Aeroclube é alternativa para a aviação geral

Para servir à aviação executiva de médio porte ainda é necessária a pavimentação da pista de pousos e decolagens

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Fotos - Gerson Lopes-ONFotos - Gerson Lopes-ON
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Além de um aeroporto onde operam as grandes empresas aéreas, metrópoles e cidades de porte médio contam com aeródromos que centralizam a aviação geral. Em Passo Fundo esse papel é desempenhado pelo Aeroclube, uma importante alternativa para a aviação de pequeno porte. Agora, com as obras no aeroporto Lauro Kourtz, essa condição ganha maior visibilidade. Alguns aviões que estavam baseados no aeroporto foram levados para lá e o movimento de visitantes também aumentou. Porém, aeronaves executivas maiores foram transferidas para Erechim e Carazinho. Isso, porque as pistas do aeroclube não são asfaltadas e, ainda, o local sofre com a precariedade do acesso. Superadas essas demandas, a área centralizará a aviação executiva regional, assim como, por exemplo, o Campo de Marte na aviação geral em São Paulo.

Asfaltamento da pista

O experiente Comandante Naerton Rorato, administrador do Aeroclube, explica que “é necessário o asfaltamento da pista para receber a aviação executiva de porte médio, com aviões à reação”, ou seja, os jatinhos e os turboélices. É o caso dos aviões de empresas como BSBIOS, Farmácia São João, Italac e outros que operavam com frequência no Lauro Kortz. Um exemplo disso ocorreu na distribuição do primeiro lote de vacinas da Covid-19 que chegaram a Passo Fundo por transporte rodoviário. O avião do Estado, um King Air 200, pousou em Carazinho e Erechim, pois não teria como operar na pista de grama/saibro do Aeroclube. “A operação está limitada até 5.800 kg e os jatinhos estão na faixa de 8, 10 ou 12 toneladas. Então é necessário adequar o pavimento para em torno de 15 toneladas de peso máximo de decolagem”, informa Rorato. São duas pistas principais, uma de 1.050 x 47 metros e outra de 1.000 x 37 metros. A terceira pista é utilizada como ligação entre as principais.

 Acesso precário



O precário acesso ao Aeroclube está recebendo algumas melhorias, mas ainda fica longe das suas necessidades. Há uma grande expectativa pelo asfaltamento do trechinho que liga a BR-285, estrada também utilizada para ir a Pulador, Bom Recreio, Santa Gema ou outras comunidades rurais. Os aviões-ambulância utilizam o Aeroclube. Isso significa uma dificuldade para que as ambulâncias cheguem até ali. Adversidades multiplicadas nos dias de chuva ou barro. O acesso é um dos obstáculos para a chegada dos caminhões que transportam o combustível. Após as chuvas, é necessário aguardar o trecho secar para que o caminhão não atole, muitas vezes impedindo o reabastecimento dos aviões.

 Aviação executiva

A utilização de aviões particulares está crescendo muito. “Há poucos anos, faziam de carro em duas horas o trecho entre Porto Alegre e Passo Fundo. Hoje, para uma reunião de uma hora, são necessárias quatro horas para ir e mais quatro para voltar. Como o empresário não pode perder tanto tempo, então prefere o avião que leva 40 minutos de ida e 40 de volta”. Além disso, Rorato lembrou a máxima de que o desenvolvimento não desembarca na rodoviária, reforçando a importância da aviação para os negócios particulares e a economia regional. Assim, ele alerta para a necessidade em melhorar a infraestrutura no local. “Temos que trabalhar pensando no futuro, para que tenhamos uma alternativa importante, um local que ganhe a conotação de um Campo de Marte”, exemplificou.

 Uma base para a aviação executiva e uma alternativa regional
 O Aeroclube já é uma base da aviação geral em Passo Fundo. Além das suas próprias aeronaves, mais de 20 estão hangaradas naquela área. Ali também está instalada uma oficina de aviação homologada que atende clientes de vários estados. O serviço de abastecimento, que oferece gasolina de aviação, poderá ser ampliado para disponibilizar querosene para os jatinhos executivos. Mas, não apenas com o fechamento temporário, o Aeroclube sempre foi uma importante alternativa ao Lauro Kourtz. “As pistas estão alinhadas com os ventos predominantes”, lembra o comandante, que por muitos anos operou com bimotores do transporte bancário e serviço de geofísica. Além disso, “o histórico de nevoeiros é bem menor, pois a altitude é 150 metros mais baixa em relação ao aeroporto”. Alinhado ao vento e com pouca incidência de nevoeiros, o Aeroclube continuará sendo a alternativa para a aviação geral nas situações de fechamento do Aeroporto de Passo Fundo. Essa condição deixa clara a importância do asfaltamento de no mínimo uma de suas pistas. “Devemos atender as aeronaves de médio porte para suprir a necessidade de uma alternativa local viável para o aeroporto”, entende Rorato.
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