OPINIÃO

Elli, padre e mestre

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O falecimento do sacerdote Elli Beninca assinala a vivência virtuosa de um religioso devotado simultaneamente ao saber. Foi, sem sombra de dúvidas, das mais caras inteligências formadoras da Universidade de Passo Fundo. De hábitos simples e compatíveis com a missão pastoral, foi o principal formador educacional ao dirigir a Faculdade de Educação, com destacados conhecimentos filosóficos direcionados à formação de professores ao modelar a orientação pedagógica moderna. Foram várias décadas de estudos e experiências com capacidade intelectual insuperável. Fortaleceu gerações de líderes em nossa região, indicando fontes de crescimento emancipatório capazes de qualificar individualmente lideranças para promover justiça social. Exerceu com esmero a curadoria perante uma sociedade angustiada em seus momentos históricos, zelando pelo campo de acesso à cultura. Orador esplêndido e convincente pela precisão de seu pensamento, cativou plateias por mais de meio século no magistério. Elli cumpriu sua missão na terra e semeou crença e saberes que continuam vivos.

 

Coronavírus e cautelas

As preocupações com o surto de coronavírus é procedente diante de algumas circunstâncias que podem ser propícias à propagação no planeta. Enquanto a atenção em Wuhan e outras cidades populosas da China mobiliza autoridades daquele país, - impressiona a ação pronta do estado. A aglomeração de gente na Ásia é potencial perigoso por si só. Afinal já são milhares de infectados e mais de mil mortos. No Brasil e em vários países da América, parece que as cautelas são adotadas em tempo. A incidência migratória exige maior rigor no controle sanitário.

 

Saneamento básico
Quando se acende mais uma luz amarela na globalização das doenças transmissíveis, o Brasil vive o alerta de suas mazelas de febre amarela, chikungunya, dengue, hepatite e outros males. Observando questionamentos de médicos que debatem sobre a propagação de doenças, é unânime o aspecto da higiene. O saneamento básico e a qualidade da água são absolutamente imprescindíveis. Em nosso país apenas 50 das cidades têm esgoto cloacal coletado (e supostamente tratado). Saneamento e água potável são questões geminadas de sobrevivência humana. Isso é causa terrível de contaminação. Mesmo nos centros mais evoluídos, como São Paulo, as consequências das enxurradas que revolvem os canais de esgoto, podem ser devastadoras. A falta de água potável compromete a saúde e o desenvolvimento das crianças. Até a formação cerebral fica danificada com os contágios causados pela má higiene. O adiamento das metas de saneamento público na previsão orçamentária do Brasil é o pior presságio, até para sua esperada recuperação econômica.

 

Morte na infância
Justamente por causa da poluição ambiental, falta de saneamento habitacional e falta de água potável, ressurge a mortalidade infantil. O grito de alerta surge no Ceará, onde volta a crescer a mortalidade de crianças antes de um ano de idade. As diarreias e outros males surgem da água que as crianças bebem. Além disso, a falta do esgoto cloacal é gravíssimo vetor de doenças.

 

O remédio
Dizem os técnicos em saúde que o corpo é o principal laboratório para curar enfermidades. Neste sentido o SUS tem alcançado magníficos resultados de prevenção. A olhos vistos o apelo mercadológico aponta o crescimento espantoso de farmácias. Crescimento desproporcional à importância da prevenção que envolve, por exemplo, a cultura ambientalista. Saneamento básico, água e comida saudáveis, são os pressupostos da saúde pública. Temos advertências para o perigo do desmonte do SUS, principalmente nos programas de prevenção e postos de atendimento. O médico e escritor Drauzio Varella reproduziu a observação grave sobre os destinos de nossa saúde pública: “SUS ou barbárie”. Comentou que o programa brasileiro de atenção à saúde pública é o mais eficiente no mundo.

 

Feminicídio
Ao contrário do que se esperava para nosso estado, é doloroso constatar o aumento da violência contra a mulher. Isso que chamamos de cultura machista é aberração de caráter, ato covarde (revoltante), que tem multiplicado a incidência de feminicídios nesta pampa hospitaleira.

 

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