OPINIÃO

Questionada a Lava Jato

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O procurador geral da República, Augusto Aras, deflagra ação administrativa questionando o que considera arsenal de informações da Lava Jato onde se insere o cerne de combate à corrupção pelo Ministério Público. Cita a cifra de 38 mil pessoas, ou nomes, que constam nos arquivos sigilosos da operação. Sobre esse contexto de investigação alega o princípio da transparência. Expõe, então, a desconfiança. Isso acontece logo após a acusação de interferência presidencial nas ações da Polícia Federal, envolvendo polêmica troca de delegados em funções vitais, como afirmou Moro, o ministro demitido. Há reação dos agentes da Lava Jato, questionando a escolha de Aras, alvitrada pelo presidente, fora da histórica lista tríplice sugerida pelo MPF. Tramita, ainda, inquérito que apura a quebra de sigilo funcional na operação que vasculhava Queiroz, às vésperas da eleição presidencial. A maior e mais prestigiada ação contra a corrupção, com dezenas de processos acusatórios na Justiça Federal, parece perder o encanto de um governo que imagina: A Lava Jato cresceu demais! A condenação de Lula, por certo aliviou a gana punitiva. A investida de Aras soa como um “senão”, dizendo que o grosso da sujeira foi varrido e o verdadeiro averno de crimes contra o patrimônio não existe mais. Isso não! O mérito de destituir o poder das investigações sigilosas, que têm afastado influências de poder parece estar em jogo. O resultado das eleições deu-se muito em cima da promessa de fortalecimento, confiança e arrojo nas fases da Lava Jato. A redução e limitação do sigilo legal da investigação vai mesmo melhorar a eficiência policial ou é temeridade estratégica?  


A inveja de Trump

Parece surreal. O surto pueril do presidente dos EUA, Donald Trump, volta-se contra o prestigiado Anthony Fauce, que é presidente das ações de combate à Covid-19 no país. Lamenta e considera acinte o resultado de pesquisas que apontam o respeitável médico com índices de popularidade maiores que o próprio presidente. Trump lança-se a devaneios incultos para debelar a imagem crescente de Anthony, fazendo afirmações paranóicas. Com isso pretende firmar seu eleitorado que aprecia este modelo de marketing. Mas sua popularidade ainda não reagiu. Tentou o deslumbramento ao espalhar cloroquina no país, mas esbarrou na inconsistência aos olhos da ciência médica. Tem a seu favor o poder imperial dos recursos financeiros, inigualável no planeta. Alguns erros, no entanto, anulam sua credibilidade. A própria tragédia da pandemia não é afastada facilmente em lugar algum do mundo.

O que preocupa como efeito em países da América Latina e no Brasil esta desvirtuada estratégia de Trump? O problema é que ele é tomado como exemplo por simpatizantes e até veneradores, como no Brasil. Essa influência despótica, ainda que equilibrada pela forte instituição americana de saúde pública, está chegando equivocadamente aos países pobres. Os recursos técnicos e financeiros dos norte-americanos não podem ser copiados no Brasil. A visão ofuscada de seguidores brasileiros já prejudica equações possíveis para a crise da pandemia no Brasil. A torcida organizada dos republicanos em nosso território está misturando tudo. E não precisamos mais incertezas na nossa batalha contra o vírus. Já temos o suficiente.

Mentira

A insistência em divulgar perfis falsos agrava a rejeição de Trump, aos 74 anos. A ciumeira devotada ao prestigiado Fauci não foi anulada com os novos briefings, tentando amenizar o negativismo com palavras de realismo e moderação.


Pressa russa

A Rússia surpreende com o anúncio de que apressa a produção e aplicação da vacina contra o coronavírus. Há ainda dúvidas dos cientistas em relação à segurança da vacina. Vacina, no entanto, é palavra mágica, espécie de milagre desejado. Enquanto EUA e China mantêm certa cautela, o remédio eficaz excita a população do planeta angustiado.


Verdade

Estamos num vale de sofrimento com sobressaltos de muitas, muitas mortes! Tantas incertezas e tantas verdades, em meio a tudo, exigem calma na irresignação, para mantermos a lucidez.


   


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