OPINIÃO

Os Antípodas

Por
· 3 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Grande parte dos observadores no mundo aponta a dispersão de esforços políticos no Brasil e EUA em relação à catástrofe mundial do Covid-19. O perigo de saúde pública e a morte de multidões moveram alguns países a superar diferenças partidárias, como Argentina e Uruguai, e concentrar ações nacionais para combater a pandemia. Ao contrário, O presidente Trump e Bolsonaro deflagraram onda negacionista como afirmação de poder direcionado ao controle eleitoral. No Brasil faltam ainda dois anos e meio para a escolha do novo presidente. Nos EUA a nova eleição é em novembro deste ano. O palácio do Planalto enxergou no ministro Mandetta a hipótese de uma nova liderança nacional, diante do apelo popular respondido satisfatoriamente no início da pandemia crescente no território brasileiro. Embora sem experiência, o então ministro formou elo de comunicação para atender a ansiedade popular, estruturando respostas ponderáveis às ameaças de contaminação. A base das respostas do ministro Mandetta, da Saúde, emanavam de influências científicas que auscultaram a situação estabelecida como gravíssima em países da Europa e, em seguida os EUA. Bolsonaro, em tom autoritário, criou estranha narrativa, negando os métodos oficiais do ministério, como faz até o momento. O incômodo palaciano foi logo afastado com a exoneração de Mandetta. De lá para cá se instalou confusão de políticas para suportar o ataque do vírus. E chegamos a números altamente perigosos que afrontam a defesa sanitária de nosso país. Ambos os presidentes, com estilos esdrúxulos mantêm-se contra o consenso das experiências desta ainda curta e dramática história da pandemia.

O fanatismo liberal

E perdemos precioso tempo no país, no momento urgente de juntar experiências e recursos. Tudo começou com o natural chamamento do povo à responsabilidade do chefe da nação. As respostas foram lentas e risíveis. A falta de seriedade com tantas respostas fanatizadas, tornaram o presidente um curandeiro de gestos paspalhos, que preferimos nem relembrar. Foi dito, em meio aos gemidos de morte de nossa gente, que era uma gripezinha, e coisa e tal. E seus acólitos seguiram as elucubrações de um presidente que se alçava a maior autoridade sanitária do país. Nisso foi seguido cegamente pelos fanáticos partidários, negando a gravidade da doença. Trata-se de ataque parcialmente identificado. Praga sem vacina. Neste momento de doutrinação adotada pelo fanatismo liberal, a própria oposição inconseqüente entrou pelo outro extremo, combatendo pela via partidária. Muita bobagem veio vulgarizar o diálogo necessário à nação. Ficamos sem o conforto esperado da palavra oficial, com alguns momentos de apoio financeiro. Nos EUA Trump protagoniza mistura desastrosa entre política partidária e política nacional de saúde. Ora com uma opinião, ora com outra, mas sempre ocupado com a campanha sucessória, o gringo começou a descer a ladeira eleitoral, em meio a muitas mortes pelo covid! Até máscara agora usa.

Jogada

Parece mesmo que Bolsonaro e Trump, embora a diferença de tamanho e importância igualam-se ao seguirem o instinto da provocação inepta. Agora Trump anuncia guerra comercial à China. É a jogada de marketing para trazer seu eleitor de volta. O lugar escolhido é seu grande reduto partidário, Houston (Texas). Lá, Biden, seu opositor democrata vem minando o território dos republicanos. O quadro de desespero eleitoral levou-o a ordenar o fechamento do consulado chinês. As coisas já vinham agravadas desde a exclusão do Huawei do sistema 5G norte-americano. Ninguém desconhece as práticas de espionagem, pelo sistema troca-troca entre as grandes potências. Nem se quer negar que A China ou Rússia querem arrancar dados sobre as novas vacinas. Para nós do povo, isso não importa. O que interessa é chegarmos o quanto antes à vacina.


Um líder

Morreu no dia de ontem, Andrew Mlangeni, líder negro na luta contra o Apartheid, da África do Sul. Sua trajetória na construção de ações libertárias é exemplo de dignidade para o planeta. O mundo precisa olhar com mais dedicação para lideranças desta grandeza moral.  

 

 


Gostou? Compartilhe