OPINIÃO

Financiamento corrigido pela inflação: optar ou não?

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Importantes medidas para estimular a economia foram anunciadas recentemente pelo governo federal. Mais uma vez com impactos diretos no mercado imobiliário, as novas regras anunciadas pelo pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, já estão em vigor e pretendem reduzir as taxas de juros dos financiamentos através de linhas de crédito indexadas ao IPCA, índice oficial da inflação no Brasil.

 

Tratam-se de novas opções ligadas ao Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que contempla o financiamento de imóveis de até R$ 1,5 milhão e até então possuía taxa de juros de no máximo 12% ao ano. Com a nova proposta, além das opções já existentes que utilizam a Taxa Referencial (TR), o sistema também está disponibilizando linhas corrigidas pelo IPCA, com taxas fixas reduzidas.

 

O grande questionamento, no entanto, gira em torno do quanto as novas opções podem ser mais vantajosas ao cliente, visto todo histórico dos dois parâmetros. Se por um lado a TR é definida pelo Conselho Monetário Nacional e permanece zerada desde o último ano, o IPCA, que hoje se encontra em 3,22%, varia conforme o comportamento do mercado e por isso possui uma probabilidade maior de oscilação. Exemplo dessa diferença é que nos últimos 10 anos, o percentual da TR não ultrapassou os 2,01%, enquanto o IPCA foi a 10,67% somente em 2015, segundo dados do Banco Central e do IBGE. Porém, as projeções são mais otimistas para o índice deste ano. Conforme divulgado pelo relatório Focus desta segunda (02), a expectativa dos economistas para o IPCA reduziu pela quinta semana consecutiva, caindo de 3,65% para 3,59%.

 

Se concretizadas as previsões, de fato o novo modelo pode gerar uma economia bem significativa para o tomador de crédito. Isso porque o governo também estabeleceu um limite para taxas fixas, que podem variar de 2,95% a, no máximo, 4,95% ao ano. Números que, mesmo somados ao IPCA previsto para este ano, tornam as novas alternativas mais interessantes se comparadas às linhas oferecidas até então pela Caixa, com taxas de 8,5% e 9,75% ao ano.

 

Só é preciso lembrar que uma opção mais econômica, nestes casos, está condicionada também a um risco maior, devido à imprevisibilidade da inflação. Como os financiamentos corrigidos pela Taxa Referencial também estão mantidos, a escolha entre uma opção ou outra vai demandar do consumidor um maior entendimento do mercado e de suas possibilidades. Considerar outros custos que não apenas a taxa fixa e o índice de correção é mais uma forma de se precaver de propostas aparentemente muito atraentes mas que, se avaliadas com bastante cuidado, podem não compensar tanto no Custo Efetivo Total (CET) da operação. Outro detalhe importante é que a nova alternativa vale somente para novos contratos, não sendo possível no caso de haver a portabilidade de um contrato já corrigido pela TR.

 

Na minha opinião, essas medidas podem influenciar positivamente diversos setores, que não apenas o mercado imobiliário. Tomando a frente, a Caixa acaba não só estimulando uma maior flexibilidade por parte de outras instituições financeiras, como fomentando todo o segmento da construção civil, que consequentemente se vê mais confiante, contratando mais profissionais da área, comprando insumos e investindo em outros elos da cadeia construtiva. Por isso acredito que o objetivo principal da medida seja movimentar a economia como um todo, através da ativação do segmento imobiliário que é tão representativo e importante dentro da cadeia produtiva brasileira.

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