Pelotão quase extinto

Efetivo do departamento hipo da Brigada Militar conta com apenas cinco policiais, dois deles já têm tempo para aposentadoria

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Breno Ubiratã Leão: ?EURoeSaber que tudo isto pode terminar é muita dor no coração?EUR?Breno Ubiratã Leão: ?EURoeSaber que tudo isto pode terminar é muita dor no coração?EUR?
Breno Ubiratã Leão: ?EURoeSaber que tudo isto pode terminar é muita dor no coração?EUR?
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O comando do 3º RPMon garantiu ontem, que cavalos do pelotão hipo de Passo Fundo não serão leiloados, como ocorreu no início desta semana na Brigada Militar de Ijuí e Cruz Alta. A venda de 15 animais utilizados no patrulhamento se deu em razão da falta de efetivo, um problema que atinge a Brigada Militar em todo o Rio Grande do Sul.
Em Passo Fundo, o pelotão que dá nome ao regimento, agoniza. O setor que chegou a ter em suas fileiras 37 homens, conta atualmente com apenas cinco. Destes, dois deles já têm tempo de aposentadoria. “Não dá nem para falar. É uma tristeza muito grande. Eu ajudei a erguer os alicerces e as paredes destas baias. Saber que tudo isto pode terminar é muita dor no coração”. O desabafo é do tenente da reserva e voluntário dos inativos, Breno Ubiratã Leão. Dos seus 61 anos de idade, pelo menos 28 deles dedicados ao comando do pelotão.
Segundo ele, o desmonte foi gradativo, mas se intensificou a partir de 2013. Com a escassez de pessoal, o pelotão praticamente deixou de realizar o policiamento diário pelas ruas da cidade. “ A situação é tão critica que não temos pessoal nem para participar do tradicional desfile de 20 de setembro” comentou um PM.

Comandante do Regimento, o tenente-coronel, Ricardo Alex Hoffmann, reconhece a dificuldade, mas diz que o pelotão será mantido. “Não estamos pensando em leiloar nossos cavalos. Até porque faz parte do histórico deste Regimento, sempre teremos cavalos aqui.” afirma. Segundo ele, o pelotão continua sendo acionado para atuar em situações específicas, como jogos de futebol ou outros eventos com grande concentração de público. Hoffmann garantiu que o hipo estará no próximo desfile. “Temos condições de colocar 10 homens montados na avenida” afirmou.
Somente na estrutura montada no 3º RPMon existem atualmente 19 equinos, com uma média de aproximadamente 10 anos. O restante do plantel é mantido na fazenda da Brigada, às margens da BR 285, saída para Lagoa Vermelha. Com a experiência de quase três décadas na função, o tenente Ubiratã não exita em falar da importância do policiamento montado. “O animal impõe respeito, facilita a atuação em locais abertos. Enquanto uma viatura tem vida útil de aproximadamente seis anos, o cavalo dura 15 na ativa. Um setor complementa o outro” compara.
A redução do efetivo também teve reflexos no Centro de Treinamento e Reprodução Equino e Programas Agroflorestais Sustentáveis. O projeto iniciou em 2004, na fazenda da Brigada, com a intenção de suprir a demanda de animais para o pelotão de Passo Fundo. “Foram produzidos mais de 100 equinos de lá para cá. Como a demanda reduziu, o número baixou. É uma questão de necessidade” explicou o veterinário da BM, tenente-coronel, João Ignácio do Canto. Ele disse ainda que todos os animais usados nas patrulhas foram submetidos a testes recentes para verificação do mormo (doença infectocontagiosa causada por uma bactéria) e os resultados foram todos negativos.

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