bairro Independente, a água deslocou os paralelepípedos, impossibilitando a passagem de veículos. Morador do local, o sargento da Brigada Militar, Marco Aurélio Pires de Oliveira, disse que precisa desviar o caminho pelo bairro Cohab para poder sair de casa.
Metade da média
Segundo o observador meteorológico da Embrapa Trigo, Ivegdonei Sampaio, entre o final da tarde de sábado e o domingo, o volume de chuva foi de 100 milímetros. A média para todo o mês é de 190mm. Somente durante os 20 minutos de chuva no sábado, cada minuto caiu um litro de água por metro quadrado, seguido de ventos de 60 km/h. Conforme Sampaio, a temperatura não passará dos 26º graus até quinta-feira em razão dos ventos de quadrante sul. “Eles são responsáveis por esta temperatura de outono” explica. O tempo deve permanecer instável com pancadas de chuva.


