OPINIÃO

O sexo não é culpado

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A questão abordada pelo governo sobre a abstinência sexual para meninas ou adolescentes tem importância, sim, ainda que seja preciso cuidado na sua sustentação. Os tempos modernos consagraram movimentos de maior liberdade sexual ao mesmo tempo em que o despertar neste sentido é precoce pela própria natureza. A velocidade permissiva venceu preconceitos e pode ter exorbitado a superação de pragmatismos apregoados especialmente pela religiosidade. O que não prosperou é a responsabilidade social e individual. O tema é necessariamente amplo pelas circunstâncias físicas, psicológicas, e econômicas. A saúde da mulher (adolescente) e o bem estar do bebê, quando a gravidez ocorre em período de precária maturidade. Fala-se na incidência bem rara de uma concepção planejada.

 

Responsabilidade paterna
A campanha lançada pela ministra Damares (de duvidosa sobriedade política) precisa ser acompanhada de perto para não desandar no moralismo teocrático. Neste sentido é importante a participação direta do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. A inserção da peculiaridade participativa não pode descuidar da dupla missão paterna (avoenga) e da óbvia responsabilidade do homem adulto ou adolescente na relação do sexo. A lei civil é clara quanto ao dever de zelar pelos menores, de ambos os sexos, atribuída aos pais ou responsáveis. A leviandade nas relações íntimas dá origem a constrangimentos que se evidenciam muito graves na vida do nascituro, de ordem psicológica e saúde física. A pobreza, sempre a pobreza, agrava todo o contexto afetivo. Nem vamos falar na incontinência machista impregnada em nossa cultura, que admite frequentemente o sexo de adulto com mulher menor de idade (vulnerável), ainda que compreendido como crime pela lei penal. São muitos os casos em que o homem simplesmente abandona a companheira infante ou adolescente.

 

O ímpeto
A apelo sexual é algo maravilhoso na natureza. A situação delicadíssima que vivemos hoje vem de vícios culturais sobre a responsabilidade. É complicado. Um adágio antigo descreve o quanto a caminhada humana parece não aprender lidar com a questão. “Amantes, amentes” (os amantes pouco pensam), referindo-se a este delicado, mas indômito, desejo sexual. Por isso, é preciso lembrar que a maravilhosa fertilidade humana, sem preconceitos, merece o mínimo de respeito de macho e fêmea. Afinal é o início de uma vida. E a vida é o mais importante. Há muito que reconstruir no relacionamento humano. A abstinência sexual pode ser um sinal de merecida reflexão. Mas não é possível debater isso sem igual participação masculina.

 

Desafio
O preço do combustível vem rondando o equilíbrio inflacionário do Brasil. E o presidente Bolsonaro laça no colo combalido dos governadores o desafio de zerar o ICMS dos combustíveis. E agora, Rio Grande do Sul?

 

Consertos
A imprensa publicou gesto singelo, mas repleto de cooperação social, ao destacar a ação do serralheiro que conserta brinquedos na praça pública da Capital. Esse espírito humano anda por aí, desafiando medos causados pelo egoísmo. Outro fenômeno impressionante é a persistência do maestro João Carlos Martins. Incrível sua volta à regência e participação em musicais, cheio de bravura. Seu concerto se escreve com “c”, mas conserta almas carentes de alegria musical. Esse cara é fantástico.

 

Desemprego
É aflitivo saber que nosso país luta tanto por vagas de trabalho, principalmente entre jovens de 18 a 25 anos, ao redor de 26%. É imensa essa dor do desemprego!

 

Desastre na água
Temos insistido nos fundamentos de sobrevivência, reveladores do grave choque causado pela desigualdade de recursos. Vejam o desastre que afeta 9 milhões de pessoas sem água potável no Rio. É muita violenta a poluição do reservatório de Guandu. Gente, é muito sério! É tanta sujeira na água que nem as toneladas de ingredientes químicos tem apresentado resultado. Esse assombro (literalmente líquido) deve servir de alerta a todo o país. Isso vem acontecendo cumulativamente com despejos criminosos nos rios e riachos. O perigo está na água doce.

 

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